Blog do Cid Benjamin


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Escrito por Cid Benjamin às 12h13
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Frase da década

"Se eu ganhasse a Presidência para fazer o mesmo que o Fernando Henrique Cardoso está fazendo, preferiria que Deus me tirasse a vida antes para não passar vergonha. ".
Luiz Inácio Lula da Silva, novembro de 2000, em entrevista à revista Caros Amigos.



Escrito por Cid Benjamin às 12h07
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Frase do dia

“A situação de segurança pública em São Paulo está sob controle”.
Governador Cláudio Lembo



Escrito por Cid Benjamin às 12h07
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Charge do dia

Charge de Glauco, publicada na Folha de São Paulo



Escrito por Cid Benjamin às 12h06
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A teoria do mal menor – artigo meu publicado no Bafafá On Line

“Eu ainda vou votar no PT”.
Entre Lula e Alckmin, vou votar em Lula”.
Quem não ouviu estas frases da boca de petistas acometidos do que o deputado Chico Alencar chama de PID (produto interno de desencanto)?
Uma verdade é indiscutível: o governo Lula não tem defensores entusiasmados. Até aqueles decididos a votar em Lula nas eleições de novembro admitem que seu governo está muito aquém do prometido e do esperado. E, pior: muito aquém também do possível.
Um governo que nasceu com a promessa de melhorar substancialmente a distribuição de renda no país, arrocha a classe média e os trabalhadores qualificados, enquanto oferece migalhas para os descamisados (que permanecem dependentes da ajuda assistencialista) e estende o tapete vermelho para que os bancos tenham os maiores lucros da história. Não por acaso o Brasil tem a maior taxa de juros do mundo e, também não por acaso, nos três anos de Lula os bancos lucraram mais do que nos oito anos de Fernando Henrique Cardoso!
Por essa razão, o sistema financeiro, o maior beneficiado no governo Lula, transformou-se também no sustentáculo maior das finanças do PT. Matéria da Folha de São Paulo, publicada em 27 de fevereiro deste ano, assinada por Rubens Valente e Marta Salomon, mostra um quadro impressionante – e vergonhoso para um partido supostamente de esquerda. Entre 2002 e 2004, as doações dos bancos ao PT fora do período eleitoral cresceram 1.000%. Só as doações para os caixas do PT nacional e estadual de São Paulo passaram de R$ 520 mil para R$ 5,7 milhões no período.
Como explicar que o sistema financeiro tenha tanto interesse em financiar um partido supostamente de esquerda? A resposta é: este partido, na prática, deixou de ser de esquerda e sua política está favorecendo aos bancos. Seu governo é conservador na política e neoliberal na economia.
Voltando à reportagem citada da Folha de S.Paulo.
No diretório estadual do PT em São Paulo, as doações dos bancos se transformaram, em 2004, na maior de todas as receitas do partido, superando o repasse do Fundo Partidário, a principal fonte de dinheiro de todos os partidos. Os bancos doaram ao PT paulista, naquele ano, R$ 4,3 milhões -- contra apenas R$ 1,4 milhão de repasses do fundo. As contribuições de parlamentares e filiados [que, no passado, eram as principais fontes de receita do partido – grifo meu] somaram somente R$ 550 mil.” (FSP – 27/2/2006)
Até aqui estamos falando de contribuições fora do período eleitoral, apenas para o funcionamento da máquina partidária. Mas nas eleições a festa continuou.
 “As doações eleitorais vindas do sistema financeiro também se multiplicaram. Nas campanhas municipais de 2004, o PT recebeu a maior fatia das doações: R$ 7,9 milhões. O PSDB, até então o queridinho dos bancos, ficou para trás. Recebeu em todo o país R$ 4,1 milhões. Essa cifra é inferior aos R$ 4,3 milhões recebidos dos bancos apenas pelo PT de São Paulo”. (FSP – 27/2/2006)
Não é preciso dizer mais nada.
Enquanto isso acontece, a reforma agrária patina por falta de recursos; o governo cede à Monsanto na questão dos transgênicos; a Lei de Falências (aprovada com o apoio do governo Lula) determina que dívidas de empresas falidas com o sistema financeiro passem a ser pagas antes de dívidas trabalhistas ou com o poder público; os superávits primários são superiores até mesmo aos acordados com a banca internacional, para dar “bom exemplo” e garantir que não faltarão recursos para remunerar os aplicadores nos títulos brasileiros, e assim por diante.
Mesmo o tão propalado programa Bolsa-Família, carro-chefe dos marqueteiros oficiais e principal moeda de troca eleitoral de Lula junto aos descamisados, é uma migalha, se comparada com o que se gasta com juros da dívida. Este ano o governo anunciou, com toda pompa e circunstância, que vai aumentar os gastos com o Bolsa-Família, passando-os para R$ 8,3 bilhões. Pois bem, no ano passado despendeu quase R$ 170 bilhões apenas com o pagamento de juros para os que especularam com os títulos brasileiros. Simplesmente, vinte vezes mais.
O governo corta recursos ou não libera investimentos previstos no Orçamento da União para todas as áreas – saúde, educação, transportes, reforma agrária, criação de empregos – mas o dinheirinho (seria mais apropriado dizer dinheirão!) dos banqueiros é sagrado.
Ainda assim, muita gente crítica ao governo Lula - e mesmo gente que ficou envergonhada com os episódios de corrupção protagonizados pela cúpula do PT e do governo - acena com a repetição de seu voto no petista.
E o faz brandindo a teoria do mal menor. Afinal, Geraldo Alckmin parece ser mesmo ainda pior do que Lula.
Mas, sendo o governo Lula tão diferente do que prometia ser e tão parecido com o dos tucanos, não é o caso de se buscar uma alternativa aos dois – recusando o cenário restrito entre seis e meia dúzia que querem nos impor as elites?
Seria o caso de se perguntar: se vivêssemos na Grã-Bretanha, seria acertado as forças democráticas, progressistas e de esquerda apoiarem o trabalhista Tony Blair – que de tão submisso à política imperialista dos Estados Unidos fez por merecer o apelido de poodle de Bush? Afinal de contas, certamente os conservadores são, ainda, piores do que ele.
Não. Certamente nenhum petista – mesmo o mais lulista – defenderia o apoio a Blair.
Aliás, não custa lembrar, tivessem os construtores do PT esse tipo de raciocínio nos anos 80, jamais o partido teria sido construído.
Não será o caso, então, de se recusar essa verdadeira escolha de Sofia – muito ao gosto das elites e dos bancos em particular – e se construir uma alternativa a Lula e a Alckmin, no caminho daquilo que o PT prometeu ser e não foi?
Afinal, uma eleição em dois turnos pressupõe que se vote no melhor no primeiro turno. Que fique para o momento posterior a escolha do mal menor.
Isso, se dois males chegarem ao segundo turno.



Escrito por Cid Benjamin às 12h05
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O jornalismo marrom de Veja

Só mesmo a Veja para me fazer defender Lula.
A edição desta semana da revista afirma que tanto Lula, como vários dirigentes petistas, tem contas bancárias não declaradas no exterior. Diz, ainda, que Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity, possui uma lista com os nomes desses dirigentes, o número das contas e o montante depositado em cada uma delas. Na mesma matéria, a revista admite que não tem qualquer prova do que publicou, afirmando que submeteu os documentos que recebeu a uma perícia que encontrou neles “inúmeras inconsistências”. Ou seja, não há matéria jornalística. Ainda assim, a revista publicou a reportagem.
Ora, ou Veja prova a acusação que veicula em suas páginas, ou consegue alguém que a sustente, assumindo a responsabilidade pelo que diz. Dizer apenas que fulano tem uma lista com os nomes, sem que este fulano confirme o fato, é irresponsabilidade e jornalismo marrom. Que, aliás, têm sido uma especialidade da revista.



Escrito por Cid Benjamin às 12h05
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A violência em São Paulo

A facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) realizou entre nos últimos dias mais de cem atentados no Estado de São Paulo contra policiais e promoveu rebeliões em pelo menos 22 presídios. Já há mais de 70 mortos. O motivo alegado é a transferência para prisões de regime disciplinar mais rígido de chefes do grupo que estão presos. É um desafio ao Estado que não pode ficar barato.
Mas, antes de tudo, demonstrou a fragilidade do trabalho de inteligência da polícia paulista, pois uma ofensiva como essa mobilizou centenas de bandidos e a informação não transpirou.



Escrito por Cid Benjamin às 11h56
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A cobertura da violência em São Paulo

Do jeito que a imprensa paulista adora magnificar os episódios de violência que ocorrem no Rio, o que não estaria dizendo ela se esses ataques do PCC fossem por aqui?



Escrito por Cid Benjamin às 11h56
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Os dois terão razão

Da Folha de hoje

O governo federal reduziu drasticamente os valores gastos em segurança pública no ano passado, segundo dados oficiais da execução do Orçamento da União. No que diz respeito aos repasses aos Estados, por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública, a queda foi de 28% na comparação entre os números de 2005 e os de 2004.
Esse fundo foi criado por lei em fevereiro de 2001 com o objetivo de "apoiar projetos de responsabilidade dos governos dos Estados e do Distrito Federal".

O que nos espera? O PT culpando a política de segurança do governo tucano pela série de atentados em são Paulo; o PSDB lembrando que Lula não fez os repasses prometidos na área de segurança.
Os dois terão alguma razão.



Escrito por Cid Benjamin às 11h56
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Chumbo grosso

Foi aprovada em comissão especial a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 157/2003, que convoca uma Assembléia de Revisão Constitucional com início em fevereiro de 2007 e duração de um ano. Agora, matéria será levada ao plenário. Preparem-se: vem aí chumbo grosso. Mais modificações na previdência, retirada de direitos trabalhistas, numa aliança sustentada por PT, PSDB, PFL et caterva.



Escrito por Cid Benjamin às 11h55
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Manchetes desta segunda-feira

- O Globo: “Mortos já são 72 e presos se rebelam em mais dois estados”
- Jornal do Brasil: Pavor domina São Paulo
- Folha: “PCC faz mais de 150 atentados e provoca 80 motins; 74 morrem”
- Estado: “PCC ataca alvos civis e queima 34 ônibus na Capital. Guerra faz 77 mortos”
- Correio:“PCC espalha o terror em São Paulo”
 



Escrito por Cid Benjamin às 11h55
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Piadinha do dia

Esta me chegou pela Internet e é boazinha.

Um homem chega a um bar e vê um vaso cheio de dinheiro no canto. Pergunta:
- Por que este vaso está cheio de dinheiro?
 - Bem, você paga R$10 e se passar por três testes, então terá todo o dinheiro do vaso – responde o barmen.
- Quais são os testes?
- Primeiro pague. Esta é a regra.
O homem pagou ao barman com uma nota de R$ 10, que foi colocada no vaso, com as demais.
- Ok. Aqui está o que você deve fazer: primeiro, você tem de beber toda esta garrafa de tequila apimentada, tudo de uma vez só e sem fazer nenhuma careta; segundo, há um pitbull lá fora, com um dente ruim, que dói muito; você tem de arrancar o tal dente com as suas próprias mãos; terceiro, há uma senhora de 90 anos, no segundo andar, que nunca teve um orgasmo na vida; você terá que transar com ela e fazer com que ela finalmente o tenha.
- Não posso fazer tudo isso...é impossível !!!
Depois de algum tempo e de muitas biritas, o homem perguntou:
- Caadêê aaz tequillaah?
O garçom deu a ele a garrafa. O homem a segurou com as duas mãos e a entornou inteira, sem fazer nenhuma careta, apesar das lágrimas que banhavam seu rosto. Depois, levantou-se com dificuldade, olhou para todos, com cara de valente, e saiu do bar em direção ao pitbull. Todos escutaram os latidos do cão, os gritos do homem, uma confusão infernal, até que o pitbull uivou longamente, por 3 minutos e, de repente, um silêncio imenso pairou no ar. Todos pensaram que o homem havia morrido. Repentinamente, ele entra no bar todo arranhado, e pergunta:
- E agora, cadê a véia do dente ruim?



Escrito por Cid Benjamin às 11h55
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Escrito por Cid Benjamin às 10h46
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Charge do dia

Do www.comentando.blogspot.com



Escrito por Cid Benjamin às 10h45
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Frases do dia

“Foi muito feio tanta malandragem”
Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança da Igreja Católica

“Brizola jamais imaginaria que as tais "perdas internacionais" viriam da ......Bolívia”
Tutty Vasques

“A atitude do senador Suplicy de protocolar uma carta no Palácio pedindo que o presidente dê explicações é totalmente inaceitável para qualquer tipo de parlamentar que tenha uma relação com o governo"
Tarso Genro, ministro das Relações Institucionais.

"Quero transmitir ao amigo ministro Tarso Genro, que é um dos maiores defensores do aprimoramento do sistema democrático, que a explicação do presidente aos congressistas é consistente com quem quer aperfeiçoar os mecanismos democráticos"
Senador Eduardo Suplicy



Escrito por Cid Benjamin às 10h43
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PT quer reeleger mensaleiros

Da Folha de hoje.

Os petistas querem eleger novamente os parlamentares e líderes partidários envolvidos na crise do mensalão. Em sondagens feitas por vários diretórios municipais de São Paulo na prévia para decidir o candidato a governador, os filiados do PT indicaram, entre os preferidos a uma vaga na Câmara, João Paulo Cunha, Professor Luizinho, José Mentor (que escaparam da cassação) e o ex-presidente do partido José Genoino.
Nem todos os diretórios fizeram a sondagem, que não tem caráter decisório. Os nomes indicados serão enviados ao diretório estadual, que decidirá a chapa e a apresentará na convenção de junho. O diretório não divulgará oficialmente as sondagens.

E ainda se falou em refundação do PT.



Escrito por Cid Benjamin às 10h43
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Sobre os comentários no blog

1. O choque de opiniões e as críticas são bem-vindos. Eles só enriquecem o debate e valorizam o blog. Mas, por motivos óbvios, não vou postar comentários de teor provocativo ou que contenham baixarias. Assim, peço moderação nos adjetivos.

2. Algumas pessoas têm me perguntado por que não há um número maior de comentários. Tenho algumas pistas. A primeira é óbvia: este blog é muito menos visitado do que os que ficam pendurados em veículos da grande imprensa. Ele tem cerca de 40 visitas diárias, sem contar os atuais 380 “assinantes” que recebem diariamente as notas e os artigos por e-mail.
A segunda pista para o pequeno número de comentários advém desse sistema de “assinaturas”. Ele garante um número maior de leitores, mas dificulta a interatividade. A maior parte dos leitores recebe o conteúdo do blog por e-mail e é mais trabalhoso postar um comentário, pois a pessoa tem que sair do programa de correios na Internet e acessar o blog para fazê-lo.
A terceira é a seguinte: parte significativa dos leitores me conhece e, por isso, quando quer comentar algo, na maioria das vezes me manda diretamente um e-mail.

Mas não se acanhem. Quanto maior o número de comentários, mais interessante ficará o blog.



Escrito por Cid Benjamin às 10h42
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Silvinho idiota? Quanto?

Quem conhece o PT e Sílvio Pereira sabe que este último, apesar de secretário-geral, de fato mandava muito menos que os capôs José Dirceu, Genoino, Mercadante e, sobretudo, Lula. Não tinha luz própria e era um quadro do aparelho partidário útil a Dirceu principalmente por sua fidelidade canina. Mas, depois da desastrada (para o PT) entrevista ao Globo, Silvinho tenta minimizar o efeito de suas declarações apresentando-se como um perfeito idiota. Não é tanto assim.
Tudo indica que, mesmo que hoje se arrependa da entrevista, objetivo de Silvinho com ela fosse conseguir atenção e carinho (inclusive material) do PT.
Deve ter conseguido o que queria.



