Blog do Cid Benjamin


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Escrito por Cid Benjamin às 11h53
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Inspetor Clouseau

Dirceu, depois que se descobriu sua troca de telefonemas com os “aloprados”, logo depois de alguns deles serem presos pela PF com R$ 1,7 milhão para comprar o dossiê contra os tucanos.



Escrito por Cid Benjamin às 11h52
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Chuchu ou tartaruga?

 



Escrito por Cid Benjamin às 11h51
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Questionário do dia

Depois de ter sido acusado de querer privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, o candidato tucano Geraldo Alckmin posou assim para fotos. Ficou ridículo. E me lembrou um ditado muito usado no Chile, um dos países em que vivi no exílio: “Del ridículo no hay vuelta”.



Escrito por Cid Benjamin às 11h50
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Questionário do dia



Escrito por Cid Benjamin às 11h48
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Frases

“Sou amante da Revolução Cubana. Só lamento que Fidel não tenha feito o processo de abertura política enquanto estivesse vivo”.
Lula, matando Fidel antes da hora.

“A origem do dinheiro (para comprar o dossiê contra os tucanos) é criminosa.”
Antonio Carlos Biscaia, presidente da CPI dos Sanguessugas e deputado do PT.

“Não sou candidato das elites. Sou mais pobre do que o Lula.”
Geraldo Alckmin.

“O eleitorado está exaurido do tema ‘ética’”.
Tarso Genro, ministro da Articulação Política de Lula.

“Cada país tem o presidente e as citações que merece. Uns citam Catão, Cícero ou Péricles. Nós temos Lula elogiando Agnaldo Timóteo duas vezes em uma semana.”
Marco Antonio Villa, historiador.

“Escândalo no PT é como caixa de lenço de papel, você puxa um e vem logo dois ou três".
José Simão, na Folha de S. Paulo.

Há dois erros graves em campanha: o publicitário dar a orientação política, e o político dar a orientação publicitária.
César Maia em seu “ex-blog”.



Escrito por Cid Benjamin às 11h48
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Combati o bom combate – texto de Heloisa Helena

O artigo foi publicado na Folha de S.Paulo de hoje.

"COMBATI O bom combate...", terminei a campanha presidencial, estou finalizando o mandato de senadora, não roubei nem fingi que não via roubar, não traí a minha classe de origem, não me vendi, não perdi a fé! Estou de cabeça erguida, com a consciência tranqüila.
Agradecemos ao querido companheiro de chapa César Benjamin, a todos os nossos candidatos da Frente de Esquerda nos Estados, aos lutadores do PSTU, PCB, PCR e do nosso PSOL e ao carinho e generosidade dos nossos 6.575.393 eleitores. Agradecemos pelas flores e orações, pelos beijos e centenas de blusinhas brancas (risos!) delicadamente costuradas por muitas mãos femininas do Brasil.
Suportamos sem tremer os infames açoites das perseguições implacáveis, as humilhações grotescas e a difamação sórdida; ao contrário dos covardes que sempre se ajoelham diante do poder, soubemos renascer a cada dia, em coragem e esperança, honrando a memória dos velhos e dignos socialistas e ajudando a preparar as novas lutas das futuras gerações.
Ao contrário da cantilena de alguns que dizem que não apresentamos propostas na campanha -apenas porque tivemos a coragem de denunciar o banditismo político-, nós apresentamos todas as alternativas concretas à farsa técnica e fraude política da política econômica neoliberal tucano-lulista, ajudando a desmascarar a verborragia do pensamento único e disponibilizando todas as propostas para democratização da riqueza, da informação e da cultura, das políticas sociais, da terra e do espaço urbano.
Viajei sozinha pelo Brasil, sem Aerolula nem jatinho tucano, sem comitivas ou corriolas, de carro ou avião de carreira, com insignificantes condições de trabalho. Mas todas as dores do cansaço e o sofrimento mutilador das muitas decepções foram afetuosamente suavizados na alegria das crianças, na exuberante rebeldia da juventude, no doce acalanto dos idosos, na solidariedade masculina e na força poderosa das mulheres.
Em cada momento de dor, lembrei das meninas que nasceram como eu e foram condenadas à prostituição e das lutadoras mães que disputam suas crianças amadas com o narcotráfico e sonham e lutam pela vida digna em plenitude.
Claro que sinto muita tristeza ao identificar a perpetuação parasita dos políticos corruptos que são base de bajulação de quaisquer governos e as vitórias eleitorais de conhecidos mensaleiros, sanguessugas e outros bandos mais.
Com todo respeito ao encantador mundo da matemática, os sujos ditos cujos só enxergam números, calculam em todas as áreas onde a imaginação possa alcançar, delimitam territórios e votos a serem comprados, contabilizam até a venda da mãe e não a entregam -não por amor à digna genitora, mas pela possibilidade concreta de voltar a vendê-la. Conhecem todas as probabilidades do negócio político, são inovadores na metodologia de transporte de dólares nas peças íntimas do vestuário masculino, pagam publicitários via paraíso fiscal, conseguem milhões de reais e dólares com o crime organizado dentro ou fora da administração pública, privatizam o Estado para empresas e/ou gangues partidárias.
É preciso realmente muita fé em Deus e muita fé nas lutas do nosso povo para continuar sendo honesto e desbravando caminhos socialistas! Quanto ao segundo turno, ao contrário do que dizem os mentirosos que nos acusam de impor punição, silêncio obsequioso, o solene lavar as mãos ou outras considerações igualmente cínicas e oportunistas, importa reafirmar que nossa posição é de clara firmeza ideológica. Não compartilhamos os projetos da direita neoliberal assumida ou enrustida, da traição de classe e da vigarice política.
E, caso alguém queira comer o transgênico fruto podre do pomar alheio, poderá fazê-lo, pois punição não haverá, mas nós, que não somos cúmplices desse modelo, comemoraremos alegremente as vitoriosas sementes das futuras flores e frutos da nossa maravilhosa luta política. Ela ainda tem cheiro de terra molhada -às vezes, de lágrimas, também-, e as mãos calejadas ou delicadas que semearam conosco continuarão nos ajudando no cultivo e preparando a bela celebração da festa de colheita que um dia chegará!
Quanto aos nossos queridos eleitores, dúvidas não há de que não precisam mesmo de liberação -pois já são mulheres e homens livres, sem grilhões, amarras ou malditas conveniências quaisquer- nem do farol arrogante da síndrome de vanguarda a ousar lhes iluminar os caminhos. Enfim, como em parte diz o poeta, tudo vale a pena quando a alma não é pusilânime!



Escrito por Cid Benjamin às 11h47
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Eleição decidida

A essa altura, tudo indica que nem mesmo se surgir outra Operação Tabajara do PT muda o resultado desta eleição. Lula será reeleito.
Não importa que se prove que parte do dinheiro apreendido pela PF e que seria usado na compra do dossiê contra os tucanos veio do crime organizado (bicheiros). O eleitorado consolidou sua intenção de voto e boa parte dele relativizou as questões de natureza ética (o que é ruim e deixará conseqüências nefastas para o país). As pesquisas mostram que, para a ampla maioria, Lula “rouba mais” do que Alckmin, mas isso é relevado.
De minha parte, como já revelei aqui, concordo com declaração recente de Lula, que disse: “Sou o mal menor”. Farei como a esquerda francesa no segundo turno, quando tampou o nariz e votou no direitista Chirac contra o fascista e racista Le Pen.
Mas uma coisa Lula e a corrente majoritária do PT devem ter claro: ou revêem suas ligações com o submundo e suas concepções de que é aceitável pilhar os cofres públicos em nome de um projeto de poder, ou poderão abrir brechas para pedidos de impeachment por parte de PSDB e PFL ao longo do segundo mandato de Lula.



Escrito por Cid Benjamin às 11h47
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Votos de Heloísa Helena estão indo para Lula

Depois de um primeiro momento de perplexidade, a ampla maioria dos eleitores de Heloísa Helena está caminhando para votar em Lula, como “mal menor”. É o que mostram as pesquisas.



Escrito por Cid Benjamin às 11h46
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Parcialidade da imprensa

Alguns veículos da imprensa já fizeram suas escolhas na eleição presidencial. Mas da pior forma.
Não sou contra que jornal ou recitas escolham um candidato e, em seus editoriais, justifiquem a preferência. Isto, inclusive, é comum nos Estados Unidos. Mas é mau jornalismo quando a escolha é contrabandeada para a cobertura jornalística.
Esta semana, O Globo publicou manchete de primeira página mais ou menos assim: “PT usa organização criminosa (é a forma como O Globo se refere ao PCC) para encobrir dossiê”. A notícia se referia a uma declaração do ministro Tarso Genro, que afirmara que, mais grave do que o dossiê anti-tucano, era o poder do PCC em são Paulo.
Não é o que se deduz da leitura da manchete.
Interessante é que, durante o mandato de Lula, O Globo apoiou o presidente por concordar com a política neoliberal implementada. No primeiro turno da eleição, quando a fatura parecia liquidada a favor de Lula, manteve a postura. Mudou no segundo. Ao vislumbrar a possibilidade de vitória de Alckmin, começou a forçar a mão a favor do candidato tucano.
Por sua vez, O Dia (durante toda a eleição, mas principalmente no segundo turno) e a revista CartaCapital parecem estar sendo editados na sede do PT, tal o esforço para demonstrar que toda e qualquer denúncia contra o governo Lula não tem fundamento.
Já a Veja... Bom, a Veja é um caso especial. Aquilo não é jornalismo. Tenho, inclusive, usado em salas de aula reportagens da revista para dar exemplos de picaretagem.



