Blog do Cid Benjamin


Explicação

Hoje, mais uma vez a atualização do blog vai tarde e meio sobre o desidratada. O motivo: a tal virose que me derrubou. Que, inclusive, segundo os últimos diagnósticos, está mais para dengue do que para virose.

Até segunda-feira.

 



Escrito por Cid Benjamin às 14h37
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Manchetes desta quinta-feira

- O Globo: Mensalão - Procuradoria já prepara novo pacote de denúncias

- Jornal do Brasil: Varig - Governo dos trabalhadores prejudica trabalhadores

- Folha: Justiça do Rio bloqueia bens da Varig

- Estadão: Planalto rompe acordo com estados

- Correio Braziliense: Aumenta a incerteza sobre futuro da Varig



Escrito por Cid Benjamin às 14h36
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Charge do dia

Charge de Aroeira publicada hoje em O Dia.



Escrito por Cid Benjamin às 14h35
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Frase do dia

“Não houve acusação ao PT, é bom ler a denúncia com muito cuidado. Houve acusação a indivíduos”, disse o ministro Tarso Genro. Tem razão Tarso. Só que a tal “organização criminosa”, denunciada pelo procurador-geral Antônio Fernando, tinha como chefes os mais importantes dirigentes do PT: José Dirceu, José Genoino, Silvio Pereira, Delúbio Soares. Por isso, é inevitável que ela seja confundida com o partido comandado pelos mesmos “indivíduos”, para lembrar a expressão usada por Tarso.



Escrito por Cid Benjamin às 14h34
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Itamar é mesmo pré-candidato?

Itamar Franco anunciou nesta quarta-feira que é pré-candidato à Presidência pelo PMDB e assegurou que vai levar seu nome à convenção do partido em junho. Itamar garantiu que não voltará atrás em sua decisão. A candidatura dele é aquilo que os antigos narradores de futebol chamariam de “caixinha de surpresas”. Se Itamar disputar mesmo a eleição, será sem dúvida um nome competitivo.



Escrito por Cid Benjamin às 14h33
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Quem paga?

Dirceu visitou Itamar em Juiz de Fora nesta quarta-feira, tendo conversado com o ex-presidente minutos antes do encontro deste último com Garotinho. Usou um jatinho Citation I, prefixo PT-WBY. O aviãozinho saiu de Sorocaba, pegou o ex-ministro petista em São Paulo e chegou a Juiz de Fora por volta das 11h40. Dirceu passou uma hora e meia com Itamar, voltou para o aeroporto local e o jatinho o levou de volta a São Paulo. Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, pergunta com razão: quem paga esse tipo de viagem?



Escrito por Cid Benjamin às 14h32
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Alckmin e a Nossa Caixa

Jaime de Castro Júnior, ex-gerente de Marketing da Nossa Caixa, confirmou em depoimento para o Ministério Público desvios e gastos irregulares no valor de R$ 48 milhões em publicidade sem licitação. De 2003 a 2005, durante 22 meses, o Nossa Caixa distribuiu verbas publicitárias sem licitação ou qualquer contrato. Mais: acusou um ex-assessor direto de Alckmin, Roger Ferreira, de participar do esquema. Para quem diz que, diante dos desmandos do PT, quer moralizar a administração pública, Alckmin vai mal.



Escrito por Cid Benjamin às 14h32
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Benedita, quem diria, está viva

Do blog de Fernando Rodrigues, da Folha On Line.

A Casa Civil está para exonerar o diretor-geral do Arquivo Nacional, Jaime Antunes, para nomear o petista Alexandre Rodrigues, indicado pelo PT do Rio e por Benedita da Silva. O Arquivo Nacional, como se sabe, é depositário dos arquivos que estavam na ABIN. Nesta quinta-feira, às 12h, haverá um ato na escadaria do Arquivo, na Praça da República, no Rio, pelo não-aparelhamento político da entidade.



Escrito por Cid Benjamin às 14h32
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Em defesa da raiva justa – poema de Mauro Iasi

Este belo poema me foi enviado de São Paulo pelo amigo baiano Alípio Freire. É em homenagem às mulheres da Via Campesina.

Destruíram tudo!
Cada semente,
anos de experiências,
cada descoberta, cada inovação.
Tudo foi pisoteado,
Com raiva, com ódio,
Com desprezo, irresponsavelmente...
Que desconsideração.
Não eram mais que brotos,
Mudas de futuro frágeis,
sonhos que germinavam,
sementes que ansiavam crescer.
Como é possível destruir
mais de vinte anos
mais de vinte anos
de esforços e sacrifícios?
O governo Lula
destruiu vinte anos
de sonhos e sementes
de mudas de futuro!
Que desconsideração.
Ainda bem
que temos mulheres
viveiros de sementes
preservadas.
Ainda bem
que mulheres camponesas
ainda miram o inimigo
e atacam
Com raiva
Com ódio
Com determinação
Elas carregam nossos vinte anos
no ventre fecundo
elas salvam nossas sementes
do solo infértil da acomodação.