Escrito por Cid Benjamin às 10h41
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Listas de corruptos

Têm razão os deputados citados como suspeitos de participação nas fraudes na compra de ambulância quando reclamam do vazamento de seus nomes para a imprensa. Por ora, são apenas suspeitos, não estão sequer indiciados e foram jogados à execração pública.
Mas que os nomes citados nessas historinhas escabrosas são sempre os mesmos, são.



Escrito por Cid Benjamin às 10h40
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Torta em Berzoini pode dar dois anos de prisão

Lembram-se daquela tortada que o então ministro do Trabalho e hoje presidente do PT, Ricardo Berzoini, recebeu em pleno rosto em 2004? Pois a autora do protesto arrisca-se a ser condenada a dois anos de prisão. Está na Folha de hoje, em matéria reproduzida abaixo.

Pouco mais de dois anos após ter jogado uma torta na cara do então ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, Verônica Maria Rodrigues, 34, enfrenta um processo penal por desacato a autoridade e pode até ser presa por causa disso.
Ontem ela se recusou a aceitar um acordo na Justiça Federal, em Fortaleza, pela qual poderia pagar multa ou cumprir pena alternativa: "Aceitar isso seria reconhecer uma culpa que não tenho. Participei de um protesto, e isso não é crime. Agora, sofro de uma perseguição política", disse ela.



Escrito por Cid Benjamin às 10h40
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Morales endurece o jogo

Foram surpresa para mim as palavras duras do presidente Evo Morales em Viena contra a Petrobrás. Segundo a Folha, Morales classificou a estatal brasileira, assim como outras multinacionais do petróleo que atuam na Bolívia, de “contrabandistas”. Custo a crer que a Petrobrás tenha se envolvido em ilegalidades, porque não é esta a tradição da empresa. Quanto ao fato de seus contratos com o governo boliviano serem ilegais por não terem sido submetidos ao Congresso boliviano, este é um problema da Bolívia. Não pode ser imputado à estatal brasileira.
De qualquer forma, recomenda a prudência que se aguarde um pouco mais antes de se emitir uma opinião.
Mas, cá entre nós, a história de que o Acre foi “trocado por um cavalo” parece piada de Morales.



Escrito por Cid Benjamin às 10h39
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Nacionalismo de araque – artigo de Paulo Nogueira Batista Jr.

Este texto foi publicado na Folha de ontem.

A crise com a Bolívia desencadeou, em certos meios políticos e jornalísticos brasileiros, uma súbita e veemente onda nacionalista. O clima é de indignação ruidosa e preocupação alarmada com os interesses nacionais. Há muito tempo não se vê tanta ênfase patriótica na imprensa e no Congresso. Até notórios integrantes da famigerada quinta-coluna enrolaram-se na bandeira nacional e exigiram providências duras contra o país vizinho. São os mesmíssimos políticos, jornalistas e economistas que se notabilizam por grande docilidade quando há conflitos de interesses, não com a pobre Bolívia, mas com os Estados Unidos ou outros países desenvolvidos. Um espetáculo edificante.
O Brasil não deve reagir com violência às decisões do governo boliviano. Primeiro porque a Bolívia tem os seus argumentos e razões, que não podem ser desprezados. Segundo porque a exacerbação do conflito não interessa ao Brasil. Apesar das divergências com a Petrobrás e outras empresas brasileiras, a Bolívia é nossa aliada natural. Retaliações e medidas drásticas afetariam não só as nossas relações com esse país mas todo o projeto de integração da América do Sul.
A aliança sul-americana enfrenta obstáculos consideráveis, como se sabe. As relações entre Brasil e Argentina têm altos e baixos. Os sócios menores do Mercosul, Paraguai e Uruguai, estão volta e meia tentando atuar em faixa própria. A Venezuela é uma parceira hiperativa e turbulenta.
É bem verdade que o Brasil, país de dimensões continentais, grande população e economia razoavelmente diversificada, não necessita, a rigor, do resto da América do Sul para construir o seu projeto de desenvolvimento econômico e social. Se os nossos vizinhos resolverem tomar o caminho do caos ou da subordinação pura e simples aos Estados Unidos (uma hipótese não exclui a outra), o Brasil não precisará acompanhá-los. De qualquer maneira, não há dúvida de que a integração continental reforçará muito consideravelmente o potencial de desenvolvimento e a posição internacional do Brasil. O verdadeiro nacionalismo brasileiro tenderá, portanto, a ser tolerante e flexível com os nossos vizinhos menores e menos desenvolvidos, como a Bolívia.
O Brasil tem cometido erros. Foi basicamente omisso quando o governo argentino enfrentou o grande desafio da reestruturação de sua dívida externa. Em alguns momentos, integrantes da equipe econômica do então ministro Palocci chegaram a trabalhar contra a Argentina nos bastidores, provocando protestos do presidente Kirchner. O Brasil também não fez o suficiente pelos sócios menores do Mercosul, como admitiu o ministro Celso Amorim. Washington, evidentemente, aproveita-se de brechas desse tipo. Sempre que pode, trabalha ativamente para alargá-las. Os Estados Unidos nunca verão com bons olhos a formação de um bloco na América do Sul.
Mas as condições gerais continuam basicamente favoráveis à integração sul-americana. O chamado `Consenso de Washington` não deu os frutos esperados. As políticas econômicas apoiadas pelo governo dos EUA e pelas entidades multilaterais de financiamento fracassaram em muitos países da nossa região, às vezes de forma espetacular. As forças políticas sul-americanas mais alinhadas com os EUA foram caindo uma a uma, seja por derrotas eleitorais, seja por rebeliões populares. Graças às truculências do `companheiro Bush`, o prestígio dos Estados Unidos entrou em declínio no mundo inteiro e na América do Sul em particular.
O essencial, portanto, é não perder de vista os interesses estratégicos do Brasil. O mundo será multipolar, queiram ou não os ideólogos que predominam ou predominaram na administração Bush. Ao Brasil cabe trabalhar com calma e cabeça fria para que, ao longo dos próximos anos, a América do Sul se constitua em um pólo coeso, dinâmico e independente.



Escrito por Cid Benjamin às 10h39
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Chico Buarque medíocre?

A resposta que postei neste blog, em resposta ao comentário do leitor Januário Diniz sobre a recente entrevista de Chico Buarque, pode ter dado margem a um mal-entendido. Meu amigo Luís Marcolino interpretou que eu teria classificado as opiniões de Chico de “medíocres”. Longe de mim tal intenção. Mas, se houve tal interpretação, é porque o meu texto deve ter dado margem a isso. Transcrevo abaixo minha troca de e-mails com Marcolino, para deixar claras as coisas.

E-mail de Marcolino

Cid,
Gostei, em geral de sua resposta ao Januário Diniz (Blog de 10/05). Simpática, matreira, sincera, politicamente hábil. O “em geral” fica por conta do termo medíocre, aplicado por conta da opinião dele em relação ao PSOL. Considerei FORTE, especialmente em se considerando que você e ele são amigos.
Tenho pela pessoa do Chico Buarque uma impressão pouco simpática, justo por conta do futebol, que não jogo, mas que o vi muitas vezes jogar. E o acho O CHATO. Todavia, não posso desconhecer a sua genialidade. Diante da arte e da vida. E mesmo em política, mesmo que se equivoque aqui e ali, não pode ser comparado a um medíocre.
Acho que a entrevista do Chico foi muito boa do início ao fim. Só achei que “exagerou nas tintas” no episódio do PSOL. Mas acho que isso é mais pelo desconhecimento (pelo NÃO ACOMPANHAMENTO, talvez) de tudo o que antecedeu ao rompimento dos petistas com o PT.
Por outro lado, meu caro Cid, havemos de convir que a Heloisa, por quem tenho enorme admiração, tem se posicionado com grande dose de mágoa. E mágoa não é boa companheira. Nem conselheira. Também o Babá e a Luciana se mostram raivosos, o que não é bom para o crescimento do PSOL, que, tendo o DNA do PT, parece, para as pessoas em geral, ter os mesmos defeitos apontados no início da caminhada de nosso ex-partido.
Aceite meu abraço fraterno.
Luiz Marcolino

Resposta minha:

Meu caro Marcolino, ao ler teu e-mail fui reler o que tinha escrito, porque não tinha idéia de ter me referido ao Chico como medíocre.
E, de fato, não me referi.
Quando uso a expressão, falo em geral, de gente genial num terreno e medíocre em outros (tinha na cabeça o Pelé, mas não quis citá-lo porque ele já apanha muito justamente porque as pessoas têm uma expectativa de que ele seja genial em tudo).
Assim, não estava me referindo ao Chico.
Mesmo em relação à sua (dele) opinião em relação ao PSol, evidentemente discordo dela, mas não a classifico exatamente de “medíocre” (aliás, concordo com a tua interpretação a respeito).
Enfim, meu caro, estamos de acordo.

Espero que, agora, tudo esteja esclarecido.



Escrito por Cid Benjamin às 10h38
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Solidariedade a Franklin Martins

Transcrevo, abaixo, texto de Alberto Dines publicado no Observatório da Imprensa sobre a demissão do jornalista Franklin Martins, pela TV Globo.
Devo dizer que sou quase irmão de Franklin. Somos amigos há mais de 40 anos. Ao longo desse tempo, estivemos lado a lado na alegria e na tristeza e em condições as mais diversas – nas andanças de adolescência, na política estudantil em 1968, na luta clandestina contra a ditadura, no exílio, na volta ao Brasil, no trabalho da editoria de Política do jornal O Globo. Hoje temos os dois alguns cabelos brancos, 57 anos nas costas e certas diferenças políticas. Mas, apesar dessas diferenças, muito mais coisas que nos unem do que nos separam. E sou o primeiro a pôr a mão no fogo pela integridade política, pessoal e profissional de Franklin.

 

O achincalhe no lugar do debate sobre a mídia – texto de Alberto Dines

 É surpreendente a decisão da Rede Globo de não renovar o contrato com o jornalista Franklin Martins no exato momento em que este profissional está sendo alvo de uma abjeta campanha de difamação por parte do McCarthy tupiniquim, Diogo Mainardi. A mais poderosa empresa de comunicação brasileira abdica publicamente dos critérios de seleção de seus quadros, delega-os a uma empresa concorrente, a Editora Abril, e consagra de forma ostensiva o jornalismo de chantagem batizado em 1960 de "imprensa marrom".
A nota emitida na sexta-feira (5/5) pela Central Globo de Comunicação informa que "a emissora não fará outros comentários mas acrescenta que a não-renovação não tem qualquer relação com colunas de Diogo Mainardi". Significa justamente o contrário: a Rede Globo manda dizer ao distinto público que é, sim, sensível ao sistema de achincalhes institucionalizado pelo semanário de maior tiragem do Brasil.
De forma lacônica e brutal escancara-se a dura realidade do jornalismo brasileiro: o que vale é o escândalo, a irresponsabilidade.
A verdade é o que menos interessa. Infeliz coincidência. Durante duas décadas Veja foi uma ostensiva extensão dos domínios do ministro, depois governador e depois senador Antonio Carlos Magalhães. A coisa não envolvia apenas matérias de favor, mas outros favores. Mas como o resto da mídia também era dependente da generosidade do vice-rei baiano, calaram-se todos. Até hoje Veja mantém uma implacável e sórdida Lista Negra que contraria todos os princípios de decência jornalística. Todos os jornalistas brasileiros sabem disso, mas quem manda nos jornalistas não está interessado em desvendar esta excrescência porque cada veículo tem a sua Listinha Negra particular operada no "andar de cima" ou, quando não, no recôndito das almas de alguns gatekeepers. As exceções são raríssimas.
O caso do afastamento de Franklin Martins da Rede Globo não pode ser encerrado com aquela nota oficial. Transcende à emissora e às suas razões. O método de linchamento mainardiano não pode ser oficializado e convertido em substituto da observação e do debate sobre a mídia. No exato momento em que se reúne em São Paulo a fina flor do jornalismo internacional [26ª Conferência Anual da Organization of News Ombudsmen, seguida do Fórum Folha de Jornalismo] para discutir a implementação dos procedimentos éticos, uma parte expressiva da imprensa brasileira exibe um espetáculo deprimente.



Escrito por Cid Benjamin às 10h37
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Escrito por Cid Benjamin às 09h22
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Charge do dia

Charge de Aroeira, publicada hoje no jornal O Dia



Escrito por Cid Benjamin às 09h14
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Frases do dia

“Não sei se o que falei é verdadeiro ou não é”.

"Lula é o grande líder desse país. Nunca o vi cometendo nada de errado".

(Sílvio Pereira)



Escrito por Cid Benjamin às 09h13
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Correção

Não sei onde estava com a cabeça ontem quando me referi aqui ao cargo de diretor-geral do Sindicato dos Jornalistas do Rio, que não existe. Sou secretário-geral do sindicato, e não seu diretor-geral.



Escrito por Cid Benjamin às 09h13
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Patéticos

O depoimento de Silvio Pereira ontem foi o retrato do que é hoje o PT. Como um dirigente político afirma que não se lembra do que disse numa entrevista publicada na semana anterior por um jornal de circulação nacional? Como chega para depor na CPI afirmando não ter lido a entrevista que motivou sua convocação? Como se nega a assinar um termo comprometendo-se a dizer a verdade?
O país assistiu ontem a mais um festival de cinismo e de desrespeito à opinião pública.
Silvinho foi patético. O PT se tornou um partido, também, patético.



Escrito por Cid Benjamin às 09h13
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Jânio de Freitas versus Gushiken

Esta excelente nota foi publicada hoje na coluna de Jânio de Freitas, na Folha.

 O "Painel do Leitor" publicou longa carta de Luiz Gushiken, ontem, "a respeito de comentários" nesta coluna. Mas não houve, aqui, comentário, juízo ou informação minha referente a Luiz Gushiken. Houve só a transcrição, da qual Luiz Gushiken passa ao largo, de uma frase que a entrevista de seu (ex?) companheiro Silvio Pereira lhe dedicou, ela, sim, comentada como um dos venenos do entrevistado.
Se Luiz Gushiken valeu-se da coluna para mais uma de suas diatribes pouco ou nada conseqüentes, tanto que está entre os 40 denunciados pelo procurador-geral da República, dou-lhe outra oportunidade. Repito o que escrevi: "Há um ano batalhando para escapar das acusações de manipulador dos fundos de pensão e seus muitos bilhões, Luiz Gushiken foi lembrado por Silvio Pereira para umas palavras rápidas e explosivas: "Os maiores [fundos] ficaram com Gushiken". Mesmo nos bons tempos, as facções de Dirceu e Gushiken não guardavam aparências de convívio nem pela frente, quanto mais, agora, pelos fundos".



Escrito por Cid Benjamin às 09h12
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Lula veta proibição de cenas externas na propaganda eleitoral

O veto de Lula ao indefensável dispositivo que proibia a exibição de cenas externas nos programas partidários exibidos no horário eleitoral gratuito mostra uma coisa: ele acha que as cenas das CPIs que investigaram a corrupção no PT e no seu governo já cansaram o povo e considera que imagens de inaugurações de obras terão mais peso para o eleitorado decidir seu voto.



Escrito por Cid Benjamin às 09h11
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Confidências de Casoy

Boris Casoy está longe de ser o jornalista que mais admiro. Mas anteontem eu o ouvi dizer algo interessante, num seminário sobre telejornalismo no Sesc-Flamengo, no Rio. Segundo Casoy, havia fortes pressões do governo Lula para que três assuntos não fossem abordados no telejornal da TV Record, que ele dirigia: a morte do prefeito Celso Daniel, os “negócios” de Roberto Teixeira, compadre do presidente, e a CPI do Banestado, que investigou lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Por que será?