Escrito por Cid Benjamin às 11h46
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O ombudsman Marcos Coimbra – texto de Mário Marona.

Marona foi meu primeiro chefe no Globo, no início dos anos 90. Somos amigos até hoje. Este bom texto está em seu blog.

Ex-marqueteiro de Fernando Collor, o dono do Vox Populi, Marcos Coimbra, assina artigo na revista Carta Capital em que denuncia que o segundo turno na eleição presidencial foi um golpe da imprensa contra Lula. Obedece, assim, à linha editorial da revista, e se veste de ombudsman da mídia para sugerir:
"O que nós, como sociedade, creio devemos refletir é sobre o papel da imprensa nestes dias que temos passado, quando mais não seja para reduzir as chances de novas interferências na vontade dos eleitores".
A "interferência na vontade dos eleitores", segundo a visão do PT, de Carta Capital e de uma penca de colunistas políticos que simpatizam com o governo, foi a divulgação - ampla demais, ao gosto deles - das fotos da dinheirama usada para comprar um dossiê contra José Serra às vesperas do primeiro turno.

(Leia o texto na íntegra em http://www.jblog.com.br/mariomarona.php) 



Escrito por Cid Benjamin às 11h45
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É eleição ou reeleição?

Representantes de movimentos populares entregaram carta com 13 pontos para um projeto popular para o Brasil ao ministro Patrus Ananias, que representou Lula. Apesar de ser um ato de apoio, ficou meio esquisito. Lendo-se as reivindicações apresentadas, não parece que Lula disputa a reeleição, mas sim que vai chegar agora à Presidência. Grande parte dos pontos consta do programa do PT. Simplesmente eles não foram lembrados nos últimos quatro anos.



Escrito por Cid Benjamin às 11h45
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Representantes do povo

Um em cada três deputados federais eleitos é milionário. Levantamento feito pela Folha de S.Paulo mostra que, dos 513 deputados que assumem o cargo em 2007, 165 declararam ter patrimônio superior a R$ 1 milhão.
Os deputados Camilo Cola (PMDB-ES) e Odílio Balbinotti (PMDB-PR) têm, juntos, um terço do patrimônio total da nova Câmara: R$ 382 milhões. Com fortunas de R$ 259 milhões e R$ 123 milhões, respectivamente, eles lideram a lista de milionários entre os futuros parlamentares.
Bom, isso é o que foi declarado, bem entendido.



Escrito por Cid Benjamin às 11h44
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Elle continua o mesmo

Quando cobria uma caminhada de comemoração da vitória eleitoral de Fernando Collor, eleito senador por Alagoas, o repórter Rodrigo Asfora, da TV Jornal do Recife, retransmissora do SBT, fez uma pergunta que não foi do agrado do ex-presidente. Resultado: levou uma cotovelada que derrubou seu microfone. “Depois eu ainda tive que fazer uma passagem com o Collor no fundo, muito próximo de mim, e tive medo que ele me chutasse”, disse o repórter.
Confira em http://video.google.com/videoplay?docid=-8685637007563335415



Escrito por Cid Benjamin às 11h44
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Na sala de aula

Esta me foi enviada pelo Aníbal Monarcha.

Professor:
- Quem é o autor grego da frase "Só sei que nada sei" ?
Joãozinho:
- É o Lula, professor, só não sabia que ele era grego !!!



Escrito por Cid Benjamin às 11h44
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Tudo para não ser rebaixado

Também veio do Aníbal.

A próxima aquisição do Fluminense é um Legacy 600. Para ver se acerta o Gol...



Escrito por Cid Benjamin às 11h43
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Previsão

Na semana que vem temos Flamengo x Vasco pelo campeonato nacional. Como o jogo não vale nada (pelo menos para o Flamengo, que não tem mais como ser campeão, não corre mais o risco de rebaixamento e tem presença garantida na Libertadores), aposto que o Vasco vai vencer.
Já se fosse uma final...



Escrito por Cid Benjamin às 11h42
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O mineirim animado com o vídeo da Cicarelli

Quem mandou esta foi a Ângela Delamare

O mineirin estava de férias no RJ, quando viu o vídeo da Daniela Cicarelli com o namorado espanhol.
Animado, foi à Praia de Copacabana e logo arranjou uma americana. Levou-a para a água e mandou brasa.
O mineirim era danado. Lá pelas tantas, a americana disse:
- Once more, once more!
E o mineirim:
- BELZONTE! BELZONTE!



Escrito por Cid Benjamin às 11h42
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Escrito por Cid Benjamin às 16h49
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Segundo turno – O que fazer?

Como esse debate continua rendendo, publico aqui mais alguns artigos sobre a questão. E, como estou com saudades do formato antigo do blog, quero ver se até amanhã volto a atualizá-lo como antes.



Escrito por Cid Benjamin às 16h48
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Segundo turno – O que fazer? - Entrevista com Chico de Oliveira, do site Carta Maior - I

 “Agora voto em Lula”

Para o sociólogo filiado ao PSOL, campanha pelo voto nulo é um equívoco. Um futuro governo Alckmin representaria um aprofundamento das privatizações de FHC. No caso de Lula, “apesar de não esperar alterações na política econômica, há espaço para mudanças”, diz ele.

Flavio Aguiar e Gilberto Maringoni - Carta Maior

SÃO PAULO – Chico de Oliveira, 72 anos, é um dos mais respeitados sociólogos brasileiros. Pernambucano de Recife, ele é professor titular aposentado do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP e coordenador do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da mesma faculdade. É autor, entre outros, do hoje clássico “Crítica à Razão Dualista/O ornitorrinco” (Boitempo). Co-fundador do PSOL depois de ter deixado o PT no ano passado, Chico fala nesta entrevista dos impasses do governo Lula, das diferenças de projetos entre as candidaturas do PSDB e do PT e explica porque, depois de votar na senadora Heloísa Helena, agora vai de Lula. A seguir, os principais trechos de sua entrevista.

Carta Maior – O que está em jogo nestas eleições?
Chico Oliveira – Há duas coisas em disputa. Há uma corrida feroz em direção aos fundos que o Estado ainda controla, como os recursos do BNDES e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). O BNDES é o maior banco de investimentos do mundo e deixa bem para trás o Banco Mundial. O Estado orienta os fundos de pensão. E há disputa pelos benefícios gerados a partir da dívida pública, que beneficiam cerca de 20 mil famílias, segundo pesquisa do professor Márcio Pochmann, da Unicamp. Essas 20 mil famílias lucram com a dívida pública, mas não a gerem. Que gere é o Estado. A diferença maior entre as orientações de Lula e de Alckmin, em termos amplos, é que o segundo promoveria uma privatização acelerada do que resta de ativos em mãos do estado. Lembremo-nos que, segundo os levantamentos de Aloysio Biondi, em dez anos, entre os governos Collor e FHC, privatizou-se cerca de 15% do PIB.

CM – Mas não há uma continuidade do projeto do governo FHC na gestão Lula? Qual a disputa real?
CO – A continuidade faz parte da disputa pela hegemonia na sociedade. Se nos lembrarmos da lição gramsciana, hegemonia é 80% consenso e 20% violência. Há um projeto em andamento na sociedade, que atrai os setores do topo e os setores miseráveis e o povão. Se Lula tem esse projeto político na cabeça, trata-se de um gênio político. Eu acho que ele não tem, pois age muito mais por intuição do que por planos pré-definidos. Ele atua levando as práticas do movimento sindical para uma esfera maior. Como se trata de disputa de hegemonia e não de uma revolução, é natural que ele não queira acirrar os ânimos em muitas situações de conflito. Ambos – PT e PSDB - têm projetos capitalistas, mas diferentes em sua forma.

CM – A elite não tem como suportar a chegada do povo sequer aos jardins da casa grande, não?
CO – Não, porque construímos um país de desigualdade abissal. Com uma situação dessas, só é possível exercer a dominação de classe sem mediações. Por isso nós tivemos, na média, durante o período republicano, um golpe ou tentativa de golpe a cada três anos. As próprias classes burguesas estão a uma distância muito grande do povo. Nessa situação, o sistema político e os partidos perdem totalmente seu sentido. Isso explica muito a aliança de Lula com Jader Barbalho, os elogios feitos a Delfim Neto e outros. É claro que os movimentos circunstanciais explicam esse tipo de aliança. Mas ela está construída num projeto mais amplo. Talvez o projeto não esteja pré-definido e venha sendo construído pelo Lula intuitivamente. Quando ele afirma ficar chateado pelo fato de os ricos não gostarem dele, está expressando esse projeto de hegemonia, de ligar dois extremos sociais. A aproximação com o Jader está dentro disso.