Mauro Iasi - Abril de 2006



Escrito por Cid Benjamin às 14h31
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Manchetes desta quarta-feira

- O Globo: Mensalão - Procurador denuncia 40 e põe Dirceu como chefe de quadrilha

- Jornal do Brasil: O pesadelo dos escândalos - Supremo julga 40 do mensalão

- Folha: Procuradoria acusa petistas de formar organização criminosa

- Estadão: MP: PT formou organização criminosa para manter o poder

- Correio Braziliense: Procurador acusa os 40 do mensalão



Escrito por Cid Benjamin às 09h25
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Terremoto

A denúncia oferecida pelo procurador-geral da República. Antônio Fernando de Souza, está causando um verdadeiro terremoto político. Ela descreve o organograma e explica o funcionamento de “uma sofisticada organização criminosa”. Nomeia 40 de seus integrantes e aponta como chefe o ex-ministro José Dirceu e como seus braços-direitos a antiga cúpula do PT: o presidente José Genoino, o tesoureiro Delúbio Soares e o secretário-geral Sílvio Pereira.



Escrito por Cid Benjamin às 09h25
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Os crimes e o objetivo

O procurador Antônio Fernando descreve os crimes cometidos pela organização criminosa como formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva. E afirma que ela tinha como objetivo “garantir a continuidade do projeto de poder do PT”. Quem viveu o PT de dentro não se surpreende com essas conclusões.



Escrito por Cid Benjamin às 09h25
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O que dirá o PT agora?

Sempre que o PT se viu diante de denúncias desse tipo reagiu de duas formas: responsabilizou a direita e a mídia conservadora por elas ou culpou individualmente Delúbio Soares pelos malfeitos. Ontem, logo que soube do teor da denúncia de Antônio Fernando o PT ficou como que nocauteado e não tinha uma estratégia clara de defesa. Não sabia bem o que dizer. Mas vai ser difícil tentar desqualificar o denunciante.



Escrito por Cid Benjamin às 09h24
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Frase do dia - I

“A denúncia mostra que o presidente Lula não nomeou um Geraldo Brindeiro para a Procuradoria-Geral da República”, de Ricardo Berzoini, presidente do PT.

Ele não deixa de ter razão. Ao contrário do engavetador-geral Geraldo Brindeiro, nomeado por FHC, o atual procurador Antônio Fernando é um sujeito sério. Mas a essa altura, depois de tomar conhecimento de uma denúncia que é um verdadeiro exocet contra o PT e o governo Lula, é só isso que Berzoini tem a dizer como consolo?



Escrito por Cid Benjamin às 09h24
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Frase do dia – II

Do deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), que integrou a CPI dos Correios, sobre os 40 denunciados pela Procuradoria-Geral da República no escândalo do mensalão, no Painel da Folha de hoje:

-O número é significativo. Agora só falta o Ali Babá.



Escrito por Cid Benjamin às 09h23
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Sorte de Alckmin

O tucano Geraldo Alckmin tem tido sorte nos últimos dias. Quando veio à tona a história dos 400 vestidos de luxo recebidos por sua mulher, caiu Palocci e o assunto passou a ocupar a maior parte do noticiário. Agora, diante das notícias a respeito de suas ligações com o acupunturista chinês, aparece a denúncia do Ministério Público Federal.



Escrito por Cid Benjamin às 09h23
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Charge do dia



Escrito por Cid Benjamin às 09h22
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Mattoso preocupa o PT

Do Painel da Folha, hoje.

Tudo...

A ordem no PT é evitar a todo custo o depoimento de Jorge Mattoso à CPI dos Bingos. A primeira iniciativa é convencer o ex-presidente da Caixa a ir ao STF. Se não tiver sucesso, o próprio partido vai recorrer.

...menos isso

O estado emocional de Mattoso é de "total desequilíbrio", segundo um petista, o que só faz crescer o interesse da oposição em seu depoimento.

 



Escrito por Cid Benjamin às 09h22
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Dois recados

1. Excepcionalmente este blog só foi atualizado hoje na parte da tarde. Culpa de uma virose que me deixou de cama.

2. Caso você queira receber, por e-mail, de segunda a sexta-feira, as notas e artigos postados neste blog, é só fazer o pedido no campo dedicado aos comentários.



Escrito por Cid Benjamin às 15h39
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Manchetes desta terça-feira

- O Globo: Plano diretor - Barra pode ter mais obras; e favelas, maior controle

- Jornal do Brasil: Eleições 2006 - PT estimula bicadas entre tucanos

- Folha: PF descarta ouvir Bastos sobre violação do sigilo

- Estadão: PF não chama Bastos e devassa vida do caseiro

- Correio Braziliense: PF alivia Bastos, mas amplia cerco a caseiro



Escrito por Cid Benjamin às 15h36
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A polícia e os tiroteios – artigo meu publicado no Bafafá On Line

Não se sabe o que é pior: se o desastrado tiroteio desencadeado pela PM fluminense para prender um ladrão em Copacabana, que deixou como resultado dois mortos e cinco feridos, ou a aprovação da conduta dos policiais, expressada pelo comandante do batalhão em que estão lotados. É preciso que se compreenda de uma vez por todas que policiais só podem usar armas de fogo em duas circunstâncias: quando não houver qualquer risco de ferir inocentes ou para proteger sua integridade física. Veja abaixo artigo meu a respeito, postado no Bafafá On Line.