Escrito por Cid Benjamin às 09h11
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Carmen Lúcia no Supremo

Já assisti a palestras da jurista mineira Carmen Lúcia Antunes Rocha, agora indicada por Lula para o Supremo Tribunal Federal. Depois de sabatinada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Carmen deverá ser a segunda mulher no Supremo.
Posso assegurar que ela é brilhante.



Escrito por Cid Benjamin às 09h09
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Monsanto dá fazenda de presente a deputado que defende transgênicos

Paulo Pettersen me mandou uma interessante matéria comprovando que a Monsanto presenteou o deputado Abelardo Lupion (PFL-PR) com, nada mais, nada menos, que uma fazenda. Lupion é o presidente da Comissão de Agricultura, líder da chamada bancada ruralista e um dos maiores defensores dos transgênicos na Câmara dos Deputados. A fazenda tem o nome de Santa Rita, tem uma área de 351 hectares e  fica em Santo Antônio da Platina, município do oeste do Paraná.

A reportagem é muito extensa para ser transcrita neste blog, mas os interessados podem encontrá-lo na edição do dia 8 de maio do Correio Braziliense. Adianto, porém, que o jornal só disponibiliza suas matérias na Internet para os assinantes (o que me impede de postar aqui um link de acesso à reportagem).



Escrito por Cid Benjamin às 09h08
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Professoradas do Luizinho

Esta historinha me chegou pela Internet. A pessoa que mandou é de minha total confiança, mas não tive como checar a exatidão dos detalhes do caso. De qualquer forma, como o incidente foi motivo de uma nota publicada no Painel da Folha há alguns dias, eu reproduzo a história aqui, fazendo esta ressalva.

FATO QUE EU PRESENCIEI NO DIA DE HOJE, 30/4/2006 no Famiglia Mancini .

Estava almoçando com meu pai, por volta das 14h no restaurante Famiglia Mancinni, aqui em São Paulo, quando constatei a presença, em uma mesa próxima, do parlamentar do PT, Professor Luizinho - aquele que "só pegou vinte mil (?) do valerioduto" e por isso foi absolvido.
Estava o dito sujeito acompanhado de mais dois homens e três mulheres, bem mais jovens que eles, todos almoçando regados a vinho de muitíssima boa qualidade, em meio a piadinhas e comentários impróprios entre os homens e as mulheres da mesa.
Próximo à mesa deles estava um senhor com sua família, de umas 6 ou 7 pessoas. Este senhor estava comemorando o seu aniversário junto ao que - acredito eu - eram seus filhos e respectivas companheiras. Foi pedido ao pianista que anima o local que tocasse "Parabéns a Você" e, tão logo o pedido foi atendido, o parlamentar começou a reclamar visto que encontrava-se ao celular e aparentemente não conseguia ouvir o que seu interlocutor falava. Muito embora a comemoração tenha ido até o fim, percebi que as pessoas na mesa do aniversariante ficaram um pouco incomodadas com os reclamos, de forma que, após pagarem a conta e se retirarem, um dos rapazes falou bem alto "esse é o tipo de gente que governa o nosso país". Só isso. Virou-se e saiu com os demais.
Meu pai e eu já havíamos pagado a conta também, e acabamos por sair junto.
O que presenciamos na porta do restaurante só pode ser adjetivado de "grotesco". O tal Professor Luizinho, junto com seus outros dois acompanhantes - numa lição de democracia petista - saíram atrás do sujeito que havia ousado lhes repudiar a atitude deselegante, e passaram a proferir ofensas de baixo calão na porta do restaurante, na presença de mulheres e crianças.
Como o sujeito já se encontrava dentro de seu carro - uma Ford Ecosport preta - ele baixou um pouco o vidro e, respondendo às provocações do parlamentar e seus acompanhantes, que lhe incitavam a sair do carro para resolver a pendenga no braço, falou "ao invés de eu sair, entrem aqui vocês e a gente vai na imprensa relatar isso tudo". Ao ouvir isso, um dos asseclas do tal parlamentar passou a desferir chutes violentos na porta do veículo do cidadão e mandá-lo descer - tudo com o incentivo e participação do Professor Luizinho. Só pararam diante dos apelos de uma senhora que ali estava também e pediu para que parassem com aquela confusão. O "grand finalle" veio com a frase proferida pelo Professor Luizinho enquanto o veículo se afastava:
- "Seu bobão. A minha conta quem pagou foi você. Seu bobão".
Confesso que só não achei que estava ouvindo demais porque estava a menos de um metro do sujeito.
Esse ato de prepotência e violência descabida precisa ser informado à sociedade. Esse tipo de indivíduo pode ter sido absolvido por seus pares - talvez porque tenham o rabo preso, ou talvez por simples despreparo político - mas esse tipo de atitude tem que ser divulgada de forma ampla para que o povo possa ter o poder de bani-lo para sempre da vida pública do país. Estou enojado e confesso que quase parti também para as vias de fato com esse indivíduo, pois, ao chamar de "bobão" um cidadão que só fez a "bobagem" de expressar a sua opinião, chamou a mim também pela mesma alcunha, já que eu também pago impostos e fui responsável também – segundo o raciocínio do "professor Luizinho" - pelo pagamento de sua conta no restaurante.
Meu Deus. Só fico pensando se ninguém nesse país vai tomar uma atitude para tirar essa quadrilha do poder.



Escrito por Cid Benjamin às 09h08
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Manchetes desta quinta-feira

- O Globo: Silvio se contradiz, alega esquecimento e irrita CPI
- Jornal do Brasil: Energia nuclear é a alternativa para crise do gás
- Folha: Câmara inocenta 36 acusados de fraude
- Estadão: Bolívia acusa a Petrobrás e ameaça não indenizar
- Correio Braziliense: Câmara investigará apenas 16 deputados



Escrito por Cid Benjamin às 09h06
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Problemas na atualização do blog

Ontem não tive condições de atualizar o blog por conta de compromissos políticos, sindicais e profissionais.
Durante toda a manhã coordenei uma mesa redonda no seminário sobre jornalismo esportivo promovido pelo Sindicato de Jornalistas do Rio, do qual sou diretor-geral.
Em seguida ao almoço, tive que dar duas aulas na faculdade de comunicação em que sou professor. Afinal, é meu ganha-pão.
Em seguida, precisei terminar a coluna Espelho da Mídia, que assino no semanário Brasil de Fato, e redigir a coluna sobre política que mantenho diariamente no Correio do Brasil.
No fim da tarde, tinha que estar presente no pré-lançamento do filme Filtro da Imprensa, sobre a história do Prêmio Esso de Jornalismo, do qual sou co-roteirista e narrador.
Por fim, já de noite, tive uma reunião de campanha.
Cheguei em casa depois das 22h30 e já não tinha mais sentido debruçar-me sobre o blog.
Com o avanço da campanha eleitoral, é inevitável que, um dia ou outro, o blog não possa ser atualizado. De minha parte, só prometo fazer um esforço para que isso aconteça o menos possível.



Escrito por Cid Benjamin às 08h03
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Um elogio para o governo Lula – artigo meu para o Bafafá On Line

Recentemente fiz algo que não fazia há tempos. Elogiei o governo Lula num artigo para o Bafafá On Line. Ele vai reproduzido abaixo.

O governo Lula frustrou os 53 milhões de brasileiros que confiaram nas promessas de campanha e acreditaram que ele abriria um período de mudanças reais no país.
Ao manter a política econômica neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, fez a alegria dos bancos, que, como se sabe, em três anos de governo petista lucraram mais do que nos oito anos de mandarinato tucano.
Além disso, o governo Lula desmoralizou uma tradição caríssima à esquerda: a de manter padrões de ética acima de qualquer suspeita. Prestes, João Amazonas, Carlos Marighela e os demais líderes históricos da esquerda cometeram erros em sua trajetória política, mas jamais chafurdaram na lama da corrupção. Foi o que fizeram os líderes máximos do PT ao organizarem o que o procurador-geral da República classificou de “uma organização de caráter criminoso”.
Por isso tudo, o governo Lula não pode sequer ser classificado como um governo progressista. É conservador na política e neoliberal na economia.
Mas, neste artigo, não vou criticar o governo Lula. Ao contrário, vou elogiar a forma como ele tem se comportado no episódio da nacionalização do gás boliviano, anunciada no dia 1º de maio.
Depois de um primeiro momento claudicante, em que alguns representantes seus ensaiaram se somar à histeria tucano-pefelista, o governo brasileiro tem dado demonstrações de serenidade e respeito à decisão soberana do presidente boliviano Evo Morales.
Vejamos mais de perto a situação.
No período colonial, a Bolívia teve arrancada a ferro e fogo sua prata pelos espanhóis, em processo que significou um verdadeiro genocídio da população indígena do país, parte da qual arrastada como escrava para as minas.
Posteriormente, já no século XX, a Bolívia viu se exaurirem suas reservas de estanho, extraído por empresas estrangeiras, sem que isso melhorasse minimamente a situação de seu povo.
Hoje, restam-lhe, como as únicas riquezas naturais o gás (principalmente) e o petróleo. São, como as demais que já se foram, riquezas não renováveis e que se extinguirão nas próximas décadas.
Até os anos 90, o gás e o petróleo eram explorados pela Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia (YPFB), a Petrobrás boliviana. Entre 1995 e 1997, na onda neoliberal que varreu boa parte da América Latina, a empresa foi retalhada e vendida a cerca de 20 multinacionais do petróleo.
As reservas mundiais de petróleo e gás natural vão se esgotar ainda neste século. As previsões variam, das mais alarmistas, que falam em 20 ou 30 anos, até as mais otimistas que prevêem mais uns 50 ou 70 anos para o ciclo do petróleo.
Há outras fontes de energia. Mas, por enquanto, nenhuma delas substitui com vantagem o petróleo e seus derivados. Isto significa que estamos diante de mudanças profundas num futuro muito próximo. Não só os ônibus, carros de passeio e aviões  são movidos por derivados do petróleo, mas toda a indústria petroquímica está com seus dias contados – aí incluída a indústria de plásticos.
Isso significa, também, que nas próximas décadas haverá uma procura crescente de petróleo e gás e um aumento nos seus preços. Não por outro motivo os Estados Unidos invadiram o Iraque e, hoje, ameaçam atacar o Irã. Não por outro motivo, também, importam petróleo, sem pressa em esgotar as reservas têm em seu próprio território.
Dentro desse quadro, é natural que, na campanha eleitoral boliviana, a questão dos recursos naturais do país estivesse no debate. E a nacionalização do petróleo e do gás foi o principal compromisso de Evo Morales.
Por isso, ninguém deveria se surpreender com a decisão tomada pelo presidente boliviano. O que fez Morales é o que faria qualquer governante preocupado com o futuro de seu povo.
Respeitando a legislação vigente no país, o governo boliviano vai comprar 50% mais uma das ações de todas as companhias que operam com petróleo e gás no país. Por que isso é importante? Porque só assim poderá ter o controle da política em relação a essas riquezas: ditar o ritmo e as condições de exploração, estipular preços e determinar as demais contrapartidas.
Caso o gás e o petróleo bolivianos permanecessem nas mãos de empresas privadas, as decisões sobre a política energética do país seriam tomadas a partir das perspectivas de lucro das empresas privadas estrangeiras – que não necessariamente coincidiriam com os interesses estratégicos dos bolivianos.
Evo Morales anunciou os impostos de 50% para 82% sobre o valor da produção e aumentou o preço do gás em U$ 2 por milhão de BTU (unidade térmica britânica). Até então o Brasil pagava US$ 3,26, enquanto no mercado internacional preço oscila em torno de US$ 7. É compreensível que os bolivianos quisessem rever o que recebem pelo seu gás. E, mesmo com o aumento, o Brasil ainda estará fazendo um ótimo negócio ao importar gás da Bolívia, pois pagará um valor bem abaixo do preço internacional.
Mas são perfeitamente compreensíveis as medidas tomadas pelo governo boliviano.
De outro lado, deve-se louvar a postura do governo Lula, compreendendo e respeitando a decisão da Bolívia.
Negociações vão acontecer, e é bom que transcorram sem tentativa de intimidação e atropelo. E vai se chegar a bom termo, até porque não interessa a ninguém a ruptura: 50% do gás consumido no Brasil é boliviano e 75% do gás usado pelas indústrias de São Paulo vêm daquele país. E, caso o governo brasileiro resolvesse importar gás de outros países que não a Bolívia, os custos de transporte elevariam o preço internacional médio de US$ 7 por milhão de BTU para US$ 9 – mais do dobro do que estaremos pagando à Bolívia, mesmo depois do aumento determinado por Morales.
Por fim, um registro: é lamentável o comportamento demagógico de PSDB e PFL, tentando pôr lenha na fogueira e pressionando o governo brasileiro para que tome uma posição de força contra a Bolívia. Ao que tudo indica, esses dois partidos repentinamente descobriram o nacionalismo, depois de, em passado recente, terem entregado patrimônio nacional a preço da banana (só a Vale do Rio Doce, que em 2005 deu R$ 10 bilhões de lucro, foi vendida por R$ 3,3 bilhões no governo FHC!).
Tucanos e pefelistas deveriam exercitar seu recém-descoberto nacionalismo contra o imperialismo norte-americano e o grande capital internacional, e não contra o país mais pobre da América do Sul, que apenas tenta defender suas riquezas naturais para garantir um futuro um pouco melhor para seu povo.



Escrito por Cid Benjamin às 08h02
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De novo hábeas-corpus?

O ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira vai depor hoje na CPI dos Bingos. Os jornais já especulam se levará, embaixo do braço, um hábeas-corpus do STF dando-lhe o direito de mentir e de calar-se diante de perguntas embaraçosas. Repito o que já disse aqui: este artifício é aceitável para bandidos, que querem apenas escapar das acusações e não têm satisfações a dar à opinião pública. Dirigentes ou partidos políticos usarem este expediente é o fim da picada.
De qualquer forma, depois da surtada que deu Silvinho, seu depoimento está preocupando muito a cúpula do PT. Ele pode reacender a crise.



Escrito por Cid Benjamin às 08h01
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PT não vai ouvir Silvio?

Só pra chatear, repito aqui as palavras de Silvio: "Se a direção do PT me chamar para ser ouvido, eu vou. Por que não me chamam? Eu liguei para o Berzoini (presidente do PT) e disse a ele que gostaria muito de ser ouvido para que minhas informações ajudassem nas investigações internas. Eu nunca fui ouvido pelo PT. Nunca quiseram saber. Ou talvez saibam."
A direção do PT não tem nada a dizer sobre isso? Ou sabe de tudo e sua preocupação é apenas abafar as investigações?
Eu apostaria na segunda hipótese.



Escrito por Cid Benjamin às 08h01
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Fraude envolveria um terço da Câmara

Nem bem é esclarecido um escândalo, aparece outro. O esquema de compra fraudulenta de ambulâncias por prefeituras vai dar pano para mangas. Uma acusada fez acordo de delação premiada com o Ministério Público e, em seu depoimento, listou 169 deputados e um senador como envolvidos no esquema. Isto significaria que, de cada três deputados, um estaria implicado. É inacreditável!



Escrito por Cid Benjamin às 08h01
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Preconceito contra Evo Morales

O tratamento da mídia à nacionalização do gás boliviano continua carregado de preconceito e desrespeito contra Evo Morales. Jornais e revistas ficam procurando sempre um tutor, que estaria por trás de suas decisões. Ora ele seria Hugo Chávez, ora seria Fidel Castro. A Veja desta semana chega a dizer, na capa, que Chávez "tramou o roubo do patrimônio brasileiro na Bolívia". E, na matéria, chama o presidente boliviano de "fantoche de Chávez". Não aceita que Morales e os bolivianos pensem por contra própria.