(continua abaixo)



Escrito por Cid Benjamin às 16h48
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Segundo turno – O que fazer? - Entrevista com Chico de Oliveira, do site Carta Maior - II

(continuação)

CM - Como o sr. vê a mudança tática que o Lula fez nas duas últimas semanas de campanha? Ele conseguiu sair do terreno que o Alckmin queria colocar o embate – o do moralismo – e passou para o da política, através do debate das privatizações.
CO – Sem dúvida ele é um tático muito bom, não sei se é um estrategista. Não sei se ele tem, alguma coisa mais consistente por trás. Se tiver, repito, trata-se de um gênio político. Mas acho que tudo funciona através da intuição.

CM – Com tudo isso, por que considerar a possibilidade de se votar em Lula no segundo turno?
CO – Acho que a reeleição é uma nova eleição. Os espaços que tínhamos em 2002, de outra forma, voltam a se apresentar, como a questão das privatizações. Esse era um tema proibido durante o governo Lula e ainda mais na era de FHC. Os que dissentiram foram marginalizados. Por que esse tema volta agora a ser central? Por que se abre uma nova disputa. Por isso, eu considero a possibilidade de se votar em Lula. Várias forças que atuaram dentro do PT voltam a ter chance de disputar esse governo. Estou disposto a voltar a correr esse risco, embora o governo não me agrade, seja capitalista e poderia ter avançado muito mais.

CM – Como o sr. vê a campanha pelo voto nulo?
CO - Acho um equívoco e não por questões morais. Há um espaço que pode se alargar. Há diferenças entre o governo Lula e um possível governo Alckmin. Não espero mudanças na política econômica, ela continuará mesma. Mas há uma pequena chance de mudança. Por isso voto em Lula agora. E devemos usar oportunisticamente o fato de Lula precisar de votos agora, para colocar reivindicações que seu governo soterrou. Temos de atacar pelo lado social.

CM - O sr. filiou-se ao PSOL e seu partido tem outra posição...
CO - Há um equívoco no PSOL neste caso. Votei no primeiro turno em Heloísa Helena. Mas logo ela começou a desandar. Ela perdeu o voto de minha mulher quando, numa entrevista para a Globo disse, sobre o tema do PCC, que multiplicaria por dez o número de prisões. Minha mulher virou-se para mim e disse: “Aqui acabou meu apoio”.

CM – Que mudanças o sr. Espera de um futuro governo Lula?
CO - Se depender apenas das forças que apóiam Lula e da dinâmica que ele ganhou em quatro anos, não haverá mudança. Dependerá de nós, de um impulso vindo de fora. Há uma crença arraigada no Brasil de que é nos manches do estado que as coisas se solucionam. Em parte é verdade. Mas para se realizarem mudanças reais é necessário ativar a sociedade civil. Temos de incentivar muita coisa para influir. Não gosto muito de usar a expressão “movimentos sociais”, porque, fora o MST, não sei onde eles estão. Temos literalmente de encher o saco de um segundo mandato de Lula. Não podemos deixar em paz um próximo governo Lula. Se ele conseguir realizar seu projeto hegemônico com as orientações atuais, o futuro será sombrio. Teríamos de construir uma plataforma mínima, com alguns pontos básicos, como dar ao Bolsa-família o status de emenda constitucional e entregá-la à Previdência Social, um dos órgãos públicos mais sérios deste país. Nas privatizações, há que se auditar e reestatizar algumas atividades. Mas eu não quero colocar condicionalidades para a votar em Lula, porque ele não vai ligar para isso. Precisamos é de uma pauta para orientar nossa ação.



Escrito por Cid Benjamin às 16h47
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Segundo turno – O que fazer? – texto de Antonio Augusto, publicado no site Carta Maior - I

O PSOL fará como a Carolina na janela?

Na definição do embate Lula e Alckmin, os quase 7% de votos destinados à senadora Heloísa Helena tornam-se decisivos. Independentemente da posição da candidata, os eleitores irão votar. O PSOL vai manter a posição de ficar de fora de um jogo cada vez mais polarizado?

Mal se fecharam as urnas no dia 1º de outubro, já se afigurava clara, a partir das pesquisas de boca de urna, que as eleições presidenciais só seriam decididas no segundo turno. A constatação da importância do eleitorado de Heloísa Helena, com mais de seis milhões e meio de sufrágios, se impôs. O destino desses votos no dia 29 de outubro pode decidir a eleição.
Embora em alguns momentos tenha enveredado por ataques pessoais, a candidatura da senadora apresentou-se como nitidamente de esquerda. Praticamente sem dinheiro, e com um esquema partidário precário, a coligação da Frente de Esquerda (PSOL-PSTU-PCB), evidenciou a única mobilização de militância voluntária, não paga, a discutir mudanças substanciais para o país, em meio a uma eleição marcada pela indiferença e a desesperança da população com a política.
“Como a batalha ainda não terminou, o PSOL dependerá da sua atuação no segundo turno”, avaliou Plínio de Arruda Sampaio, candidato do partido e da Frente de Esquerda ao governo de São Paulo, após a divulgação dos resultados. E recomendou: “Nós, os socialistas, queiramos ou não, participaremos dessa batalha, pois, em política, a omissão não quer dizer neutralidade. Qual deve ser nosso objetivo neste segundo embate? O segundo turno é o curtíssimo prazo. Outras batalhas virão e, para enfrentá-las em condições melhores, precisamos aprofundar o diálogo com as organizações populares combativas”.

Decisão apressada

Certos setores do PSOL não se mostram tão empenhados nesse diálogo. Em decisão apressada, dois dias após a votação, a executiva do partido considerou idênticos os dois candidatos mais votados. E “deliberou por não indicar o voto nem em Lula e nem em Alckmin”. De maneira exótica, decretou a imposição: “Nossa resolução tem caráter proibitivo. Nossos filiados publicamente não podem (se manifestar sobre o segundo turno)”. E, para finalizar a obra, a executiva igualou mais uma vez o PT ao PSDB: “o PSOL tem definição: não indicar o voto em nenhum dos dois candidatos. Portanto nem PT nem PSDB precisam nos procurar porque já temos uma posição política”.
Numa situação política com naturais divergências, a executiva, não só não se dispôs ao diálogo com as organizações populares (o MST, para ficar num único exemplo, recomenda o voto contra Alckmin, em Lula), como não procurou ouvir nem figuras representativas do próprio partido, nem a totalidade da direção nacional, muito menos a militância. Plínio de Arruda Sampaio e César Benjamin, candidato a vice de Heloísa e responsável pelo programa de governo, entre muitos outros, só tomaram conhecimento da resolução pela imprensa.

Ultra-esquerda

Ao contrário do que parece pensar a executiva do PSOL, a tradição da esquerda em vários países mostra ser possível fazer campanha para um candidato, sem se identificar com seu governo ou programa. Peguemos um exemplo incontestável para a ultra-esquerda. Lênin, versado na matéria, aconselhou numerosas vezes seus partidários a apoiar um adversário no movimento popular, justamente para poder aumentar a audiência de seus adeptos e, assim, ganhar influência nas fileiras adversárias. O critério, segundo se deduz, para o apoio eleitoral, tem estreita relação às bases sociais promotoras da candidatura que se apóia.
Em plenária de ativistas do PSOL, no Rio, um militante, morador do Morro do Alemão (uma das mais pobres favelas cariocas), disse: “Se eu defender o voto nulo lá no morro, não consigo conversar com ninguém. O pessoal vai votar no Lula. Para que serve o partido se não dá indicação ao povo de como votar ?”.
As pesquisas de opinião, pós-primeiro turno, apontam o crescente deslocamento do eleitorado de Heloísa Helena rumo a Lula. A questão é: os partidários da senadora assistirão a essa movimentação, sem nenhuma influência nos acontecimentos?

(continua abaixo)



Escrito por Cid Benjamin às 16h45
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Segundo turno – O que fazer? – texto de Antonio Augusto, publicado no site Carta Maior - II

O exemplo da esquerda chilena é uma boa comparação à atual situação eleitoral brasileira. Apesar de a esquerda ter lançado uma candidatura, no 2º turno ficaram Sebastián Piñera, direita pinochetista, e Michelle Bachelet, da Concertação, uma coligação centrista no poder há vários anos. O Partido Comunista, de antemão, declarou sua oposição às duas candidaturas classificadas como neoliberais. A agremiação estabeleceu, no entanto, o objetivo central de derrotar a direita histórica , representada por Piñera. Apresentou um programa mínimo de 5 pontos a Bachelet,como pré-condição ao apoio eleitoral, mantida a oposição a seu eventual governo. A posição propiciou a radicalização das mobilizações democráticas e populares, intensas durante este primeiro ano de governo Bachelet.