Escrito por Cid Benjamin às 08h00
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Um novo significado para populismo?

Na sua guerra aberta contra Hugo Chávez e Evo Morales, a imprensa brasileira está descobrindo um novo significado para a expressão "populismo". Agora, toda medida que fira interesses do grande capital ou que confronte o império norte-americano é sumariamente classificada como populista.



Escrito por Cid Benjamin às 08h00
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A bandalheira das emendas – artigo de Milton Temer

Abaixo, um bom artigo do jornalista Milton Temer, pré-candidato do PSol ao governo do Rio, publicado ontem no Jornal do Brasil.

Não vou perder tempo com a entrevista de Silvio Pereira, confirmando nada poder ter se passado no PT sem o conhecimento do alto comando – Lula, na primeira linha. Só pode haver novidade nisso para quem não tem idéia da centralizada estrutura interna do partido. Ou para os que têm visão preconceituosa de Luiz Inácio, ao levarem a sério a baboseira de que ele teria sido traído, pois não tinha conhecimento do que se passava à sua volta. Não seria corrupto por ser néscio.
Mais útil é tratar do episódio envolvendo personagens menos expressivos, mas com intenso poder predador, denunciados pela Operação Sanguessuga.
São 64 deputados federais, mais o senador pela Paraíba, com residência na Barra da Tijuca, Ney Suassuna. Todos citados nas conversas criminosas dos operadores do último escândalo demonstrativo do caráter pré-falimentar daquilo que nomeamos democracia representativa.
Ou por determinação direta, ou por omissão, todos tiveram assessores de confiança envolvidos na proposição de emendas ao Orçamento, pelas quais prefeituras dos mais diversos estados do País foram contempladas com ambulâncias superfaturadas em até 100% do seu valor real.
Dois pilantras notórios estão guardados sob barras. Um é aquele que transformou o nome Ronivon em sinônimo de bandido, tal a seqüência de crimes em que se registra seu envolvimento. O outro é Carlos Rodrigues, presidente da seção fluminense do PL, um dos mais importantes partidos da base de sustentação do governo Luis Inácio. Eleito na condição de bispo da honorável Igreja Universal do Reino de Deus, renunciou ao mandato para não ser submetido a processo da cassação por conta de mensalões e outras maracutaias anteriores, em que formava parceria com o notório Valdomiro Diniz.
Mas há também nomes surpreendentes, alguns do Rio de Janeiro, que até pouco tempo pontificavam como inquisidores na CPI dos Correios.
O excelente trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal não se traduz em conclusões levianas. Não faz acusações antecipadas aos que não foram flagrados em conversas gravadas, embora citados por terceiros. Preserva-os. Mas indica-os a investigações suplementares que o presidente da Câmara dos Deputados não tem como obstar. Estão instados a comprovar que emendas encaminhadas por seus gabinetes não se articulam com a bandalheira vinda à luz.
É possível que realmente nada de doloso se lhes possa imputar. Mas uma conseqüência imediata tem que ser adotada. Não é mais admissível manter o cenário constitucional de aprovação do Orçamento que proíbe os parlamentares, por exemplo, alterarem o porcentual que o Executivo destina ao superávit para pagamento de juros de dívidas públicas. Mas que, em compensação, lhes concede uma espécie de gorjeta para indicação de obras em seus feudos eleitorais – por vezes, úteis, mas, na maioria, absolutamente dispensáveis. Servem, de fato, para composições com empreiteiras em troca de comissões criminosas. Gorjeta que serve também para a destinação de verbas a instituições – públicas, ou privadas, desde que a entidades não lucrativas, como são consideradas as universidades privadas ou as casas de saúde particulares que cada um termina por construir em seu município, em nome de laranjas ou de familiares.
O pior de tudo é que tais emendas já deveriam ter sido extintas desde os primórdios dos anos 90 do século passado, a serem cumpridas as recomendações da CPI dos “anões do orçamento”. Mas qual o quê... A própria bancada do PT, que então se arvorava guardiã da iniciativa, já no mandato seguinte taxava de otários os membros que ousassem levar a termo a extinção. E digo isso por experiência própria. No primeiro mandato de deputado federal, ainda contava com parcerias importantes na batalha contra tal excrescência. No segundo, já era considerado inconveniente quando levantava o debate na bancada.
Como estamos atravessando tempos novos, de condições limítrofes para a sobrevivência moral do Legislativo, seria oportuno que os parlamentares do bem – essa minoria que se bate pelo voto aberto dos parlamentares – se mobilizasse pela causa já quase maior de idade.
Fechem a torneira das emendas individuais e as bandalheiras vão encontrar muito mais dificuldades para adentrar o Plenário pretensamente republicano. Não só na corrupção direta, como na indireta, pela venda do voto em troca da liberação das verbas indicadas – o “mensalão” por vias transversas.



Escrito por Cid Benjamin às 07h59
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Empresa rica, empregados pobres

A Globo Comunicação e Participações S.A. (antiga Globopar), que desde agosto de 2005 é a razão social da antiga TV Globo, divulgou seu balanço financeiro de 2005. O lucro no ano foi de R$ 1,99 bilhão. Em contrapartida, o gasto com pagamento de salários e encargos sociais da empresa representa apenas 5,88% da sua receita.



Escrito por Cid Benjamin às 07h58
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A entrevista de Chico Buarque

Publico abaixo o e-mail enviado por Januário Diniz dell Isola, leitor do blog e residente no Japão (??!!).

Oi Cid, Você não vai dar nem uma notinha a respeito da entrevista que o Chico Buarque concedeu ao Fernando de Barros e Silva da Folha de S.Paulo no sábado que passou? Eu fiquei embasbacado quando li a resposta que ele deu ao ser indagado sobre o que achava do PSol e das pessoas que deixaram o PT tecendo críticas pela esquerda. A resposta: “Percebo nesses grupos um rancor que é próprio dos ex: ex-petista, ex-comunista, ex-tudo. (...)” Eu não sabia que o professor Francisco de Oliveira, o Ricardo Antunes, o César Benjamim, o Plínio de Arruda Sampaio, o Deputado Chico Alencar – que por sinal é amicíssimo do Chico Buarque – e a senadora Heloisa Helena, entre outros, seriam pessoas rancorosas. Eu mesmo, que já fui um dia petista na vida, nunca me considerei um rancoroso no sentido político do termo. Os argumentos que ele levantou no seu “ataque” metafórico enfatizam um lulismo desvairado. Coisa ruim a beça, partindo de quem partiu.

Januário, aprendi que não há mais aquelas figuras tipo Leonardo Da Vinci – gênios em várias dimensões da atividade humana. O mundo está cheio de gente genial num tipo de atividade que, quando abre a boca para falar de outros assuntos, mostra-se medíocre. Chico é genial em sua música. É, também, uma figura indiscutivelmente íntegra. Além disso, é inteligente e sensível, o que deve nos fazer ouvir com atenção o que diz ou escreve. Dito isso, devo lembrar que, em termos de percepção política, nem sempre viu as coisas antes. Sua mãe, dona Amélia, e sua irmão Cristina, para ficar em dois exemplos na família Buarque de Holanda, perceberam muito antes dele o potencial do PT (nos tempos em que o PT era PT...).
Isso, para não falar no Chico jogando futebol. É opinião majoritária entre os que com ele convivem ou conviveram que, no campo, se mostra um chato de galochas. Joguei com ele todo sábado durante mais de dez anos e posso atestar que é mesmo.
O que fazer? As pessoas são assim. Humanas.
Felizmente não há deuses.



Escrito por Cid Benjamin às 07h58
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Receba as atualizações deste blog por e-mail

Caso você queira receber diariamente as notas e os artigos postados neste blog, é só fazer o pedido no campo reservado aos comentários.

Escrito por Cid Benjamin às 13h33
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Charge do dia

Charge de Amorim, publicada no Correio do Povo (RS)



Escrito por Cid Benjamin às 13h30
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Frase do dia

Quem mandava? Quem mandava era Lula, Genoino, Mercadante e Zé Dirceu. Eu não estava à altura desse time.

Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT



Escrito por Cid Benjamin às 13h28
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Presidente desinformado

Lula mandou dizer que não viu televisão nem leu os jornais e, por isso, não comentaria a entrevista de Sílvio Pereira. E, certamente, ninguém telefonou para falar da entrevista para ele.
Êta presidente desinformado!



Escrito por Cid Benjamin às 13h27
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Nunca se usou tanto o advérbio “ainda”

Nove entre dez filiados históricos ao PT que pensam em votar em Lula em outubro começam assim a frase: “Eu ainda penso em votar no Lula...” (negrito meu).



Escrito por Cid Benjamin às 13h27
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A teoria do mal menor

Há os que justificam o voto com a teoria do mal menor, argumentando que Geraldo Alckmin é pior do que Lula.
Mas para isso existe a eleição em dois turnos. No primeiro, o eleitor escolhe aquele que, a seu ver, é o melhor candidato. No segundo, tem a chance de escolher o mal menor.



Escrito por Cid Benjamin às 13h26
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"Folha de J. Paulo"

Esta nota é do blog do Noblat.

Trecho da reportagem de capa do jornal "Folha de J. Paulo" - uma imitação da Folha de S. Paulo - distribuído pelos militantes do deputado João Paulo Cunha (absolvido pelos colegas) na prévia que o PT realiza hoje em São Paulo:

"A expressiva votação e apoios recebidos por João Paulo num plenário com alto quórum de 483 deputados está associada ao fato de ter provado sua inocência diante das acusações caluniosas, e também de ser uma liderança política respeitada por uma carreira de quase 30 anos em defesa da democracia, da ética, da transparência e participação popular param construir um Brasil mais justo".

Então, tá.



Escrito por Cid Benjamin às 13h25
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Entrevista de César Benjamin ao Estadão - I

Reproduzo, abaixo, dividida em três partes, a entrevista de César Benjamin, indicado como candidato a vice na chapa de Heloísa Helena, pelo PSol, no Estadão de ontem.

 

Uma receita para superar o lulismo

Seu País ideal passa longe do PT, partido que deixou em 94, quando sentiu o cheiro do caixa 2

Há cerca de 20 dias, César Benjamin recebeu a notícia de que o PSOL, o Partido Socialismo e Liberdade, cogitava o seu nome para candidato a vice-presidente na chapa de Heloísa Helena. Uma reunião entre os 101 fundadores da sigla serviu para dar sustentação à idéia. Nas duas últimas semanas, sua indicação foi dada como certa. "Ainda há consultas a fazer", pondera Benjamin, para quem o convite seria "um gesto bonito em um momento em que a política brasileira está muito feia". "Eu não lidero nenhum grupo, não tenho votos ou esquemas, nunca me candidatei a cargo eletivo, não sou celebridade", diz. "Só tenho a oferecer idéias sobre o Brasil."

CÉsar Benjamin, 52 anos, é dono da editora Contraponto, pela qual lançou seus dois últimos livros - A Opção Brasileira (1998) e Bom Combate (2004). Com uma formação "errática" segundo o próprio, é capaz de lecionar sobre a história do pensamento econômico, a macroeconomia, o jornalismo científico, o meio ambiente, as ciências sociais - já deu cursos regulares sobre cada um dos assuntos. É doutor honoris causa pela Universidade Bicentenária de Aragua, na Venezuela. Estudou Letras na Universidade de Estocolmo, na Suécia. É uma cabeça pensante capaz de conferir estofo à juvenilidade do PSOL.

Benjamin era PT. Foi um de seus fundadores e figura história na luta contra a ditadura - tinha 15 anos quando, líder estudantil secundarista, foi preso num quartel do Exército. Só saiu de lá três anos depois, e para a cadeia. Aos 23 foi expulso do País. Voltou clandestino pouco antes da Anistia, em 1978. Até 94, fez parte da direção do Partido dos Trabalhadores. Desligou-se quando, na campanha presidencial daquele ano, percebeu "uma claríssima evidência de prática sistemática de caixa 2". É bom ouvir o que diz César Benjamin. A seguir, 10 de suas idéias para o Brasil:

1 GARANTIR A ALTERNÂNCIA NO PODER

"Nos últimos três anos, passamos a conviver com um grave risco na política brasileira. Até recentemente, os conservadores dominavam os governos, mas seu projeto era contestado pelas forças hegemônicas da oposição, lideradas pelo PT. Hoje, os conservadores detêm hegemonia no governo Lula e também na principal corrente da oposição, a coligação PSDB-PFL. Se esse arranjo se consolidar, a alternância no poder perderá qualquer potencial transformador, como ocorre nos Estados Unidos. Controlar, ao mesmo tempo, situação e oposição, em um sistema estável, é o sonho de qualquer estrategista político. Temos o dever de impedir que essa operação se complete, para que possa haver uma disputa de projetos. A sociedade brasileira precisa disso."

2 CONSTRUIR UMA ALTERNATIVA PÓS-LULISMO

"Estamos assistindo ao fim de um ciclo de existência da esquerda brasileira. Não quero dizer com isso que o PT vá desaparecer, ou que Lula não possa ter uma grande votação, como Collor e Fernando Henrique tiveram. Não estou falando de Ibope, mas de História. Lula rebaixa sistematicamente o horizonte político e cultural do povo brasileiro, e precisa desse rebaixamento para se manter no poder. Só um povo mediocrizado aceita alugar sua consciência pelo medo de perder uma bolsa-família de, em média, R$ 60. Um povo culto e organizado, ou em processo de aprendizado e organização, conhecedor de seu próprio potencial humano, exigiria muito mais. O lulismo não tem futuro, pois não está produzindo nem idéias a serem multiplicadas, nem um povo mais consciente, nem uma juventude mais mobilizada, nem instituições republicanas mais avançadas. Quando perder o controle de cargos e verbas - neste ano ou daqui a quatro, não importa -, não se sustentará. Para se manterem vivos, movimentos precisam de idéias e utopias. Máquinas vazias desmoronam com facilidade. Muita gente já se deu conta disso, mas a construção de uma alternativa leva tempo. O PSOL sabe que é apenas uma das vertentes dessa alternativa, e a campanha eleitoral é um momento de um processo mais amplo de reconstrução."

3 DEMOCRATIZAR NOSSA DEMOCRACIA

"Em caso de vitória nas eleições, enfrentar lobbies é fácil. Nosso desafio será muito maior do que esse. Ele inclui alterar o modo como funciona o sistema político brasileiro. Há muitos anos, forças de natureza supranacional, representantes de rentistas, credores da dívida pública, controlam diretamente duas instituições-chave: o Ministério da Fazenda e o Banco Central. A partir dessas posições, definem as políticas monetária, cambial e fiscal, e comandam a execução do Orçamento da União. Assim, subordinam a ação de todo o Estado nacional. Forças de natureza subnacional apresentam-se no jogo político por meio, principalmente, das bancadas formadas no Congresso Nacional - as do agronegócio, da construção civil, das escolas privadas etc. A partir delas, negociam seus interesses com o Executivo, cujo núcleo é dominado pelo sistema financeiro. O povo pobre, por sua vez, recebe políticas compensatórias. Funcionando assim, nosso sistema político torna-se um obstáculo à construção de um projeto nacional consistente. Trai as esperanças trazidas pela redemocratização do País. Nossa principal tarefa política será democratizar, de fato, a nossa democracia. Ou, se quiser, republicanizar a República."

(continua)



Escrito por Cid Benjamin às 13h24
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Entrevista de César Benjamin ao Estadão - II

(continuação)

4  DEIXAR DE SER REFÉM DO SISTEMA FINANCEIRO

"Nos últimos anos, cerca de 40% dos recursos da União têm sido usados com encargos de dívidas financeiras, restando bem menos de 5% para investimentos. A desproporção dos gastos com o serviço da dívida, em relação aos demais gastos do Estado, é chocante. Dois meses de pagamento de juros correspondem ao dispêndio anual do Sistema Único de Saúde. Um mês corresponde ao gasto anual com educação. Quinze dias, aos recursos alocados no Programa Bolsa Família, que unificou quase todos os programas sociais anteriores. Um dia de pagamento de juros ultrapassa com sobras o gasto, no ano, destinado à construção de habitações populares. Um minuto corresponde à alocação anual de recursos com a defesa dos direitos humanos. É um descalabro. O País não pode funcionar assim. E não me venham com supostas tecnicalidades. Estudei bastante economia, justamente para não ter medo delas. Qualquer discurso que justifique isso é, antes de tudo, imoral.

"Eu ainda quero viver em um país em que os ministros da Educação, da Cultura e dos Esportes sejam mais importantes do que o ministro da Economia. A enorme importância deste último é um signo da nossa crise. Isso ocorre porque vivemos esmagados por variantes de uma 'macroeconomia do curto prazo' que se nutre do próprio fracasso: quanto maior o apelo a ela, maior a crise; quanto maior a crise, maior o apelo. Para sair dessa arapuca, é preciso, em primeiro lugar, uma decisão de natureza política: o Estado nacional brasileiro não será mais refém do sistema financeiro."

5 DESMONTAR A ENGRENAGEM DA CONCENTRAÇÃO DE RENDA

"Um novo ministro da Economia terá de desmontar, com rapidez, as engrenagens que perpetuam a maior anomalia da economia brasileira, que é a existência de dois tipos de moeda: a moeda comum, à qual todos têm acesso e que se desvaloriza conforme a taxa de inflação; e a moeda financeira, que tem a mesma liquidez da moeda comum, pois é transacionada todos os dias no over, mas rende juros muito acima da inflação. Só os mais ricos e os bancos têm acesso a esta última. Este é, de longe, o principal mecanismo de concentração da renda nacional. Para desmontar isso, precisaremos aliar competência técnica, estabelecendo um novo modus operandi para o Banco Central e o Ministério da Fazenda, e capacidade de liderança política da Nação."

6 DEVOLVER AO BC O PLENO CONTROLE DOS JUROS

"Quando as verbas da educação ou do saneamento são cortadas ninguém fala em "calote". Aplica-se esse termo, exclusivamente, para defender a altíssima rentabilidade do capital especulativo. Ele se tornou, de fato, muito poderoso na medida em que o Banco Central foi abrindo mão dos controles sobre as diversas formas de remessas de recursos para o exterior. Esse processo começou no governo Collor e se completou no governo Lula. Como as remessas estão liberadas, os aplicadores financeiros ameaçam fugir a qualquer momento para o dólar, desestabilizando a taxa de câmbio e ameaçando assim o funcionamento da economia real. Com isso, conseguem impor ao Estado brasileiro um alto prêmio para aceitar permanecer com seus ativos denominados em reais. Este prêmio são taxas de juros suficientemente atrativas, que sejam um múltiplo da taxa básica paga no sistema internacional aos ativos denominados em dólar.

"Restabelecida a disciplina sobre o envio de recursos ao exterior - tal como existiu, em diferentes formatos, desde o início da década de 1930 até 1992, e tal como é praticada hoje por inúmeros países -, o BC retomará pleno controle sobre a fixação das taxas de juros, reduzindo-as sem dificuldade a um patamar compatível com a realidade internacional, o equilíbrio das contas públicas e a retomada do crescimento econômico. Se o mercado financeiro recusar as taxas menores oferecidas, deixando de adquirir títulos públicos, o BC simplesmente comprará os títulos vencidos ou vincendos, injetando liquidez no mercado interbancário. Os bancos aceitarão rapidamente as novas taxas oferecidas, por uma questão de racionalidade econômica. Pois, eliminada a possibilidade de corrida para o dólar, não terão melhores alternativas de aplicação para os recursos em caixa à sua disposição.

"Tudo isso o BC pode fazer, agindo dentro dos limites das leis em vigor. O Brasil descobrirá então que nos últimos 15 anos - desde Collor até Lula - entregou alguns trilhões de reais ao sistema financeiro sem a menor necessidade. São os recursos que faltam para desenvolver o país. No limite, se os especuladores decidirem enfrentar o Banco Central, exigindo a continuação de pagamentos incompatíveis com a nossa existência e dignidade, o povo precisará se posicionar diante desse confronto. Quem você acha que vencerá?"

(continua)



Escrito por Cid Benjamin às 13h23
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Entrevista de César Benjamin ao Estadão - III

(continuação)

7 COMBATER A POBREZA COM EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

"Com reformas sociais, desenvolvimento econômico e expansão dos serviços públicos essenciais, entre os quais a educação. O maior patrimônio de um país é seu povo. E o maior patrimônio de um povo são suas capacidades culturais. Mas um projeto que priorize isso é incompatível com a predominância das macroeconomias do curto prazo. O capital financeiro que nos domina é rápido, esperto, móvel, centrado em operações de curto prazo. A Nação não pode subordinar-se a essa lógica. Ela tem território, história, cultura, instituições permanentes. E, principalmente, tem gente. Ela existe em um tempo histórico que não se confunde com o tempo rápido da especulação financeira."

8 CONSTRUIR UM NOVO PROJETO CIVILIZATÓRIO

"Eu sou socialista e adoro o Brasil. Quero que o nosso país dê certo. Temos recursos de todo tipo, capacidade técnica, enorme potencial cultural e um belo povo. Podemos construir aqui um projeto civilizatório novo, cheio de alegria, mistura, tolerância e espiritualidade."

9 TRANSFORMAR O BRASIL EM UMA NAÇÃO-PARA-SI

"Na origem, fomos grupos desenraizados - índios destribalizados, brancos deseuropeizados e negros desafricanizados, depois gente do mundo inteiro -, usados como força de trabalho pelo capitalismo mundial. Gradativamente, porém, constituímos um povo novo, que não existia há relativamente poucas gerações. É bonito isso. Formamos um povo filho da modernidade, miscigenado, aberto ao futuro, que produziu uma cultura de síntese e ganhou uma identidade. Esse é o nosso grande êxito. Mas, até agora, tivemos também um grande fracasso: esse povo nunca comandou a sua nação. Este é o impasse brasileiro, que está ficando cada vez mais radical. Já somos 190 milhões de pessoas, 83% vivendo em cidades e 33% em apenas nove regiões metropolitanas. O Brasil não pode mais organizar-se como uma empresa para poucos, controlada de fora, como sempre se organizou, a não ser a um custo humano altíssimo e crescente, que pode conduzi-lo à anomia e à desagregação. Está na hora de refundar o Brasil, transformando-o de uma empresa-para-os-outros, que sempre fomos, em uma nação-para-si, que desejamos ser."

10 SABER RECOMEÇAR

"Estou sempre recomeçando. Heidegger refere-se reiteradamente ao olhar que calcula, que mede, tendo sempre em vista um fim instrumental. É o olhar típico do mundo dos negócios, que visa ao lucro, e da atividade política, que visa ao poder. Essa característica já estava presente na tradição da própria esquerda, mas se tornou caricata com a hegemonia do lulismo, que não tem conteúdo nenhum. O cálculo, que em si já é problemático nas relações humanas, degenera então em mera esperteza. Eu nunca compartilhei desse modo de estar-no-mundo, até porque as pessoas que vivem assim são muito infelizes. Vivo segundo os meus princípios, procuro manter uma existência espiritualmente rica e diversificada, e estou sempre preparado para perder. Quase sempre, os perdedores é que fazem a história andar: Jesus, Zumbi, Tiradentes... Quem se lembra daqueles que os derrotaram? Os que querem o poder a qualquer custo acabam não tendo importância nenhuma."



Escrito por Cid Benjamin às 13h22
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A cátedra perdida

Esta saiu na coluna de Ancelmo Góis, no Globo de ontem. Alguns já devem ter lido, mas é tão boa que postei no blog.

Talvez pouca gente saiba. Mas Geraldo Alckmin é um grande contador de histórias. Ultimamente, diverte-se com um “causo” que teria ocorrido em 1993 com FH. Diz que o então ministro da Fazenda foi ao Ceará e, num encontro com líderes políticos do interior, usou uns termos eruditos, a ponto de citar o sociólogo alemão Max Weber.
O cearense Tasso Jereissati, depois da reunião, chamou a atenção do visitante e sugeriu que, da próxima vez, falasse coisas simples: “Por que você não conta sua vida?”
Assim foi feito. No encontro seguinte, FH começou a dizer que tinha nascido no Rio, era filho de militar, piriri, pororó... Tudo ia bem até que o ministro lembrou seus tempos de USP e contou ter sido preso por militares. “Na prisão, perdi a cátedra”, disse.
Foi o suficiente para um tabaréu interromper: “Liga não, professor. Na prisão, muita gente perde isso”...



Escrito por Cid Benjamin às 13h21
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Manchetes do dia

- Jornal do Brasil: Crise do gás - Confisco da Bolívia vai financiar obra pública
- Folha: Bolívia já prepara desapropriação de terra de brasileiros
- Estadão: TCU fará devassa em contratos do governo
- O Globo: CPI pede para PF intimar ex-dirigente do PT a depor
- Correio Braziliense: Gás para duas eleições



Escrito por Cid Benjamin às 13h20
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Receba por e-mail as notas postadas neste blog

Caso você queira receber, de segunda a sexta-feira, as notas e os artigos postados neste blog, é só fazer o pedido no campo destinado aos comentários.

Escrito por Cid Benjamin às 16h41
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Charge do dia

Charge de Simanca, publicada no Jornal da Tarde, de Salvador.



Escrito por Cid Benjamin às 16h39
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Frase do dia

“Garotinho, também temos pacotes sem café da manhã”.

Manchete de anúncio da agência de viagens Maesans, publicado ontem no caderno Boa Viagem do Globo.



Escrito por Cid Benjamin às 16h39
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Nacionalistas de araque

Este episódio da nacionalização do gás e do petróleo pela Bolívia está servindo para mostrar a hipocrisia do PSDB e do PFL. Responsáveis pelo processo em que houve a maior entrega do patrimônio nacional na história recente, com as privatizações, os dois partidos tentam exibir um nacionalismo exacerbado quando se trata das relações com a Bolívia. Pena que, diante do imperialismo, os leões de agora miem como gatinhos.



Escrito por Cid Benjamin às 16h38
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Você sabia?

O preço do gás no mercado internacional está em torno de US$ 7. O Brasil paga US$ 3,5 à Bolívia.



Escrito por Cid Benjamin às 16h38
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Os últimos a saber

Os deputados Pastor Pedro Ribeiro (PMDB-CE), Vieira Reis (PRB-RJ), Nilton Capixaba (PTB-RO), Maurício Rabelo (PL-TO), Elaine Costa (PTB-RJ), Edna Macedo (PTB-SP), Laura Carneiro (PFL-RJ), João Mendes de Jesus (PSB-RJ) e Eduardo Seabra (PTB-AP), além do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), têm assessores presos pela Polícia Federal como suspeitos de envolvimento num esquema para a compra fraudulenta de ambulâncias a partir da apresentação de emendas ao Orçamento da União. Vamos dizer que todos sejam inocentes. Mas são os parlamentares que apresentam as emendas. Pensando bem, serão mesmo todos inocentes?



Escrito por Cid Benjamin às 16h38
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Suassuna poeta, quem diria

Buscando uma foto de Ney Suassuna que pudesse ilustrar a coluna que mantenho no jornal Correio do Brasil, fui à página do Senado na internet e, de lá, à página pessoal de Suassuna. Deparei-me, então, com um CD de poemas do senador, que pode ser ouvido pela rede. Imperdível. Como se vê, nem só Sarney se considera alto literato no Senado.



Escrito por Cid Benjamin às 16h37
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Bispo Rodrigues, de novo

Dois ex-deputados estão presos, acusados de participação no tal esquema de aquisição fraudulenta de ambulâncias. Eles são Ronivon Santiago (PP-AC) e Carlos Rodrigues (PL-RJ), que antes de ser desligado da Igreja Universal usava o nome de Bispo Rodrigues. Ultimamente tem sido raro um acontecimento de natureza policial envolvendo políticos em que não apareça Rodrigues. O homem está em todas.



Escrito por Cid Benjamin às 16h37
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Preservem o nome do velho

A família de saudoso Florestan Fernandes pediu que ao PT que seu nome fosse retirado da fundação criada pelo partido que está sendo acusada pelo Ministério Público de participar de fraudes no tempo em que Marta Suplicy era prefeita de São Paulo. Tem razão. O velho Florestan não merece ter seu nome associado a isso.



Escrito por Cid Benjamin às 16h36
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PT trocaria Suplicy por Quércia para o Senado?

Já é falado há tempos, mas sempre entre quatro paredes, que o PT pode dar uma rasteira em Suplicy para obter o apoio de Quércia. Agora, a possibilidade é aventada nos jornais. A matéria abaixo é do blog de Fernando Rodrigues na Folha On Line. Devo dizer que, salvo se isso levasse ao grande sonho de consumo do PT nesta eleição - uma aliança formal com o PMDB, que daria o vice de Lula - não tem muita chance de acontecer. O preço a pagar em São Paulo, onde Suplicy é uma figura emblemática, seria muito alto. 

Em público todos negam, mas a história é a seguinte: o PT deseja Orestes Quércia (PMDB) como seu candidato ao Senado em outubro. A vaga tem sido de Eduardo Suplicy nos últimos 16 anos, mas ele teria de abrir espaço para a entrada do peemedebista (este ano só está em disputa uma cadeira de senador por Estado).

Esse foi mais ou menos o teor da conversa de hoje de manhã, em São Paulo, entre Orestes Quércia e o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, e o ministro das Relações Institucionais de Lula, o gaúcho Tarso Genro.

O PT está em dificuldades no maior colégio eleitoral do país. Lula melhorou nas pesquisas, mas ainda perde para o tucano Alckmin entre os paulistas (42% a 33%). Na disputa estadual, uma catástrofe completa: José Serra ganha de Marta Suplicy e de Aloizio Mercadante no primeiro turno.

Para completar, vários deputados federais pelo PT de São Paulo estão marcados pelo mensalão (José Genoino, João Paulo Cunha, José Mentor e Professor Luizinho). O petista mais votado em 2002, José Dirceu (556.768 votos, 2º lugar no Estado, só perdendo para Enéas), foi cassado e está fora do páreo.

Esse deserto de nomes fortes será um argumento da direção do PT para convencer Eduardo Suplicy a trocar a Câmara Alta pela Câmara Baixa, optando por ser o grande puxador de votos para a bancada de deputados federais petistas por São Paulo, em outubro.

Quércia, de seu lado, entraria para vitaminar a chapa de Marta Suplicy ou de Aloizio Mercadante. Um petista concorreria ao Palácio dos Bandeirantes e o peemedebista seria o nome único para o Senado.

Se a operação vai dar certo, é outra história. Mas que está sendo pensada, isso está.



Escrito por Cid Benjamin às 16h35
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Estamentos

Esta observação também é do blog do Fernando Rodrigues. Quem conhece o PT sabe que é a mais pura verdade.

Uma coisa nunca muda no PT. Mesmo na direção da sigla há sempre claramente um grupo que manda e sabe das coisas e outro (muitas vezes a maioria) que não tem noção do que se passa e vive de auto-engano.