Nenhum voto em Alckmin

Setores do PSOL, como a corrente Ação Popular Socialista, integrada pelo deputado Ivan Valente, de São Paulo, mostram já no título da sua resolução, seu entendimento do momento político: “Nenhum voto em Alckmin. Continuar na resistência ao neoliberalismo, seja qual for o novo governo”. A APS considera que “na prática, não há nenhum sinal de que algum militante do PSOL possa vir a votar em Alckmin”. Refletindo nuances internas, a APS conclui que “há a possibilidade tanto para o voto nulo quanto para o voto crítico em Lula, mas nenhum voto em Alckmin”.
O PSTU se identifica às tradicionais posições da ultra-esquerda. Desta vez não foi diferente: “O voto nulo não indica somente a falta de alternativas eleitorais para os trabalhadores neste segundo turno. Uma grande soma de votos nulos enfraqueceria as duas candidaturas e o futuro governo eleito”, prescreve a agremiação.
O PCB não deixa margens a dúvidas sobre sua posição, intitulada “Fora Alckmin!”. Após denunciar os desmandos do ex-governador no estado de São Paulo, o partido articula cinco pontos preliminares para o apoio eleitoral a Lula, deixando clara desde já sua oposição ao próximo governo. Entre os pontos, repúdio às contra-reformas trabalhista e sindical, apoio ao Mercosul e oposição à Alca, o fim dos leilões dos campos petrolíferos da Petrobras.
Nesta segunda-feira, 16, o PDT (leia-se Cristóvam Buarque) anunciou sua neutralidade na disputa. Cresce, assim, a importância da posição adotada pelas forças políticas agrupadas na candidatura do PSOL. Há duas possibilidades: manifestar-se claramente contra a candidatura da direita, apoiando criticamente Lula, ou lavar as mãos. A Carolina na janela, da música de Chico Buarque, foi a única que não viu o tempo passar. O PSOL ficará na janela (ou no muro?). Pelo sim, pelo não, o tempo político está passando.



Escrito por Cid Benjamin às 16h45
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Segundo turno – O que fazer? – texto de José Amalio (Zé da Lata)

Voto nulo e mobilização pelo socialismo

1) Há um vazio político quanto à representação partidária dos adeptos do socialismo-democrático. O PT transformou-se numa organização na qual manda uma tendência majoritária responsável pelas piores práticas políticas para defender, quem poderia imaginar, a política neoliberal vigente. Tanto o PC do B, quanto o PSB, há muito se aliaram subalternamente ao PT;
2) Lula desorganiza a sociedade civil e silencia inúmeros atores que, até a eleição de Lula, apresentavam uma combatividade e contribuição teórica importantes. Não estamos presenciando só o silêncio dos intelectuais, mas sim, também, o dos movimentos sociais. Uma tragédia política;
3) Recomendar o voto em Lula, mesmo explicitando as ressalvas apresentadas por inúmeros companheiros, significa dar novo fôlego àqueles que demonstraram, durante esses quatro anos, que os fins justificam os meios. É dar fôlego ao pior dos populismos (messiânico), pois amortece as consciências e desencoraja os combatentes, cooptando milhares e milhares de militantes do movimento social com cargos e comissões robustas, robustíssimas, para não falar no mau uso, no desvio, do dinheiro público para fins que poucos sabem;
4) Recomendar o voto em Lula é contribuir para que uma parcela imensa dos setores populares, principalmente, dos mais pobres, miseráveis e sem chance de esclarecimentos, continue a pensar que ele e seu governo são de esquerda – é assim que eles se apresentam ao povo: vocês vão votar em Alckmin? Vão votar na Direita? logo, eles são de esquerda, ou seja, a esquerda é isso que ele e seu governo são, e o PSOL, que tem menos de um ano de existência, ainda não tem peso político suficiente na sociedade para se contrapor e se diferenciar das versões que a mídia fatalmente fará, caso viéssemos (ou venhamos) a apoiá-los, como alguns companheiros pensam ser o melhor caminho a seguir neste momento. A título de exemplo: imaginemos como as Organizações Globo, Estadão, Veja etc. dariam essa notícia? Iriam se preocupar em diferenciar o apoio do PSOL ‘aquele dado pelo PCdoB ou a qualquer outro partido? Interessaria, a esses setores, esclarecer a diferença desses apoios?  ou alardeariam que o “PSOL apóia Lula para mais quatro anos”? Se nós fôssemos da família Marinho ou dos Civitas, como procederíamos?
5) Sem mais me alongar, penso que recomendar o voto em Lula, mesmo explicitando as ressalvas apresentadas por inúmeros companheiros – não falei em Alckmin, pois penso não ser necessário falar sobre isso neste ambiente, certo? – se apoiarmos Lula, embaralharemos ainda mais as consciências e estaremos perdendo uma grande chance de trazer essa necessária novidade para a cena política nacional, que só o PSOL, neste momento, tem condições políticas e legitimidade para fazê-lo: um chamamento público aos socialistas, à fundação de um grande movimento, promovendo reuniões, visando à elaboração de um programa mínimo de lutas - incluindo uma política de alianças, esparramando-o em nossos locais de trabalho, em todos os lugares possíveis em que se dê a vida e a luta política, porque seja Lula, seja Alckmin, o que teremos pela frente será um governo prejudicial aos interesses mais permanentes dos trabalhadores, alienado e alienante, populismo messiânico ou de direita impositiva.
6) Não podemos perder essa chance histórica de nos contrapormos a essas duas candidaturas de direita e, ao mesmíssimo tempo, chamar todos, particularmente, os socialistas e simpatizantes de um novo mundo, de um novo país, que se deseja crescentemente mais justo, todos para a luta que necessariamente teremos de enfrentar desde o primeiro dia do governo que virá.



Escrito por Cid Benjamin às 16h43
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Segundo turno – O que fazer? – texto de Fernando Cataldi

Voto útil é voto nulo

Ontem participei de uma profícua reunião da Zonal Sul do PSOL. As manifestações foram substanciais. Evidenciaram a profunda reflexão dos companheiros na busca da identificação do melhor posicionamento nesse 2º turno das eleições. As divergências foram explicitadas em tom cordial e fraterno. Estou certo que o debate contribuiu para consolidar a convicção daqueles que a já haviam alcançado e esclarecer dúvidas dos que, como eu, oscilavam entre o voto nulo e o voto útil.
Já há muito, estava convencido de que simplesmente identificar as identidades entre as duas candidaturas que alcançaram chegar ao 2º turno, rotulá-las de pepsi-cola e coca-cola ou seis e meia-dúzia era um reducionismo que não contribuía para o enriquecimento da reflexão política e para a construção, senão do consenso, de uma proposta que permitisse aproximar, pela análise, as posições divergentes dentro do Partido, da Frente de Esquerda e, mais amplamente, dos opositores de ambas as alternativas apresentadas.
Entre outras, essa foi uma crítica que, na primeira hora, fiz à Nota da Executiva Nacional do PSOL (anexo I), inclusive contrapondo-a à Nota da Executiva Nacional do PCB (anexo II) e, agora também, à Resolução Política sobre o 2º turno deste partido (anexo III) que peço licença para aqui apropriar-me de alguns trechos.
Assim como os camaradas do PCB, entendendo que não se pode desprezar a origem dos partidos que estão capitaneando as 2 candidaturas em disputa. “PT é o partido social-democrata tardio, de origem operária e apoiado nas estruturas sindicais, que assumiu, no governo, as posturas e o ideário social-liberal.” Já, na minha opinião, o PSDB é o partido da social-democracia mais tradicional, a qual já há muito abandonou mundialmente seus postulados clássicos e assumiu a “representação do grande capital, do capital financeiro”, tomando dos próprios liberais a hegemonia da condução do neo-liberalismo.
Ainda repetindo os fraternos camaradas do PCB, vejo que “Geraldo Alckmin é o PSDB sem as tinturas democráticas da resistência à ditadura. É ligado à Opus Dei e ao que há de pior na direita paulista. É o candidato do PSDB da preferência do PFL. Seu governo em São Paulo foi o pior em educação e saúde. Sua política de segurança é de uma truculência exemplar, resultando no recrudescimento do crime organizado. Sua vitória representaria a privatização dos serviços públicos, o império do capital financeiro, uma ameaça real às liberdades democráticas. Sua política internacional, certamente, representaria um grave retrocesso, aprofundando o recuo na área internacional dos últimos anos do mandato de Lula”.
Já quanto ao Governo Lula, reforço a opinião de que um de seus aspectos mais nefastos foi que “acentuou a despolitização das massas e a desorganização dos trabalhadores, com a degeneração da CUT e de outras entidades sociais (...) representando uma identidade popular difusa, calcada na sua relação direta com as massas e em programas clientelistas”. Também identifico que, num 2º governo, “uma eventual base parlamentar de Lula será muito mais dependente do PMDB e dos partidos fisiológicos. Um segundo governo Lula tende a ser pior do que o primeiro, até porque as principais entidades de massa estarão ainda mais aparelhadas e dependentes”.   
Portanto, as alternativas que se apresentam para o 2º turno da eleição são ambas abomináveis. Entretanto, são diferentes e a reflexão sobre as diferenças é fundamental não apenas para seja dado o próximo passo que é a postura a ser assumida diante da nação brasileira nesse 2º turno, como principalmente para, em cada caso, formular a política adequada para “a esquerda socialista construir organizações sociais classistas, sobretudo de natureza intersindical” e, acrescento, em toda a base do tecido social capaz de enfrentar cada uma das formas possíveis com que se irá revestir o capitalismo no Brasil nos próximos 4 anos.
Nem o PSOL nem a Frente de Esquerda podem deixar de assumir publicamente uma posição diante da sociedade brasileira neste momento, ainda que seja no limite da análise, no qual acredito que seja possível alcançar o consenso de consignas básicas, explicitando corajosamente a divergência das conclusões. Na minha compreensão esse é um dever da esquerda revolucionária, porquanto se lhe impõe agir indo ao encontro de sua essência democrática.  
No que me diz respeito, sopesadas as nuances das diferenças entre as posições que se apresentam para esse 2º turno, fico com o “VOTO ÚTIL”.
A meu ver, o voto útil é aquele que se apresenta como mais oportuno diante de uma realidade dada. Longe de ser o voto ideal é aquele que, diante de condições objetivas que se não pode alterar, faz-se a opção pelo que é menos ruim.
Apresentado meu entendimento conceitual de voto útil, retomo a reunião a que me referi na abertura dessas considerações e nela vou buscar a intervenção do companheiro Jacob Teubl. Não pretendendo reproduzir-lhe as palavras, não o saberia, mas a idéia que apreendi. Disse o companheiro que, à vista de uma definição do quadro eleitoral a favor da candidatura Lula, sentia-se mais a vontade para votar nulo, uma vez que percebia afastada a perspectiva de o Alckmin ser eleito. Confesso que, no primeiro momento, soou-me uma posição oportunista. Entretanto, no fundo, havia uma lógica irrefutável na sua formulação que fiquei ruminando em meus pensamentos até o sono. Acordei e deparei-me com as manchetes dos jornais. O fato de a candidatura Lula apresentar-se folgadamente à frente da de Alckmin é um dado da realidade incontestável. Ora, não se pode desprezar a realidade ao se fazer uma análise política com vista a atuar nela de forma concreta. Por outro lado, já que havia cogitado da possibilidade, impus-me indagar: qual a diferença entre “oportunismo” e senso de “oportunidade”?
Extraio de um dicionário as seguintes definições: “oportunismo – tendência a sacrificar os princípios, para transigir com as circunstâncias e acomodar-se a elas”; “oportunidade – qualidade de oportuno (...) conveniência”.
Pergunto: o que nos levaria a uma postura mais próxima do oportunismo? Votar no Lula, com sacrifício de princípios, apostando num duvidoso mal menor, ou preservar a postura oposicionista assumida pelo PSOL desde a sua gênesis e dar seqüência à campanha de propaganda do socialismo? Por outro lado, considerando a realidade dada, o que se apresenta mais oportuno? Somar votos ao Lula, para que se eleja com uma margem ainda mais folgada, assegurando-lhe uma maior legitimação nas urnas, ou ampliar o número de abstenções, votos nulos e em branco, evidenciando o descontentamento?
O companheiro Jacob convenceu-me. À vista das condições objetivas que não podemos alterar substancialmente, cabe-nos interferir para minimizar-lhes os efeitos. Nas circunstâncias atuais, VOTO ÚTIL É O VOTO NULO!