Escrito por Cid Benjamin às 16h31
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Bancos estrangeiros cobram taxas maiores no Brasil

Ao lado dos juros estratosféricos, as taxas absurdas ajudam a explicar por que os lucros dos bancos no governo Lula são os maiores da história. Registre-se que cabe ao Banco Central disciplinar essas tarifas. Mas como não ser assim se o presidente do Banco Central – que está sendo processado por evasão ilegal de divisas e ganhou de Lula o status de ministro, para que só possa ser julgado pelo STF – era o presidente mundial do BankBoston?

Taxa mensal cobrada pela manutenção da conta*

                                      Sede**         Brasil**
Citibank                          US$ 3        .R$ 15,90
HSBC                                0              R$ 11,50
ABN-Real                           0              R$ 12,00
Santander                         0              R$ 12,00

* A fonte das informações é o prefeito César Maia, no e-mail que envia aos assinantes de seu extinto blog.

** Taxas calculadas pelo menor pacote de serviços oferecido em cada banco.



Escrito por Cid Benjamin às 16h31
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Manchetes desta sexta-feira

O Globo: Morales acusa Petrobras de chantagem e Lula cede

- Jornal do Brasil: Rosinha: "Vou lutar por ele até o fim"

- Folha: Reunião mantém indefinições sobre gás

- Estadão: Lula desautoriza Petrobras e diz que pode investir na Bolívia

- Correio Braziliense: Brasil se curva a Morales



Escrito por Cid Benjamin às 16h30
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Frase do dia

“Vou dar uma MP bem legal para o Renan assinar”, disse Lula. O presidente do Senado, Renan Calheiros, assumiu interinamente a Presidência da República e é um crítico do excesso de medidas provisórias editadas por Lula.



Escrito por Cid Benjamin às 18h23
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Charge do dia

Autor: Mborges. Publicada no site www.chargeonline.com.br



Escrito por Cid Benjamin às 18h23
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Volks anuncia demissões em massa menos de um mês depois de obter quase meio bilhão de reais do BNDES

A Volkswagen do Brasil anunciou um plano de reestruturação que prevê cortes de “milhares de empregos”, menos de um mês depois de ter obtido crédito oficial do BNDES de quase meio bilhão de reais. O plano da Volks inclui, além da demissão de milhares de empregados, o corte de benefícios e até o fechamento de uma das quatro fábricas da empresa no Brasil. Motivo alegado: a valorização excessiva do real frente ao dólar, o que teria reduzido os lucros das exportações da montadora.

Em 18 de abril o banco informou que tinha aprovado financiamento de R$ 497,1 milhões para a empresa. Segundo o BNDES, os recursos seriam destinados à expansão da produção de veículos Foz e CrossFox. No texto em que justificou o empréstimo, o BNDES afirmou que ele permitiria ampliar as exportações de veículos da Volks.

Sem comentários.



Escrito por Cid Benjamin às 18h22
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Advogados do PT apresentam nova versão sobre empréstimo

Esta matéria é da Folha de hoje. Mostra que o PT mudou de versão sobre os tais empréstimos. Depois de culpar Delúbio pelas malfeitorias em que esteve envolvido, assumindo a versão que seu antigo tesoureiro apresentou na CPI, o partido agora o desmente na Justiça. O fato de esse tipo de comportamento não despertar polêmica mostra o quanto a sociedade brasileira está anestesiada. Abaixo, a matéria.

Em documento encaminhado à Justiça para contestar o pagamento de cerca de R$ 110 milhões cobrados pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, o PT aponta irregularidades nos supostos empréstimos bancários considerados até aqui pelo partido como a origem do dinheiro do caixa dois petista.

Ao longo de 13 páginas da contestação à cobrança, os advogados do PT questionam a versão apresentada em conjunto por Marcos Valério e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares ao afirmar que os supostos empréstimos foram concedidos "ao arrepio das mais comezinhas regras bancárias" -como, aliás, já haviam concluído as investigações da CPI dos Correios e do Ministério Público.

Desde que o escândalo do mensalão veio a público, em junho de 2005, após denúncia do então deputado Roberto Jeferson (PTB-RJ) em entrevista concedida à Folha, o PT se nega a assumir que deva às empresas do publicitário.

Mas até aqui, o partido não havia contestado que as operações das empresas de Valério com os bancos BMG e Rural fossem a fonte de recursos repassados a petistas e aliados políticos do governo. Taticamente, o PT endossou a versão de Delúbio e Valério sobre a origem de dinheiro. Mas na hora de contestar a cobrança, o partido mudou o discurso.

"Você conhece algum banco que empreste dinheiro desse jeito [na forma dos contratos fechados entre os bancos e as empresas de Valério]?", questionou o advogado Luiz Bueno de Aguiar, que defende o PT na ação de cobrança. "Os empréstimos foram irregulares por parte dos bancos e das empresas", respondeu em seguida.

"A origem do dinheiro [do caixa dois]? Eu não faço a menor idéia. Nem mesmo a CPI deu conta", disse Márcio Luiz Silva, outro advogado que assina a contestação à cobrança, sugerindo que os empréstimos tenham sido forjados para justificar trânsito ilegal de recursos.

Confrontado com a contradição, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, alegou que os advogados do partido tem "ampla liberdade" para argumentar no processo de cobrança.

"Temos de separar o que é lide judicial do que é pensamento político", disse o deputado. "O PT nunca disse que o Rural e o BMG fizeram empréstimos regulares. Se os bancos eventualmente estabeleceram relação contratual confiando na palavra de quem quer que seja, problema dos bancos."

Segundo Berzoini, caberá à Justiça apurar a origem do dinheiro do caixa dois do PT. "A origem do dinheiro é uma questão a ser resolvida fora desse processo [de cobrança]", completou.

Em reportagem divulgada em 16 de julho do ano passado, o PT destacou a versão então apresentada por Delúbio e Marcos Valério: "Delúbio ressaltou que os recursos repassados por Marcos Valério não têm origem nos cofres públicos. "Não é dinheiro público. É de empréstimo bancário", reforçou [o partido]".

Em documento apresentado à Justiça de Brasília no início de março, os advogados do PT negam os depoimentos de Delúbio Soares. "Eu insisto em dizer que esses depoimentos [de Delúbio] foram feitos em legítima defesa. Você não pode esperar de quem está se defendendo de uma acusação de ilícito penal sério, grave, que responda necessariamente com a verdade. É um primado do direito", afirmou o advogado Márcio Silva.

"Há evidências de que ele [Marcos Valério] entrou com essa ação para dar um ar de credibilidade à defesa dele, para ligar o lé com o cré. Como [o processo] vai demorar, é uma ação que demanda perícias e exames, para o fim de estratégia da defesa dele pode até surtir efeito", disse o advogado.

 

Insisto num ponto já abordado aqui neste blog. Um réu tem o direito de omitir fatos ou mesmo de mentir para não se autoincriminar. É diferente a situação de um partido político. Diante de acusações de corrupção – lembremo-nos das palavras do procurador geral, que fala de “uma organização de caráter criminosos”, encabeçada por dirigentes do PT – qualquer partido ou qualquer político sério se apressaria em esclarecer os fatos.

Depor munido de hábeas corpus para poder silenciar ou mentir não é atitude de dirigente de um partido sério. Quando o presidente do PT diz coisas como “Temos de separar o que é lide judicial do que é pensamento político" ou "A origem do dinheiro é uma questão a ser resolvida fora desse processo [de cobrança]”, os militantes dignos do PT devem se envergonhar.

Não pode haver uma versão para a Justiça, outra para a CPI e uma terceira para consumo interno. E, por fim, uma última, verdadeira, mas só inteiramente conhecida por uns quantos iniciados.



Escrito por Cid Benjamin às 18h22
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Menas bobagem, por favor – 1ª parte

Este artigo foi escrito por César Benjamin, indicado pelo PSol para compor, como candidato a vice-presidente, a chapa de Heloísa Helena. Foi publicado na edição de abril da revista Caros Amigos. Devido ao tamanho, vai aqui dividido em duas partes.

Ouvi de um intelectual lulista uma explicação inusitada para a alta temperatura da luta política no Brasil: o governo está sendo duramente atacado pelas elites porque resistiu às pressões para conceder independência ao Banco Central. Fiquei pasmo. Antes de Lula assumir a Presidência essa questão nunca havia entrado em pauta no debate nacional, até mesmo porque uma medida assim estava vetada pela Constituição. Foi o governo Lula que enviou ao Congresso a emenda constitucional que alterou o artigo 196 da Constituição, empenhando-se em seguida em montar a necessária maioria de 3/5 dos votos para aprová-la. Depois disso, o ex-ministro Antonio Palocci e as mais altas autoridades econômicas passaram a defender a autonomia legal do BC, apressando-se em garantir uma autonomia de fato, como fase de transição. É a nossa situação atual.

Eu ainda estava matutando sobre a infinita capacidade humana de tergiversar, quando ouvi na televisão um economista “do mercado” dizer que a autonomia do BC, concedida pelo governo Lula, nos aproximou da modernidade. Segundo ele, adotamos assim o modelo que prevalece nos Estados Unidos. Quase caí para trás. Permitam-me os leitores de Caros Amigos tratar desse assunto tão chato, mas decisivo para o futuro da economia nacional. Ele tem a ver, também, com o problema da dívida interna que nos asfixia.

Nos Estados Unidos, o Banco Central (chamado Sistema de Reserva Federal, ou FED) é formalmente independente, mas essa independência é definida de uma forma que o força a operar todo o tempo, necessariamente, em articulação com o Departamento do Tesouro (correspondente ao nosso Ministério da Fazenda). O arranjo é muito inteligente. O FED é obrigado por lei a perseguir simultaneamente três objetivos: utilização plena da capacidade produtiva instalada, pleno emprego da força de trabalho e estabilidade de preços. O Tesouro, por sua vez, também por lei, é obrigado a cumprir o Orçamento da União votado pelo Congresso e aprovado pelo presidente da República; para isso, por meio de contas bancárias, recolhe tributos da sociedade e paga as despesas previstas no Orçamento.

Se as despesas orçamentárias superam em algum momento o recolhimento de tributos, as contas do Tesouro ficam negativas, mas permanecem sendo movimentadas normalmente. Nesses casos, o Tesouro opera em déficit, mas isso não o paralisa: ele é automaticamente coberto por meio de uma conta de compensação alimentada pelo FED, que tem o poder de emitir moeda. Uma parte das ordens de pagamento do Tesouro é sacada pelo público, e assim mais moeda passa a irrigar a atividade econômica; outra parte permanece depositada nas contas de seus titulares, aumentando o volume de reservas bancárias.

Agindo em estrita observância daqueles três objetivos acima definidos – níveis ótimos de crescimento, emprego e inflação – cabe então ao FED decidir se prefere enxugar essa liquidez aumentada (para evitar pressões inflacionárias, por exemplo) ou sancioná-la (para estimular a demanda, por exemplo). Ele faz isso efetuando a compra e venda de títulos da dívida pública: vende títulos para recolher dinheiro ou compra títulos para injetar dinheiro. Assim, manejando a dívida pública, o FED regula a liquidez da economia norte-americana, e com isso mantém sob controle a inflação e a taxa de juros.

Recapitulando: o FED, por lei, tem que perseguir objetivos múltiplos (crescimento da produção, pleno emprego e estabilidade de preços) e dar cobertura ao Tesouro para garantir a execução do Orçamento da União que foi aprovado pelos poderes democráticos da República. Ele só é independente para tomar algumas decisões operacionais que não se sobrepõem ao poder político. Esse arranjo institucional abre grande margem para políticas de natureza anticíclica: em períodos de baixa atividade econômica (e baixo recolhimento de impostos) o Tesouro tende a incorrer em déficit, recebendo então a cobertura do FED; as reservas bancárias tendem a aumentar, induzindo a queda das taxas de juros; a economia se reanima. Em períodos de atividade excessiva, não sustentável, o mecanismo é conduzido a funcionar ao revés.

(continua abaixo)



Escrito por Cid Benjamin às 18h21
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Menas bobagem, por favor – 2ª parte

(continuação)

Ao contrário do que diz o economista “do mercado”, a nossa institucionalidade econômica nada tem a ver com a que prevalece nos Estados Unidos. Embora o BC brasileiro não seja formalmente independente (ao contrário do FED), ele já é independente de fato (ao contrário do FED) e atua de forma permanentemente pró-cíclica (ao contrário do FED), de modo a impedir a execução do Orçamento da União (ao contrário do FED) e tendo como objetivo formal apenas a estabilidade de preços (ao contrário do FED).

Falamos em objetivo formal, pois, na verdade, a preocupação fundamental do BC brasileiro é garantir a rolagem da dívida pública. Aqui, tudo começa na definição das taxas de juros que o sistema financeiro considera adequadas para aceitar essa rolagem. Como a remessa de recursos para o exterior está liberada, os aplicadores financeiros ameaçam fugir a qualquer momento para o dólar. Assim, conseguem impor ao Estado brasileiro um alto prêmio para aceitar permanecer com seus ativos denominados em reais. Este prêmio são taxas de juros suficientemente atrativas, que sejam um múltiplo da taxa básica paga no sistema internacional aos ativos denominados em dólar.

Para suportar essas altas taxas impostas pelo sistema financeiro, o Estado brasileiro necessita retirar do seu Orçamento vultosos recursos. Parte significativa dos tributos recolhidos da sociedade se esteriliza na forma do famoso superávit primário, entregue aos especuladores. Comprimem-se todas as demais despesas previstas. O Orçamento da União é esquartejado na boca do caixa para caber no que sobra depois que o Estado paga os juros exigidos pelo sistema financeiro. Para completar a lambança, o BC brasileiro (também ao contrário do FED!) está proibido de financiar o Tesouro, que por isso não tem a possibilidade de operar em déficit, perdendo assim decisivos graus de liberdade.

Resultado: o Brasil não pode fazer políticas econômicas anticíclicas e funciona sem Orçamento. Ao longo do ano, estabelece-se uma permanente briga de foice para definir quais gastos serão de fato efetuados e quais serão “contingenciados”. Dono da chave do cofre, o Ministério da Fazenda apequena e subordina os demais ministérios, e o Executivo apequena e subordina o Legislativo. Tudo depende de decisões casuísticas, negociadas caso a caso, que não obedecem a um projeto e abrem os espaços para a perpetuação do fisiologismo. As relações entre os poderes deformam-se estruturalmente. O “mensalão”, nisso tudo, é apenas uma patologia a mais.

A democracia brasileira continua a ser o mesmo “tremendo equívoco” apontado por Sérgio Buarque de Hollanda há setenta anos, pois os poderes democráticos da República não controlam, de fato, os gastos públicos. Em vez de manejar a dívida pública como um instrumento de política econômica, como fazem todos os países organizados, o Estado brasileiro é manejado por ela.

Foi o governo Lula que colocou na agenda brasileira a questão da independência do BC, ao contrário do que dizia o intelectual lulista. Nesse governo, o Estado é comandado por um BC independente, opaco, intimamente ligado ao sistema financeiro, permanentemente contracionista, inimigo do crescimento e socialmente irresponsável, que se sobrepõe ao poder político da Nação. A arquitetura institucional da nossa política econômica está virada de ponta-cabeça, com o rabo (o sistema financeiro, agindo por meio do BC) abanando o cachorro (o Estado nacional e a economia real). E a operação que concedeu autonomia ao nosso BC, ao contrário do que dizia o economista “do mercado”, em nenhum aspecto nos aproximou do inteligente modus operandi do Estado norte-americano.

Intelectuais lulistas e economistas “do mercado”: menas bobagens, por favor. Menas...



Escrito por Cid Benjamin às 18h20
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De novo, César Maia alfineta Alckmin

Esta é do e-mail diário que o prefeito César Maia envia para leitores de seu extinto blog.

Ridícula esta discussão sobre marqueteiros que Alckmin deve contratar para a campanha. Todos são igualmente competentes. Não faz diferença ficar com um ou com outro. É como o caso dos economistas. O que importa é que política vão adotar.