Escrito por Cid Benjamin às 16h43
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Segundo turno - O que fazer?

Prossigo aqui a publicação de textos sobre que fazer no segundo turno.  A partir do fim desta semana o blog voltará a sua forma original.



Escrito por Cid Benjamin às 19h32
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Tapando o nariz e votando no sapo aloprado – de Cid Benjamin

O segundo turno entre Lula e Alckmin deixou o PSOL, assim como os demais críticos do PT pela esquerda, numa situação difícil. Se o que se imputa a Lula e ao PT é o fato de eles terem se tornado muito parecidos com os tucanos – na política e nos métodos - o que fazer diante da situação criada?
Já dia seguinte à eleição, Heloísa Helena descartou o apoio a qualquer dos dois candidatos e “liberou” os eleitores do PSOL para que votassem como bem entendessem. Posteriormente, uma reunião da Executiva Nacional do PSOL confirmou a decisão e foi além, proibindo a filiados manifestações públicas de apoio no segundo turno.
Algo deve ser dito a respeito dessas posições.
Em primeiro lugar, soa como desnecessária e redundante a “liberação” do voto dos eleitores do PSOL no segundo turno. Afinal, desde quando o voto de um eleitor, mesmo que ele seja simpatizante de um partido, não está liberado?
Há, ainda, outra questão, mais importante: deve um partido político eximir-se de uma posição clara, numa situação como a que vivemos? Não é natural que seus eleitores e simpatizantes (mesmo livres para votar como bem entendam), esperem dele uma orientação?
Em terceiro lugar: a posição adotada por Heloísa e pela Executiva do PSOL não retira o partido da cena política, deixando-o numa postura passiva, sem qualquer interferência no processo eleitoral?
Sou filiado ao PSOL e, naturalmente, votei em Heloísa Helena. Nem por isso penso que devo dar as costas para o segundo turno.
Por fim, é preciso reconhecer que a posição do PSOL foi tomada sem um mínimo de debate interno. É verdade que, muitas vezes, a realidade exige uma pronta resposta de direções partidárias. Mas, no caso, era perfeitamente possível adiar a decisão por uma ou duas semanas e organizar um processo mínimo de consultas. Para que se tenha uma idéia, figuras como o candidato a vice, César Benjamin, ou o candidato ao governo de São Paulo, Plínio de Arruda Sampaio, não foram ouvidas. Isso, para não falar da infelicidade da “proibição” de que filiados do PSOL manifestassem publicamente apoio a qualquer dos candidatos.
Assim,divirjo no método e no mérito dos dirigentes do PSOL.
A meu ver, deveríamos deixar claro que com Alckmin e os tucanos não discutimos a possibilidade de apoio, devido a diferenças programáticas incontornáveis. Mas deveríamos afirmar publicamente a disposição de recomendar o voto em Lula, caso ele se comprometesse, por escrito, com alguns pontos abandonados pelo governo petista. Note-se que tais pontos não são do programa do PSOL, mas sim posições históricas do PT. Eles poderiam ser algo como:
1. Garantia de que, num prazo curto (de até três meses, por exemplo), os juros seriam baixados a níveis compatíveis com os vigentes nos demais países “emergentes”;
2. Garantia de que não será feita outra “reforma” da Previdência, retirando mais direitos dos aposentados;
3. Garantia de que não será feita a reforma trabalhista que o governo Lula vem preparando e que também retira direitos dos trabalhadores, ao permitir que o acordado entre as partes prevaleça sobre o que a legislação garante;
4. Garantia de que uma eventual maioria governista no Congresso não será usada para impedir a instalação de CPIs;
5. Garantia de que o governo Lula interromperá o processo de privatização das reservas de petróleo do país, suspendendo imediatamente os leilões já marcados pela ANP;
6. Garantia de cumprimento das metas de reforma agrária fixadas pelo próprio governo Lula em 2003 e de que as verbas necessárias para tal constarão do Orçamento da União.
7. Garantia de efetiva liberação (não contingenciamento) das verbas previstas no Orçamento para a área social, notadamente para saúde, educação e reforma agrária;
Alguém poderia perguntar: e se Lula não se comprometesse com tais pontos? Neste caso, ficaria patente para a sociedade que ele não quer se diferenciar de Alckmin. No caso, o ônus de o PSOL não apoiá-lo, “e com isso estar fortalecendo a direita”, seria muito menor.
E se ele se comprometesse e, depois, jogasse o compromisso no lixo, tal como fez com o programa do PT? Aí, estaríamos a cavaleiro para criticá-lo e a oposição a seu governo seria compreendida mais claramente pela sociedade.
O fato é que estamos diante de uma escolha entre o ruim e do péssimo. E, na política, muitas vezes é preciso fazer essa diferença.
Lembro dois exemplos históricos.
Em 1917, três meses antes da Revolução de Outubro, quando os bolcheviques faziam carga pesada contra o governo provisório de Kerenski, houve uma tentativa de golpe militar, chefiado por Kornilov, um general de extrema-direita. Lênin conclamou os trabalhadores a defenderem o governo provisório. “Pelo canalha Kerenski, contra o canalha Kornilov” foi a consigna que lançou. Com a ajuda dos bolcheviques, o golpe foi derrotado.
Nos anos 70, na Argentina, setores da esquerda comemoraram quando o governo de Isabelita Perón foi derrubado pelos militares. Consideraram que a ditadura aberta jogaria por terra as ilusões que ainda tinham os trabalhadores peronistas, criando melhores para um enfrentamento aberto e a vitória da esquerda. De fato, o quadro se tornou muito mais claro. Mas a esquerda foi dizimada.
Não estou comparando Alckmin a Kornilov, nem aos gorilas argentinos. Menos ainda as situações históricas da Rússia de 1917 ou da Argentina na década de 70 com o Brasil de hoje. Acenar com a possibilidade de uma ditadura de direita hoje no Brasil seria fazer terrorismo.
Mas há elementos para supor que um segundo governo Lula (que deve ser ainda pior do que o primeiro – não me iludo!) seja tão ruim quanto um governo Alckmin? Creio que não. Menos pelo fato de Alckmin ser do PSDB. Não há diferenças programáticas significativas entre os tucanos e o núcleo dirigente do governo Lula. Mas Alckmin não é um tucano qualquer; é da direita do PSDB. Sem dúvida um governo seu seria um retrocesso, mesmo se comparado com o que seria um segundo governo neoliberal de Lula – que, pelo menos, não se somaria a um cerco a Venezuela, Bolívia e Cuba.
De qualquer forma, é muito difícil uma reversão na posição do PSOL. Vai prevalecer mesmo a idéia de se lavar as mãos no seguido turno.
De minha parte, pretendo tapar o nariz e votar no sapo aloprado (para tomar emprestada uma expressão criada por meu irmão Leo Benjamin).



Escrito por Cid Benjamin às 19h31
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Resolução Política do PCB - I

Derrotar Alckmin, continuar em oposição a Lula

O PCB contribuiu decisivamente para a formação da Frente de Esquerda (PCB-PSOL-PSTU), que apresentou a candidatura da Senadora Heloísa Helena à Presidência da República. A campanha, apesar de não lograr uma vitória eleitoral, mostrou para a sociedade brasileira que não existem apenas as sutis diferenças entre o reformismo social-liberal do PT e o neoliberalismo clássico do PSDB. Importantes setores do proletariado e das camadas médias não acreditam na possibilidade de reformar o capitalismo, o que faz com que a esquerda socialista tenha um importante espaço político a ser ocupado.
As eleições foram marcadas pela despolitização. Os dois principais candidatos disputaram, no primeiro turno, quem propiciou mais ou menos corrupção e quem é o melhor gerente dos interesses do capital. Largas parcelas do eleitorado demonstraram uma ojeriza pela chamada “classe política” e pela bandalheira promovida pelos governos do PT e do PSDB. No entanto, este mal-estar difuso do eleitorado se expressou pela passividade, pela abstenção e pelo voto “cacareco”, em personagens como Enéias e Clodovil. 
A proibição de diversas formas de propaganda não coibiu o abuso do poder econômico. O clientelismo e a compra de votos garantiram a eleição de diversos parlamentares. O voto distrital prevaleceu na prática. O voto de opinião foi derrotado. Teremos um Congresso Nacional despolitizado, majoritariamente composto por despachantes de interesses específicos, alguns escusos.
Esta eleição evidenciou os piores vícios de uma eleição burguesa. Os comunistas, mais do que quaisquer outras forças políticas, têm consciência dos limites do processo eleitoral, apesar de não subestimarem o papel das eleições e da ação parlamentar para a luta dos trabalhadores. Mas a luta institucional deve ser conjugada com a luta de massas. Por isso, propusemos à Frente de Esquerda uma “campanha-movimento”, onde as ações de campanha estariam estreitamente vinculadas à mobilização política popular.
Entendemos que a Frente de Esquerda deve ter continuidade após o processo eleitoral, como um instrumento de luta política dos trabalhadores em torno de suas demandas específicas e gerais. Com Lula ou com Alckmin, a luta será dura, em defesa dos direitos trabalhistas, do patrimônio público, do direito de organização, das liberdades democráticas. Com um ou com outro, o PCB e a Frente de Esquerda estarão certamente na oposição ao novo governo. Na nossa visão, a Frente deve ter uma perspectiva de mais fôlego, de mais prazo, ou seja, constituir-se em um dos núcleos do Bloco Histórico do proletariado, na construção do socialismo. Mas para ter sobrevida e ampliar-se, a Frente tem que enfrentar a questão programática, balizada pela luta de classes, sob pena de limitar-se a ações unitárias pontuais e sazonais.
Apesar da vitória da constituição da Frente, a campanha não conseguiu ultrapassar os marcos da disputa eleitoral. A marca das campanhas destas eleições foi a desmobilização, e a Frente de Esquerda não fugiu à regra. A ausência de um programa político da Frente contribuiu para a desmobilização e a falta de diálogo com o movimento operário e popular. A candidata expressou a unidade da Frente e comportou-se com muita combatividade. Mas seu discurso, muitas vezes, não se diferenciou da candidatura da oposição burguesa, sobretudo nas questões internacionais.
O segundo turno acabou refletindo a pobre polarização entre PSDB e PT. O projeto de fundo das duas correntes não se diferenciou, apesar de nuances: a mesma política econômica, as mesmas políticas sociais, a mesma visão do Estado brasileiro. A disputa parece limitar-se à máquina governamental. O PT é o partido social-democrata tardio, de origem operária e apoiado nas estruturas sindicais, que assumiu, no governo, as posturas e o ideário social-liberal. O PSDB é o partido da representação do grande capital, do capital financeiro, centrado em São Paulo e com fortes ligações com o capital internacional. As reformas sindical, trabalhista e previdenciária serão levadas à frente, qualquer que seja o vitorioso, a menos que os trabalhadores, como esperamos, se unam e se mobilizem para barrá-las.
Geraldo Alckmin é o PSDB sem as tinturas democráticas da resistência à ditadura. É ligado à Opus Dei e ao que há de pior na direita paulista. É o candidato do PSDB da preferência do PFL. Seu governo em São Paulo foi o pior em educação e saúde. Sua política de segurança é de uma truculência exemplar, resultando no recrudescimento do crime organizado. Sua vitória representaria a privatização dos serviços públicos, o império do capital financeiro, uma ameaça real às liberdades democráticas. Sua política internacional, certamente, representaria um grave retrocesso, aprofundando o recuo na área internacional dos últimos anos do mandato de Lula.
(continua)



Escrito por Cid Benjamin às 19h30
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Resolução Política do PCB - II

(continuação)

O crescimento de Alckmin na reta final se deu em cima de erros do PT e da campanha de mídia em torno do escândalo do dossiê. Se o governo Lula tivesse iniciado as mudanças prometidas em 2002, sua reeleição em primeiro turno estaria assegurada e com o apoio da maioria esmagadora da esquerda. Haverá segundo turno porque ele deu continuidade às contra-reformas neoliberais e à política econômica de FHC, acentuou a despolitização das massas e a desorganização dos trabalhadores, com a degeneração da CUT e de outras entidades sociais.
Apesar de ter feito uma política que beneficiou o grande capital, Lula não conquistou totalmente a confiança da burguesia, que agora pode querer acabar com a “terceirização”, botando na Presidência um burguês original. Lula conquistou os mais pobres, representando uma identidade popular difusa, calcada na sua relação direta com as massas e em programas clientelistas. 
O PT que emerge das urnas caiu mais para a direita. A esquerda remanescente do PT perdeu diversos parlamentares, reduzindo a sua já mínima influência no partido e no governo. Lula procurou se afastar do PT, atribuindo ao partido todas as mazelas de sua gestão. Uma eventual base parlamentar de Lula será muito mais dependente do PMDB e dos partidos fisiológicos. Um segundo governo Lula tende a ser pior do que o primeiro, até porque as principais entidades de massa estarão ainda mais aparelhadas e dependentes. Daí a necessidade de a esquerda socialista construir organizações sociais classistas, sobretudo de natureza intersindical.
Mas os comunistas não se omitem nos principais momentos da vida nacional. Não nos furtaremos a dar nossa opinião. Não cairemos no oportunismo do silêncio nem “lavaremos as mãos”, para “liberar” o voto dos militantes e simpatizantes do nosso Partido. 
Mas queremos deixar claro. Não podemos tergiversar nem vacilar: Alckmin é a direita. A vitória dele é a vitória de Bush e a derrota da Bolívia, de Cuba e da Venezuela. É a desintegração do Mercosul e a sobrevida à ALCA. Pode ser a instalação de uma base militar na Tríplice Fronteira, sonho de consumo do imperialismo norte-americano, de olho nas reservas minerais da região (os hidro-carburetos da Bolívia, o aqüífero Guarani).
Estas constatações não significam concordância com a dúbia e vacilante política externa do governo Lula, que “dá uma no cravo e outra na ferradura”. Ao mesmo tempo em que corretamente ajudou Chavez em alguns momentos, diante da pressão norte-americana, manda tropas para o Haiti, a pedido do imperialismo, para garantir um governo fantoche. Enquanto tem um comportamento correto no caso da nacionalização das riquezas naturais da Bolívia, nomeia o ex-Presidente do Banco de Boston para a presidência do Banco Central.
Foi evidente o esforço da mídia burguesa, às vésperas do 1º de outubro, para levar a eleição para o segundo turno, aproveitando-se da degeneração da corrente hegemônica do PT, marcada pela arrogância, a corrupção, o aparelhamento das entidades e do Estado, a impunidade. Para o grande capital, portanto, para o imperialismo, levar a eleição para o segundo turno foi uma grande jogada para tentar ganhar com qualquer um: com Alckmin, como ele é, ou com Lula mais dócil, fazendo ainda mais concessões, refém dos caciques do  PMDB.  Com dois candidatos e um só programa, com nuances.
Mesmo assim, no entanto, há que considerar, neste momento, o que mais ajudará a classe trabalhadora a organizar-se para resistir às reformas neoliberais e avançar na luta de classes.
Identificamos que há nuances entre os dois candidatos que são importantes, com destaque para a defesa da legalidade democrático-burguesa, para alguns aspectos da política externa, para o papel do Estado e para a política de privatizações. Nestes aspectos, um eventual governo Alckmin representaria, claramente, um retrocesso à direita, ainda maior.
Assim, o Comitê Central do PCB recomenda o voto crítico em Lula, de forma unilateral, independente, sem engajamento na campanha e, muito menos, num possível segundo governo, em relação ao qual continuaremos em oposição.