O que a campanha de Alckmin - como qualquer organização séria - deveria pedir - para poder escolher - é um projeto de comunicação - latu sensu - para levantar Alckmin e derrubar Lula, para convencer e emocionar os eleitores, para levar o eleitor a conhecer Alckmin melhor, para ter CONFIANÇA (palavra chave) nele e desconfiar cada vez mais de Lula. O projeto de comunicação deveria propor também a questão decisiva: com que "agenda" conquistar o foco eleitoral.

Uma vez prontas as propostas/projetos, a direção da campanha coordenada pelo candidato, escolhe um ou outro caminho. Qualquer agência de publicidade séria começa assim uma campanha para a organização que a quer contratar. Na política é tudo improviso? Assim leva vantagem quem está com a máquina distribuindo favores.

Façam suas apostas: até quando será mantida a candidatura de Alckmin?



Escrito por Cid Benjamin às 18h14
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Manchetes desta quinta-feira

- O Globo: Petrobras rejeita alta de gás e pára investimentos na Bolívia
- Jornal do Brasil: Petrobras cancela investimento na Bolívia
- Folha: Petrobras desiste de investir na Bolívia
- Estadão: Petrobrás recusa aumento e suspende planos na Bolívia
- Correio Braziliense: Petrobras dá o troco à Bolívia



Escrito por Cid Benjamin às 18h13
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Escrito por Cid Benjamin às 12h40
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Charge do dia

A charge é de Zope e foi postada no www.chargeonline.com.br



Escrito por Cid Benjamin às 12h39
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Frase do dia

“Não consultamos ninguém nem negociamos com ninguém porque não tínhamos de fazer isso. A medida de nacionalização foi uma decisão soberana do Estado e do povo bolivianos.”

Do vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera



Escrito por Cid Benjamin às 12h37
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Palmas para Morales

Em boa hora o governo brasileiro baixou o tom em relação ao decreto de Evo Morales que nacionaliza as empresas que exploram o gás e o petróleo boliviano. A primeira reação tinha sido a pior possível, digna de imperialistas.

Insisto em que Evo Morales tem o direito (e até o dever) de fazer o que fez. Seu decreto sequer expropria as empresas instaladas na Bolívia. Apenas estipula que elas terão que vender 50% mais uma das ações para a estatal boliviana de petróleo e gás – possibilidade prevista na legislação.

E por que é importante que esses recursos naturais sejam controlados pelo Estado boliviano? Porque eles são a principal riqueza do país e são recursos não renováveis, que vão acabar nas próximas décadas. Assim, é questão estratégica para a Bolívia ter o controle sobre a política a ser seguida nessa área. Isso implica determinar preços, ritmo de exploração e todo um conjunto de questões relacionadas com o setor energético. Ao povo boliviano interessa que essas decisões sejam tomadas levando em conta as necessidades do país, e não a maximização de lucros das empresas estrangeiras lá instaladas.

Palmas para Morales.

Ao governo brasileiro e à Petrobrás, cabe negociar defendendo seus interesses, mas respeitando e compreendendo a decisão do governo boliviano.



Escrito por Cid Benjamin às 12h36
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A saída, onde está a saída?

Será que, antes de começar a greve de fome, Garotinho pensou em como sairia dela?

 



Escrito por Cid Benjamin às 12h36
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Quem te viu, quem te vê

As duas notas abaixo saíram ontem no Painel da Folha. A publicação ficou para hoje por falta de espaço. Mas elas não perderam a atualidade.

Very important...
Há poucos dias, quando aguardava em Guarulhos seu embarque para a Cidade do México, José Dirceu perguntou a funcionária da Varig se poderia esperar em local reservado. Ela sugeriu a sala VIP. Ele explicou que estivera lá, e que a receptividade dos demais passageiros não havia sido das melhores.

...político
Pedido atendido, Dirceu fez outro: queria embarcar por último. A funcionária aquiesceu. Quando o ex-ministro finalmente entrou no avião, ela, por curiosidade, interfonou a um colega para checar a reação a bordo. "Não teve jeito. Vaiaram", respondeu ele.

Para quem tem um ego descomunal, como Dirceu, deve ter doído.

 



Escrito por Cid Benjamin às 12h35
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Simancol nele

Estas também são do Painel da Folha, só que de hoje.

Dançou 1
Sábado, ao final da última apresentação do Ballet Nacional de Cuba em São Paulo, a platéia que lotava o Via Funchal ainda aplaudia em pé os bailarinos quando surgiu no palco um homem dizendo: "Pessoal, gostaria de ler aqui um pronunciamento do Ricardo Berzoini...". A casa veio abaixo em vaias.

Dançou 2
Por minutos a fio, o assessor petista, que estava no local acompanhado do deputado estadual Vicente Cândido, tentou iniciar a leitura. Mas as vaias não pararam. Ele acabou desistindo.

Não sei não, mas esse tal assessor parece ser um inimigo infiltrado nas fileiras do PT.



Escrito por Cid Benjamin às 12h34
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Os critérios de Berzoini

Esta observação foi feita por Jânio de Freitas, na Folha de ontem. Não há como deixar de dar-lhe razão.

Presidente do PT, Ricardo Berzoini lança, publicamente, a possibilidade de que o tesoureiro da campanha petista seja buscado fora do partido. O que o PT procura é uma pessoa eficiente na atividade.
Marcos Valério, ora essa. Não é do PT e já conhece os gostos da casa.

 



Escrito por Cid Benjamin às 12h33
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Mais um mensaleiro será absolvido hoje

O deputado mensaleiro Josias Gomes, do PT, será julgado hoje pelo plenário da Câmara. É pule de dez a absolvição. A opinião pública já se cansou desses processos e o voto secreto garante que os pizzaiolos ficarão protegidos.



Escrito por Cid Benjamin às 12h33
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Fidel: tentaram fuzilar Chávez durante o golpe frustrado de 2002

No livro Fidel Castro, biografia a dos voces (ainda sem tradução para o português), o presidente cubano deu detalhes ainda conhecidos sobre uma tentativa de assassinato do presidente Hugo Chávez durante o golpe de estado tentado pela direita em abril de 2002 e falou das articulações que fez com militares venezuelanos para reverter a situação. Fidel conta que ligou para o Palácio de Miraflores antes de Chávez ser preso e lhe disse: “Não te sacrifique, Hugo; não faça como Allende, que era um homem só; tu tens uma grande parte do Exército, não te sacrifique, nem renuncie.
Fidel, que tantos discursos fez ao longo de sua carreira política, deu poucas entrevistas, sobretudo entrevistas extensas. Em 50 anos, apenas quatro delas foram publicadas. A quinta, concedida ao diretor do Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet, virou o livro Fidel Castro, biografia a dos voces, depois de cem horas de conversação gravada.

O semanário Brasil de Fato publicou os trechos do livro que tratam da tentativa de assassinato de Chávez e da intervenção de Fidel durante o golpe de estado na Venezuela. Para lê-los, vá em http://www.brasildefato.com.br/brasildefato/v01/impresso/164/americalatina/materia.2006-04-26.9190228718



Escrito por Cid Benjamin às 12h33
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Manchetes desta quarta-feira

- O Globo: Lula reconhece direito de Bolívia nacionalizar gás

- Jornal do Brasil: Lula propõe contra-ataque em conjunto

- Folha: Brasil e Bolívia negociarão preço do gás

- Estadão: Bolívia garante fornecimento, mas gás deve subir 15%

- Correio Braziliense: O gás é deles. O prejuízo é nosso



Escrito por Cid Benjamin às 12h32
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Escrito por Cid Benjamin às 12h11
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Manchetes desta terça-feira

- O Globo: Bolívia nacionaliza refinarias e Petrobras pode perder US$ 1 bi

- Jornal do Brasil: Preço do gás vai subir

- Folha: Bolívia nacionaliza gás e petróleo

- Estadão: Bolívia nacionaliza petróleo e gás; Exército ocupa Petrobras



Escrito por Cid Benjamin às 11h42
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Carta à Coordenação da Consulta Popular – de César Benjamin - I

Publico aqui, dividida em quatro partes, carta de César Benjamin à coordenação da Consulta Popular, agrupamento do qual ele era dirigente. César foi indicado pelo PSol para concorrer à Vice-Presidência na chapa da senadora Heloísa Helena. O texto é mais longo do que os habitualmente postados aqui, mas, pela sua qualidade, merece ser lido.

Rio de Janeiro, 26 de abril de 2006

Prezados companheiros:

Comecei a reconhecer-me como militante de esquerda em 1967. São quase 40 anos. Quase todo o meu tempo de vida. Nos últimos meses, pela primeira vez, como alguns de vocês já sabem, tenho avaliado a possibilidade de me afastar, mesmo temporariamente. Tenho sentido a necessidade de buscar pontos de vista mais amplos.

A causa é a grave inflexão por que passou a esquerda brasileira. Em sua história, ela já correu muitos riscos. Em alguns momentos foi quase eliminada fisicamente. Porém, mesmo em minoria, mesmo fora de governos, mesmo perseguida, mesmo errando, aqui e em outros países, sempre concebeu para si um papel de vanguarda intelectual e moral. Isso foi decisivo para a sua auto-estima e sua sobrevivência, geração após geração.

A situação, agora, é inversa: sem saber como enfrentar um processo inédito – a dissolução de dentro para fora –, a esquerda corre o risco sair da história, mesmo que continue a existir fisicamente. Pois só mantêm-se, como forças vivas, movimentos que têm idéias e utopias.

Foi esse o patrimônio que perdemos. Vocês são testemunhas de que paguei alto preço para tentar preservá-lo.

***

“Se Deus não existe”, dizia Dostoiévski, “tudo é possível”. Nos últimos anos, gradativamente, tudo foi se tornando possível, com a cumplicidade de muitos, até que chegamos ao fundo do poço.

Hoje, bancos e empreiteiras fazem repasses milionários, regularmente, para o maior partido da esquerda brasileira, que passou a depender desses recursos para sobreviver. Importantes dirigentes atuam abertamente como lobistas de grandes empresas. Outros recorrem à Justiça para obter garantia do direito a mentir. O mais poderoso ministro do governo de esquerda, no exercício do cargo, prostituía meninas. A militância é vista como uma forma de ascensão social.

Há 30 anos, isso seria impensável. Há 20 anos, estaríamos diante de escândalos. Há dez anos, seriam motivos de inquietação e debate. Hoje são apenas fatos da vida. A traição perdeu a modéstia, e a esquerda passou para a retaguarda intelectual e moral da sociedade, uma grave inflexão.

Eu não sou desse tempo. E tenho memória. Por isso, retirei-me há mais de dez anos do PT e estou reavaliando caminhos.

Mas a vida é tinhosa. Justo nesse contexto de recolhimento, tristeza e reflexão recebi o convite inesperado, que agora vamos debater. Devemos debatê-lo com o coração aberto, pensando grande.

***

O estatuto de um povo, diante da história, não se resume ao que ele é em um dado momento. Define-se mais pelo que ele quer ser. Por seu horizonte de expectativas. Pois isso é que o coloca em movimento. É aí – e não na política econômica – que está o x da questão, quando avaliamos Lula e o PT.

Lula rebaixa sistematicamente o horizonte político e cultural do povo brasileiro, e precisa desse rebaixamento para se manter no poder. Pois só um povo mediocrizado aceita entregar sua consciência pelo medo de perder uma bolsa-família de, em média, R$ 60. Um povo culto e organizado, ou em processo de aprendizado e organização, conhecedor de seu próprio potencial humano, exigiria muito mais.

Por deseducar o povo, por desprepará-lo para construir o futuro – e não, basicamente, pelo nível da taxa de juros – é que Lula e o PT são nocivos. Quando forem derrotados – neste ano ou daqui a quatro anos, não importa – se a esquerda tiver continuado a ser cúmplice deles, não ficará pedra sobre pedra. É o grave risco que corremos, e que vocês subestimam. Passada essa aventura, perdidos cargos e verbas – neste ano ou daqui a quatro anos, repito – não teremos nem um povo mais consciente, nem quadros mais preparados para prosseguir a luta, nem uma juventude mais mobilizada, nem instituições republicanas mais avançadas.



Escrito por Cid Benjamin às 11h42
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Carta à Coordenação da Consulta Popular – de César Benjamin - II

(continuação – segunda parte)

Sem idéias a serem multiplicadas, sem exemplos a serem seguidos, sem coerência a ser cultivada, sem passado a ser lembrado, o lulismo já agoniza em praça pública. Não falo de Ibope, falo de História. Mas ele tem na reeleição – ou seja, no manejo de cargos e verbas por mais quatro anos – a possibilidade de prolongar sua agonia. A dúvida se resume à forma e ao ritmo da derrocada, bem como ao tamanho do estrago, já enorme, que deixará. Seja como for, não há mais futuro nele.

Dizia Marx, na Ideologia alemã, que a fórmula da ideologia havia sido dada por Cristo na cruz: “Eles não sabem o que fazem.” A milenar fórmula envelheceu. Pois eles sabem o que fazem e, assim mesmo, fazem.

Se Lula obtiver mais um mandato presidencial, tudo poderá acontecer. Quem ignora que ele já se tornou um político autônomo em relação aos movimentos sociais e ao próprio PT? Quem conhece seus compromissos? Que podres ainda não vieram à luz? Quem poderá dizer, sem hipocrisia, que foi surpreendido e traído por qualquer decisão que venha a ser adotada?

É preciso, pois, que a Consulta Popular diga claramente, desde já: não em nosso nome. Não com a nossa omissão. Mas a Consulta Popular hesita, talvez para deixar abertos os espaços aos que ainda desejam flertar com o lulismo.

***

Quando escrevi o texto “Decifra-me ou te devoro: a Consulta Popular e as eleições de 2006”, em janeiro deste ano, para o nosso debate interno, a possibilidade que agora discutimos ainda não fora aventada. Ali eu defendia o apoio à senadora Heloísa Helena, reconhecendo que sua candidatura padecia de limitações, que se estendiam ao seu partido, o PSOL.

Não recuo de nenhuma das minhas observações, e isso nunca foi sequer sugerido pelo PSOL, que mostrou grandeza. Pergunto-me, porém, se devemos usar as críticas aos outros para desqualificá-los, ou se devemos estar junto com eles, todos em boa-fé, em uma luta que é comum.

É verdade, a Consulta Popular tem méritos: não se organizou segundo o calendário eleitoral, mobilizou-se para produzir idéias, tem realizado um esforço sério de formação de quadros.

Não temos, porém, o monopólio da virtude.

(continua abaixo)



Escrito por Cid Benjamin às 11h41
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Carta à Coordenação da Consulta Popular – de César Benjamin - III

(continuação - terceira parte)

Por que não reconhecemos que a legalização do PSOL, com a coleta, nas ruas, de mais de 500 mil assinaturas, sem esquemas tradicionais, sem cabos eleitorais remunerados e sem corrupção, também resultou de um sério esforço militante?

Por que não admitimos que a existência de um partido de esquerda apto a disputar eleições presidenciais, embora não coincida exatamente com o caminho que escolhemos, abre uma alternativa a mais para a nossa própria luta?

Por que não pensamos como complementares, em vez de concorrentes, as diversas iniciativas renovadoras em curso dentro de uma esquerda em crise e cheia de incertezas?

Por que fechamos os olhos para o fato de que, na débâcle do petismo, a senadora Heloísa Helena e outros parlamentares optaram por não trair suas histórias de vida, recusaram o comodismo, aceitaram riscos e, por isso, são legitimamente reconhecidos como lutadores por uma parcela do nosso povo?

Por outro lado, não tem também a Consulta Popular as suas fraquezas? Uma delas – e não a menor – não será justamente a incapacidade de tomar decisões políticas coerentes com as análises que faz? Não é verdade que muitos movimentos sociais ainda se abrigam no guarda-chuva do lulismo e cultivam ambigüidades?

De que serve formar quadros, se em seguida recomendamos que se omitam?

De que serve lutarmos corajosamente na frente social, se somos covardes na luta política?

De que serve cultivar valores, se nos curvamos aos que praticam antivalores?

As perguntas poderiam se multiplicar.

***

Queiramos ou não, o fato político mais importante no Brasil, neste ano, serão as eleições presidenciais. Se a disputa ficar resumida a PT versus PSDB, haverá um só projeto colocado na mesa. E o debate se limitará, fundamentalmente, a duas questões: Quem roubou mais? Quem foi mais medíocre na condução do país?

O Brasil não merece isso.

Desde o início de seu governo, Lula fortaleceu a direita. Agora pede o nosso apoio porque a direita está forte. Mas, quem disse ao povo brasileiro que as posições da esquerda, nos últimos 20 anos, eram apenas bravatas? Quem reafirmou o neoliberalismo como única alternativa e deu novo fôlego a ele, quando o povo já o rejeitava? Quem descumpriu todos os seus compromissos? Quem colocou quadros da direita em postos-chaves do Estado? Quem compôs sua base com o rebotalho da política conservadora? Quem reafirmou os métodos da direita, inclusive a corrupção, espalhando descrença e cinismo, em vez de esperança? Quem liberou os transgênicos e sacramentou o latifúndio monocultor como modelo para o mundo rural brasileiro?

Também aqui as perguntas poderiam continuar. Basta, porém, afirmar claramente: não somos nós – nem é o PSOL – os responsáveis pelo fortalecimento da direita. O responsável é Lula.

***

O convite que recebi é especialmente honroso, porque inesperado e inusual. Não lidero nenhum grupo, não tenho votos ou esquemas, nunca me candidatei a cargo eletivo, não freqüento regularmente as páginas da grande imprensa, não sou nem quero ser celebridade. Nunca pleiteei um convite assim, que é, em geral, tão disputado. Como os demais militantes da Consulta, sou uma espécie de antítese do político profissional.

Ao me deparar com essa possibilidade, recolhi-me para refletir, pois a decisão sobre ela tem variadas dimensões, algumas de caráter estritamente pessoal. Disse logo, porém, que me sentia honrado e sensibilizado. Estava sendo sincero. Pela minha desimportância no processo político brasileiro, o gesto da direção do PSOL, que não vem acompanhado de nenhuma exigência descabida, contém uma dimensão de confiança pessoal maior do que aquela que tenho recebido na própria Consulta, onde muitas vezes sinto-me incômodo.

Não recusei a possibilidade aberta pelo PSOL, mas tampouco me deslumbrei com ela. Hoje, depois de um período de reflexão, disponho-me a aceitá-la.

Debaterei com vocês com o coração aberto, mas exigirei de todos, exatamente, o mesmo coração aberto. Não me deixarei impressionar por rancores, não serei levado por preconceitos e sectarismos, não aceitarei razões menores. E, em última análise, a decisão será minha, pelos aspectos pessoais que comporta.

***

(continua abaixo)



Escrito por Cid Benjamin às 11h40
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Carta à Coordenação da Consulta Popular – de César Benjamin - IV

(continuação - quarta e última parte)

Não é a luta interna de grupos que está em jogo, e muito menos uma carreira pessoal, que nunca desejei construir. É a possibilidade de, nos próximos meses, dialogar com milhares de pessoas sobre os destinos do Brasil. Difundir idéias. Espalhar esperança. Submeter nossas propostas ao debate público. Contribuir para o diálogo dentro da esquerda. E conferir, à nossa ação, uma meta-síntese: mobilizar e organizar, difundir o projeto popular, ajudando a consolidar, assim, uma organização mais permanente.

Ao refletir, busquei identificar qual seria a posição mais coerente com as nossas análises: o ciclo PT terminou; a esquerda social precisa romper os limites da ação reivindicatória e propor um projeto nacional; devemos encontrar uma meta-síntese para o período. E assim por diante.

No texto escrito em janeiro eu convocava a Consulta a esforçar-se para ajudar a formar uma frente antineoliberal no Brasil e identificava a candidatura de Heloísa Helena como portadora do maior potencial para isso. A história, inesperadamente, agora nos dá a chance de ocupar uma posição relativamente central nesse projeto. Eis o dado novo. Foi esta a mais surpreendente conclusão a que cheguei, e a mais importante. Ao aceitar o convite, serei apenas um instrumento desse projeto, e não o melhor instrumento. Todos sabem, há muito tempo, que considero que a Consulta Popular tem quadros mais capacitados para isso. Mais representativos. Situados em posição mais central na luta política. Mais hábeis na comunicação com o povo. Disse isso diversas vezes, em contextos em que a sinceridade dessa afirmação não podia ser questionada.

Neste momento, porém, por circunstâncias da vida, a tarefa apresentou-se a mim, por causa de um gesto de solidariedade, feito no ano passado, com a luta do PSOL para legalizar-se. O que foi, na época, apenas um ato formal – assinar uma ficha, dentro do espírito da chamada “filiação democrática”, que não impunha deveres militantes no novo partido – abriu, neste momento, possibilidades insuspeitadas.

É claro que sou grato ao PSOL e, em qualquer caso, estabelecerei com ele, bem como com seus aliados, uma relação de lealdade. Mas todos sabem que não sou um militante do PSOL.

***

Eu convido a Consulta Popular a dividir comigo essa responsabilidade. A possibilidade de vitória eleitoral praticamente inexiste, mas uma vitória política está ao alcance da mão. Se a crítica ao neoliberalismo for ouvida por muitos, se uma esquerda em via de renovar-se obtiver um apoio razoavelmente expressivo do povo brasileiro, se milhares de pessoas – especialmente, jovens e pobres – se organizarem nos próximos meses para uma ação especificamente política e se uma parte, ao menos, dessa mobilização prosseguir e se consolidar – se isso acontecer, terá valido a pena.

Para os que, de boa-fé, consideram que Lula pode ser atraído para posições mais progressistas – esta não é a minha opinião –, digo que a melhor maneira de obter esse resultado é contribuir para que uma chapa de esquerda tenha expressiva votação no primeiro turno das eleições presidenciais, tornando-se assim interlocutora obrigatória de um futuro governo.

A sociedade poderá nos impor a alternativa Lula-Alckmin em um segundo turno, e nesse caso teremos de debater o que fazer. Será legítima – embora não necessariamente correta – a posição do voto no mal menor. Mas é ilegítimo – e não apenas incorreto – que nós mesmos, desde já, ajudemos a construir esse cenário, ajoelhando-nos diante dos grandes partidos comprometidos com o status quo e abrindo mão da nossa identidade.

Neste caso, transformados em cúmplices da traição, não teremos autoridade moral para reagir à derrota que virá depois. A médio prazo, será um golpe fatal para os movimentos sociais e a Consulta Popular.

Sinceramente,

César Benjamin



Escrito por Cid Benjamin às 11h37
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Em breve, toda a turma reunida novamente

Esta nota foi publicada no blog do Noblat e retrata bem o Encontro Nacional do PT realizado no último fim de semana.

Por ampla maioria, os delegados ao Encontro Nacional do PT em São Paulo acabam de conferir a Lula o que ele lhes pediu ontem: liberdade incondicional para se aliar com quem quiser nas próximas eleições.

Isso significa: sacrificar o PT nas eleições estaduais para atrair o apoio de outros partidos na eleição presidencial.

Talvez seja um pouco demais imaginar Roberto Jefferson no palanque de campanha de Lula - afinal, foi ele que rompeu com a lei mafiosa do silêncio e que estragou tudo.

Mas Severino Cavalcanti (PP-PE), ex-presidente da Câmara, estará lá, sim, com toda certeza - por que não? Waldemar Costa Neto, presidente do PL, aquele que renunciou para não ser cassado, também.

Assim como José Janene (PP-PR), se a saúde permitir. E todos os mensaleiros absolvidos pela Câmara - afinal, gente, eles foram processados, julgados, absolvidos e ponto final. São inocentes, inocentes para todos os efeitos - e não se fala mais disso.

José Dirceu..., esse nem se fala. Estará no palanque que ajuda a montar viajando por aí incansável, de Caracas a Juiz de Fora. Outro dia foi aplaudido por alunos de uma universidade carioca. Deu autógrafos. Virou um pop star. Com méritos.

Sim, eu ia esquecendo de mencionar Palocci - ah, quanta saudade Lula sente dele, quanta falta ele faz ao país.

É fato que a economia não saiu dos trilhos, nem sairá. E que Lula não é maluco para romper compromissos assumidos em 2002 com os verdadeiros donos do poder.

Mas todos estávamos acostumados com a cara boa de Palocci, não é mesmo? Com aquela serenidade admirável, aquela extraordinária capacidade de mentir como se dissesse a mais pura verdade...

Bem, mas Palocci deverá ser candidato a deputado federal para ganhar imunidade e escapar de processos em instâncias inferiores da Justiça. E nessa condição, terá todo o direito de subir no palanque de Lula. Esperem para ver: será ovacionado.

Não posso garantir que o "nosso Delúbio" estará lá também. Mas se estiver será com discrição, talvez para segurar às escondidas a cigarrilha do chefe. No caso, o "chefe" é Lula.

Enfim, a turma se prepara para se reunir novamente, trabalhar junta novamente e - se Deus quiser - garantir a Lula mais quatro anos de governo.

Quanto ao PT, esqueça. Não se pode querer tudo ao mesmo tempo - a vitória de Lula e o resgate de um sonho que foi pelo ralo.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. (Ô Genoino, cadê você? Eu vim aqui só prá te ver...)



Escrito por Cid Benjamin às 11h36
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A mídia e a Bolívia

A imprensa brasileira está tratando a nacionalização do petróleo e do gás boliviano como usurpação dos direitos das companhias estrangeiras instaladas na Bolívia - dentre elas a Petrobrás. Só lendo-se todas as matérias é que se vê, perdido entre outras informações, que o decreto firmado por Evo Morales obriga as multinacionais a venderem 50% mais uma de suas ações na Bolívia para a estatal do petróleo e gás YPFB. Não se trata de expropriação.

O que a imprensa brasileira precisa dizer, também, é que a nacionalização do petróleo e do gás boliviano, ademais de um gesto de soberania, foi uma das principais promessas de campanha de Evo Morales. Assim, o decreto de nacionalização não deveria ser surpresa. Ou se esperava que Morales não cumprisse os compromissos de campanha? Há governantes na América do Sul com esse comportamento, mas, convenhamos, ele não é o mais recomendável.



Escrito por Cid Benjamin às 11h35
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O Globo versus Garotinho

Poucas vezes se viu, nos últimos tempos, campanha tão pesada como a das Organizações Globo contra Anthony Garotinho, cuja candidatura à Presidência não interessa ao Planalto. Mas, independentemente dos objetivos da Globo, a maior parte das matérias se sustenta jornalisticamente. São denúncias que exigem respostas. Reclamar de perseguição não basta. Se não quiser sair seriamente chamuscado, Garotinho precisa responder às denúncias. Greve de fome, só, não resolve.

Mas, no afã de torpedear a candidatura Garotinho, O Globo força a barra. Domingo, dia 30, reportagem na página 3 tem o título “Garotinho admite uso de avião de bandido”. O título induz a erro. Qual é a história: um criminoso preso teve os bens arrestados e eles estão sendo geridos por um administrador indicado pela Justiça; esse administrador arrendou o jatinho do criminoso a uma empresa que aluga aeronaves; e Garotinho alugou o jatinho nessa empresa. Dizer que ele “admite” o uso do avião de bandido é sugerir empréstimo e vínculo com o bandido.



Escrito por Cid Benjamin às 11h35
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Do ensino médio à UERJ, a crise – textode Milton Temer

Abaixo, artigo de Milton Temer, pré-candidato do PSol ao governo do Estado do Rio, publicado hoje no Jornal do Brasil.

Desgraça pouca é bobagem, avisa o dito popular. Pois o que vem de ruim, vem sempre em cascata.

Já não bastasse a absoluta incapacidade de o governo resolver democrática, justa e eficientemente a questão da segurança da cidadania. Já não bastasse o quadro dantesco da saúde, onde hospitais se transformam em depósitos de abandonados. Já não bastasse a transformação em rotina da apropriação indébita do patrimônio público, visando municiar caixas de campanha. Agora é a educação que vê a crise grave se alastrar por todos os seus segmentos, no Rio de Janeiro.

Há duas semanas, tratamos da greve do Sepe. Chamamos a atenção para o absurdo da mediocridade de salários pagos no ensino público médio, fundamental na formação de cidadania. Pois sem ver nada resolvido dessa luta, nova batalha se apresenta. Na conjuntura semanal, é o ensino superior que expõe as seqüelas de uma opção pela degradação estrutural das políticas públicas sob responsabilidade do Estado, hegemônica a partir do golpe de 64. Uma opção que é bem ilustrada no desmoronamento de paredes da UERJ – fadiga de material simbólica que não se limita, evidentemente, às estruturas de ferro e cimento do prédio majestoso do Maracanã. É na essência organizacional que se manifesta a degradação mais nociva. E aí está a tragédia real. Com a não substituição de equipamentos esgotados, mas principalmente com o congelamento salarial dos docentes, é a essência universitária que se corrói. Fenômeno semelhante ao que ocorre na segurança, na saúde, e nas áreas dependentes de políticas públicas de forma geral, gerando um cenário de decadência irreversível, se mantida a discussão de correção no âmbito exclusivo da forma de gerir o Estado.

(Leia a íntegra do artigo em www.jb.com.br)



Escrito por Cid Benjamin às 11h34
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Uma executiva no céu - I

Esta me chegou pela Internet e é muito boa. Ela me chegou como sendo de autoria de Max Gehringer e tendo sido publicado na revista Exame. Como é grande, vai dividida em duas partes.  

Foi tudo muito rápido.
A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso portal. Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas. Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:
- Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?
- No céu.
- No céu?...
- É. Tipo assim, o céu. Aquele com querubins voando e coisas do gênero.
- Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.
Apesar das óbvias evidências (nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular), a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que havia mesmo apitado na curva.
Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bônus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa. E foi aí que o interlocutor sugeriu:
- Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o síndico.
- É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?
- Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.
- Assim? (...)
- Pois não?
A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro. Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho:
- Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e...
- Executiva... Que palavra estranha. De que século você veio?
- Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo "executiva"?
- Já ouví falar. Mas não é do meu tempo.
Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.
- Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistêmica.
- É mesmo?
- Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando crachá . Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?
- Ah, não sabemos.
- Headcount, então, não deve constar em nenhum versículo, correto?
- Hã?

(continua abaixo)



Escrito por Cid Benjamin às 11h33
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Uma executiva no céu II

(continuação)

- Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.
- Que interessante...
- Depois, mais no médio prazo, assim que os fundamentos estiverem sólidos e o pessoal começar a reclamar da pressão e a ficar estressado, a gente acalma a galera bolando um sistema de stock option, com uma campanha motivacional impactante, tipo: " O melhor céu da América Latina".
- Fantástico!
- É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização de um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver. Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Acionista... Ele existe, certo?
- Sobre todas as coisas.
- Ótimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico por exemplo, me parece extremamente atrativo.
- Incrível!
- É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro, coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que  temos pela frente vai resultar em um turnaround radical.
- Impressionante!
- Isso significa que podemos partir para a implementação?
- Não. Significa que você terá um futuro brilhante se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno...



 

 



Escrito por Cid Benjamin às 11h32
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