Escrito por Cid Benjamin às 19h30
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Resoluções da APS (corrente interna do PSOL) - I

Acabou o primeiro turno e com ele a presença na cena eleitoral da única candidatura presidencial importante que tinha o objetivo de construção de uma alternativa de esquerda no Brasil, que esteve representada por Heloísa Helena e pela Frente de Esquerda encabeçada pelo PSOL. Foi uma campanha politicamente vitoriosa, em que Heloísa representou o Coração Valente da esquerda. No segundo turno, tanto a candidatura de Geraldo Alckmin quanto a de Lula da Silva, significam diferentes formas regressivas em relação às conquistas populares.
Não temos ilusões sobre isto. Mas a tática num segundo turno não é necessariamente igual à do primeiro. Neste caso concreto, há a possibilidade tanto para o voto nulo quanto para o voto crítico em Lula, mas nenhum voto em Alckmin. Nosso lema geral continua sendo "Na luta pelo socialismo, construir a Resistência Indígena, Negra, Feminina e Popular contra o neoliberalismo". E nossa posição será de oposição de esquerda a qualquer um dos concorrentes que vencer o segundo turno.
1. O processo eleitoral de 2006, tanto no que diz respeito à eleição presidencial quanto às estaduais e parlamentares, está sendo uma importante experiência para o povo e para a esquerda socialista brasileira. Terminado o primeiro turno, já podemos ter uma visão geral, mesmo que ainda inicial, dos seus resultados e perspectivas.
 2. Numa disputa eleitoral na qual os candidatos mais votados não escaparam dos limites dos interesses fundamentais das diversas frações e setores que compõem o Bloco de Poder (político, econômico, social, cultural e midiático) burguês em nosso país, a novidade foi a candidatura de Heloísa Helena.
3. A sua candidatura e os resultado obtidos, dentro das grandes dificuldades e condições políticas e materiais adversas, foi uma importante vitória política da esquerda socialista, dos lutadores do povo que a encaparam, do PSOL e da Frente de Esquerda – também constituída pelo PCB e o PSTU. Heloísa Helena, com sua combatividade e paixão, representou o Coração Valente da esquerda, superando grandes obstáculos para levar a campanha de modo politicamente vitorioso até o fim. Destacamos também, como justa e acertada, a indicação do companheiro César Benjamin, que contribuiu substantivamente para dar densidade política à campanha, sendo um ator que dignificou o espaço de vice na chapa da Frente.
4. Toda esta experiência da primeira campanha eleitoral do PSOL e da Frente de Esquerda por este encabeçada, ainda precisa passar por uma avaliação mais profunda, seja para melhor entender os seus resultados, seja para um balanço de todo o processo que envolveu a definição do programa, da estratégia de campanha, das alianças, da formação das chapas e da sua coordenação cotidiana. Portanto, ainda é necessário um balanço mais aprofundado do seu significado essencialmente positivo.
5. A votação obtida pela candidatura de Heloísa Helena foi, assim, a expressão daquilo que foi possível acumular na atual correlação de forças e condições de luta. Os erros e falhas que possam ser identificados na sua condução, e que precisam ser discutidos, se situam dentro das dificuldades complexas colocadas para o seu lançamento e sustentação.
6. Dos sete deputados federais do PSOL, três conseguiram se reeleger, de modo combativo e independente: Ivan Valente (da APS de São Paulo), Chico Alencar (RJ) e Luciana Genro (RS). Fará enorme falta à luta popular a não eleição dos demais, especialmente a companheira Maninha (da APS de Brasília), assim como dos companheiros Fantazzini (SP), João Alfredo (CE) e Babá (RJ). Também fará grande falta os mandatos estaduais que, apesar, do excelente exercício parlamentar, da boa votação e do grande espírito de luta, não conseguiram se eleger por insuficiência de coeficiente eleitoral para a Frente de Esquerda em seus estados. A eles - Araceli Lemos (PA), Brice Bragatto (ES), Afrânio Boppré (SC) e Randolfe Rodrigues (AP) nosso forte abraço de companheiras e companheiros de uma luta permanente pelo socialismo, com ou sem mandatos parlamentares. Por outro lado, o PSOL elegeu três novos companheiros deputados estaduais, Giannazi (SP), Raul Marcelo (SP) e Marcelo Freixo (RJ) que seguramente saberão honrar os mandatos o que o povo está dando.
7. O PSOL que sai de seu primeiro teste nas urnas nacionais, tem uma bancada menor do que a inicialmente formada por deputados dissidentes do PT, mas o partido estendeu sua representatividade e reconhecimento nacional. Além do mais, tendo lançado candidatos em todos os estados brasileiros junto à Frente de Esquerda, na grande maioria dos casos encabeçada por militantes do partido, mostrou uma possibilidade de crescimento e enraizamento, que precisa ser bem estudada para ser melhor potencializada.
8. Como regra geral, estão de parabéns nossos candidatos a governador, vice-governador e senador, pelo importante papel que cumpriram na campanha, nos seus debates e com a demarcação política que realizaram diante de outros candidatos que se limitaram a defender, também nos estados, variações dos projetos neoliberais que nacionalmente foram patrocinados pelas candidaturas de Lula da Silva e Geraldo Alckmin. Destacaram-se, com votações relativamente mais expressivas, os companheiros Toninho Andrade (DF), Edmilson Rodrigues (PA), Clécio Luiz (AP), Plínio Arruda Sampaio (SP), Renato Roseno (CE) e Ricardo Barbosa (AL). Mas todos estão de parabéns pelo investimento militante que deram em mais esta etapa da resistência popular.
9. Temos certeza, entretanto, que somente o aprofundamento de suas definições políticas e de sua inserção nos movimentos sociais, poderá fazer do PSOL um instrumento político-partidário socialista, democrático e de massas capaz de responder aos desafios estratégicos que a construção de uma alternativa socialista em nosso país exige.
10. Os resultados parlamentares negativos, atingiram também os outros partidos da Frente de Esquerda: o PCB só elegeu um deputado estadual (no Amapá) e os candidatos do PSTU, mesmo nos estados de maior presença deste partido, obteve votações muito baixas. Já a chamada esquerda do PT, teve forte redução nas bancadas da DS, AE (que tiveram suas bancadas reduzidas a menos da metade). TM, FrS e BS praticamente ficaram sem bancadas e OT teve votações baixíssimas.
Além disso, muitos dos petistas eleitos estão envolvidos com os escândalos do mensalão, quebra do sigilo bancário, compra de dossiê etc. Assim, o PT que sai das urnas é ainda mais identificado com o chamado campo majoritário, suas políticas neoliberais e os interesses dos grandes grupos econômicos e, portanto, mais conservador, pragmático e fisiológico.
(continua abaixo)


Escrito por Cid Benjamin às 19h28
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Resoluções da APS (corrente interna do PSOL) - II

11. Acabou o primeiro turno e com ele a presença na cena eleitoral da única candidatura presidencial importante que tinha o objetivo de construção de uma alternativa de esquerda no Brasil, que esteve representada por Heloísa Helena e pela Frente de Esquerda encabeçada pelo PSOL.
12. Todo este processo de disputa político-eleitoral do primeiro turno veio ainda reafirmar a decisão correta de construção da alternativa do PSOL, desenvolvida principalmente por aqueles que também corretamente formaram dissidências e saíram do PT e do PSTU. Assim como o total acerto do lançamento da candidatura de Heloísa Helena a presidente, sem a qual a disputa eleitoral de 2006 ficaria limitada a variantes do neoliberalismo.
13. No segundo turno, ambas as propostas de governo dos candidatos Geraldo Alckmin e Lula da Silva, seja pelo que expressam, seja pelo que já praticaram, seja pela composição de suas alianças, significam diferentes formas regressivas em relação aos direitos dos trabalhadores. Não temos ilusões sobre isto.
14. No segundo turno, Alckmin continuará evitando mostrar sua verdadeira face de inimigo do povo e bastião dos interesses do grande capital internacional e nacional. Suas relações de classe, seu passado político e de seus aliados, são a cara do conservadorismo e do reacionarismo típico da direita. E prometerá melhorias que a coligação PSDB-PFL nunca fez e uma ética que nunca teve. Por outro lado, sem Heloísa Helena na cena eleitoral e sem divergências fundamentais de estratégia e métodos de governar, Lula agora vai aos debates tentando reduzir tudo à comparação de estatísticas que não representam diferenças fundamentais. E continuará manipulando a simbologia de um passado de lutas que não mais é exercitado. O segundo turno será dominado, também, pela troca de acusações de corrupção num vale tudo onde, ao final, o que fica nítido é que estas duas coligações, em que pesem suas diferenças de origem e o grau de responsabilidade histórica sobre a corrupção no país, acabam muito comprometidas também nesta questão.
15. A Executiva do PSOL tirou uma posição de nenhum apoio a ambos os candidatos, liberando o voto dos seus filiados. Entendemos isto considerando que, depois do tipo de embate realizado durante o primeiro turno, dificilmente a posição expressa oficialmente pelo PSOL como partido poderia ser outra.
16. Entretanto, entendemos que, num segundo turno, a tática não é necessariamente igual à do primeiro. Assim, esta posição da executiva nacional do PSOL, abre a possibilidade, na prática, tanto para o voto nulo quanto para o voto crítico em Lula, pois consideramos impossível que a militância de esquerda venha a dar algum voto em Alckmin, e muito menos indicar voto para este candidato. Portanto, pode ser legítimo tanto o voto nulo quanto um voto crítico na candidatura de Lula. Isto se dá pelo fato de que uma importante parte dos movimentos sociais sérios e combativos do campo democrático e popular, tendo compreendido ou não - completamente e em toda profundidade - os enormes equívocos e a prática burguesa do governo petista de Lula, ainda acredita na possibilidade de reversão dos seus rumos e, portanto, os apóiam.
17. A APS não tem ilusões sobre isto. Mas, compreendendo este contexto, acredita que um segundo mandato de Lula poderia, inclusive, pela reincidência de políticas neoliberais e outras práticas nefastas, contribuir para uma maior consciência deste seu caráter atrasado e manipulador (que reforça práticas e concepções ideológicas dos grupos dominantes) entre aqueles ativistas sociais que ainda acreditam que este seja ou ainda possa vir a ser uma real alternativa de transformação social.
18. Por outro lado, não é possível impedir que qualquer militante enraizado nos movimentos sociais ou presente na ação institucional, expresse suas posições, seja a de um voto crítico em Lula, seja a de voto nulo - já que, na prática, não há nenhum sinal de que algum militante do PSOL possa vir a votar em Alckmin.
19. Tudo isto significa que o nosso principal esforço deverá ser dirigido para a busca da construção de uma plataforma de luta para resistir às políticas regressivas que certamente virão, qualquer que seja o presidente eleito neste segundo turno. Nosso lema geral de "Na luta pelo socialismo, construir a Resistência Indígena, Negra e Popular contra o neoliberalismo", continua na ordem do dia. E nossa posição será de oposição de esquerda a qualquer um dos concorrentes que vencer o segundo turno.
20. Nesta tarefa, a APS buscará estar lado a lado com toda a militância do PSOL, assim como do PCB, do PSTU e de todos aqueles agrupamentos, correntes, movimentos sociais e militantes que ainda mantém o horizonte de luta pelo socialismo e que não querem aceitar novos ataques aos direitos dos trabalhadores e do povo oprimido e discriminado de modo geral, ao meio ambiente, à soberania nacional e à auto-determinação dos povos.
Nenhum voto em Alckmin
Na luta pelo socialismo, construir a Resistência Indígena, Negra, Feminina e Popular contra o neoliberalismo
Combater todos os ataques aos direitos dos trabalhadores e do povo oprimido e discriminado de modo geral, ao meio ambiente, à soberania nacional e à auto-determinação dos povos.
Construir a oposição de esquerda, qualquer que seja o novo governo



Escrito por Cid Benjamin às 19h28
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O coração, o estômago e a cabeça no segundo turno – texto de Sérgio Moura

O que seria, do ponto de vista das opções de esquerda, se o PSOL não tivesse participado da eleição? Esta é uma questão decisiva, porque é a partir desta indagação que podemos definir nossa expectativa sobre o desenvolvimento da atual conjuntura.
Se não houvesse o PSOL, não se teria publicizado a existência de um setor que discordava dos encaminhamentos tomados pela direção majoritária do PT.
Independente do mérito da crítica, é necessário ao debate democrático o reconhecimento do direito de divergir e o direito à livre organização partidária. Nossa formação se deu como uma ação prática contra a idéia de um partido único da burocracia formada na esquerda e os artifícios legais para suprimir o livre direito à associação partidária. Se a atual cláusula de barreira, apoiada pelo PT, tivesse sido a imposta pela ditadura em 82 o PT não poderia ter um funcionamento pleno.
O PSOL foi formado a partir do acordo básico de ser mantida a oposição aos setores hegemônicos sem buscar aliados entre eles. Não se aliar a Sarney, Maluf, Quércia, Newton Cardoso, Delfin Neto, Roberto Jéferson para se opor a FHC, Alkimin, Serra, ACM, Borhausen, César Maia.
Os que formaram o PSOL se recusaram a participar do jogo da elite em que são privatizados os interesses púbicos, em que os parceiros freqüentemente mudam, de acordo com as alianças para interesses específicos. Fomos contra a reforma da previdência, a indicação de Meirelles para o Banco Central, exigimos a auditoria das privatizações, a reforma agrária, a transparência administrativa e orçamentária. Temos por vocação ir contra o jogo de interesses que se desenvolve neste parlamento construído com regras espúrias, que devemos denunciar e convocar a sociedade a debater alternativas..
Temos um congresso em que os votos são dados em candidatos. No entanto menos de 10% dos eleitos o são em função de suas próprias votações. A grande maioria dos parlamentares se elege com os votos dos não eleitos e das legendas partidárias. Mas mesmo assim os mandatos pertencem aos eleitos e não aos partidos. Os votos são dados por estados distribuídos em regiões às quais o peso dos eleitores é atribuído de forma diferente. Além do Senado, em que todos os estados independente de sua população têm três representantes, na Câmara os mais populosos (sudeste e sul) tem muito menos representação que os do norte, centro oeste e nordeste. Como as questões são locais e o financiamento privado, não se discutem questões nacionais e as campanhas são pautadas pelos interesses dos financiadores e pelos interesses dos próprios detentores dos mandatos. E nos estados mais pobres e nas periferias e favelas dos centros urbanos a miséria cria, através da corrupção, seus currais eleitorais.  Para se ter aliados entre os que são beneficiários deste estado de coisas, necessariamente se é obrigado a fazer o jogo de acobertar e manter seus esquemas e propinodutos, e logo passar a participar deles e se perder.
A máquina do estado pode ser um instrumento importante para dominar ou emancipar um povo. Infelizmente o PT no governo manteve o estado contra a sociedade.

Nossa oposição ao modelo neoliberal, aos tucanos e a privataria, se apóia a uma crítica institucional que tem de ser feita ao modelo que o reproduz. Para mudar o curso do rio temos de romper as margens que o conduzem.
Mas isso ainda são metas para um partido que ainda não existe enquanto tal, e sim ainda como uma federação de tendências. Apesar dos quase sete milhões de votos da Heloísa, as atuais regras eleitorais permitiram a eleição de apenas 3 deputados federais (RJ, SP e RGS) e três estaduais (RJ e SP).
Pior, apesar da combatividade e firmeza na explicitação de nossas divergências éticas e de projeto com o governo e a oposição de direita, não formulamos a crítica institucional .
Não criticamos as regras eleitorais que agora nos confinam na cláusula de barreira.
Esta circunstância e o necessário exercício da oposição qualquer que seja o resultado eleitoral nos levará, sob pena do nosso desaparecimento, a nos construirmos como oposição extra-parlamentar e anti-institucional..
Mas as circunstâncias agora, passada a campanha eleitoral, serão ainda mais difíceis.
Tivemos uma vitória parcial, a boa votação da Heloísa, em particular no RJ, e a eleição dos dois candidatos que apoiamos no Rio, Chico e Marcelo, dentro de um quadro geral de uma derrota eleitoral. Reelegemos apenas três de nossos sete deputados federais, perdemos a vaga no senado, elegemos apenas três deputados estaduais, além das dificuldades colocadas pela cláusula de barreira.
Além disso, ainda estamos atravessando o período aberto pela derrota histórica que representou a passagem do PT para o campo da direita, que provocou um profundo refluxo nos movimentos sociais e populares em nosso país. Este refluxo é mais grave que outros que já enfrentamos, na medida em que abriu um forte crise de identidade na esquerda.
Para muitos companheiros é muito difícil reconhecer que perdemos o PT para uma soma de interesses espúrios, que se materializam na falta de políticas distintas das neoliberais, nas alianças construídas e nos escândalos que se sucedem.
Boa parte do apoio político e da votação de que dispõe o PT deve-se a esta parcela do eleitorado em que a ficha ainda não caiu.
A parcela mais formadora de opinião neste segmento, inclusive, passou a teorizar sobre a impossibilidade de uma transformação real, cedeu à chantagem da realpolitick, a um pragmatismo cínico e cético, que perdeu a dimensão do por que estar no poder e tem como núcleo de seu pensamento político a construção de uma estratégia de permanecer no governo a qualquer custo.
A formação do PSOL, por sua vez, não foi suficiente para reverter o refluxo. Talvez tenhamos diminuído sua intensidade, mas não conseguimos ainda nos tornar o ponto de apoio para a retomada de um projeto das classes trabalhadoras que possa vir a ser hegemônico na sociedade.
Podemos vir a ser ou não. Isso vai depender de nossa ação inclusive neste momento.
Embora eu particularmente vá votar nulo no segundo turno, não considero que isso deva ser qualquer divisor de águas com quem tiver optado por um apoio crítico à reeleição de Lula.
O importante para mim é não perder a dimensão de nos mantermos unidos na construção de um campo de oposição democrático-popular ao neoliberalismo, onde os socialistas disputarão a hegemonia.
Acho, inclusive que a linha de resistência de um governo Lula em relação às demandas populares seria menor que em um governo Alkimin. Mas não voto pelo mal menor.
Nesta eleição no segundo turno vamos ter três tipos de voto na esquerda que fez a campanha da Heloísa: Os que vão votar com o coração, aí é o anti-Alkimin, o voto com o estômago, que é o que vai votar no Lula para garantir aquele petista legal que está liberando recursos para algum projeto bacana e aí rola um interesse progressista e um voto mais ideológico que, sem confundi-los, se diferencia de ambos.



Escrito por Cid Benjamin às 19h26
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