A Polícia Militar fluminense deu uma enorme demonstração de despreparo quando iniciou um tiroteio quinta-feira passada, em plena Avenida Atlântica, na perseguição a um ladrão.

O coronel Celso Nogueira, comandante do 19º Batalhão da PM, em Copacabana, passou um atestado retumbante de desconhecimento do que deve ser o trabalho policial ao elogiar a operação e avalizar a conduta de seus comandados.

Vejamos mais de perto o ocorrido.

Por volta das 16h30 foi dado o alarme de que havia ladrão num apartamento. Pouco depois, ele deixou o prédio com uma arma na mão. Imediatamente cerca de dez PMs, que tinham ido ao local, partiram em seu encalço, atirando. O ladrão trocou tiros com os policiais. Acabou morto, assim como um transeunte, atingido por uma bala perdida. Outras cinco pessoas ficaram feridas, entre elas um dos PMs, atingido na cabeça.

Diante desse resultado, cabe a pergunta: não teria sido melhor que o ladrão escapasse?

O comandante do batalhão afirma que não. Segundo ele, seus homens fizeram o que tinham que ser feito.

É evidente que ele briga com os fatos.

A polícia sempre teve o mau hábito de trocar tiros com bandidos em comunidades carentes. Uma simples leitura de jornais permite que se veja que, além dos envolvidos diretamente nos tiroteios, com freqüência há inocentes feridos ou mortos. Abre-se, então, invariavelmente uma discussão idiota: se a bala que atingiu o morador partiu da arma de um bandido ou da arma de um policial.

Ora, isso é irrelevante. Há aqui uma questão de fundo, que deriva da doutrina a ser seguida pela polícia. Seu papel é o de proteger os cidadãos. Sua atribuição de prender bandidos decorre daí. Se o preço para tirar um bandido de circulação é pôr em risco a vida de inocentes, é melhor não prendê-lo.

Só se justifica a troca de tiros entre policiais e bandidos em duas situações: quando isso não puser em risco a vida de terceiros ou em defesa da integridade física dos policiais.

Por isso, mesmo que sejam recebidos a bala numa comunidade carente, os policiais não devem começar uma troca de tiros. O recomendável é recuar e, depois de um trabalho de inteligência, dar o bote de forma precisa, sem pôr em risco a vida de terceiros.

Não é o que se vê na maioria dos casos. Não foi o que se viu na última quinta-feira em Copacabana.

Se nas edições do dia seguinte ao tiroteio na Avenida Atlântica os jornais não questionaram a ação policial, pelo menos no sábado O Globo o fez. Ouviu especialistas e ouviu também o comandante do batalhão em que são lotados os PMs envolvidos no caso. É um avanço. Uma abordagem assim ajuda a que se reflita sobre o que deve ser o trabalho da polícia.

É uma discussão necessária e que tem a ver de perto com a segurança da população – um dos seus direitos básicos, que deve ser garantido pelo Estado.

Que essa discussão seja travada. E – principalmente – que suas conclusões sirvam não só para nortear a ação da polícia nos bairros mais nobres, mas que sejam estendidas às comunidades carentes.



Escrito por Cid Benjamin às 15h36
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Charge do dia

Charge de Aroeira em O Dia de hoje.



Escrito por Cid Benjamin às 15h35
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Hoje ela é de Anthony Garotinho, pré-candidato do PMDB à Presidência:“Lula só aparece menos no Jornal Nacional do que o William Bonner e a Fátima Bernardes”. Claro que o fato de Lula ser, ao mesmo tempo, candidato e presidente ajuda, mas Garotinho não deixa de ter razão. Há mesmo uma super-exposição de Lula na Globo.



Escrito por Cid Benjamin às 15h34
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Lula deveria dormir mais cedo

Do blog do Josias de Souza, sobre matéria da Folha de hoje:

 

“No mesmo dia em que se reuniram na casa do então ministro Antonio Palocci para definir estratégias de sua defesa, Márcio Thomaz Bastos e o próprio Palocci estiveram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva até as 22h.

 

Já outros participantes da reunião na casa de Palocci, o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso e o advogado Arnaldo Malheiros, seguiram para um encontro com a cúpula da estatal num apartamento da Asa Sul, em Brasília.”

 

Como sabem os 22 leitores do blog, em reunião de criminalistas com criminosos não se discute senão o crime. Se fosse viva, a mãe de Lula decerto o teria mandado para a cama mais cedo na fria noite daquele fatídico 23 de março. Mães costumam farejar de longe as más companhias.



Escrito por Cid Benjamin às 15h33
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Alckmin e os “petistóides”

Incomodado com denúncias sobre favorecimento de seu médico acupunturista e de uma sociedade de que participa seu filho, o tucano Geraldo Alckmin reagiu como os que não têm muito a dizer: afirmou que as denúncias foram feitas por “petistóides”. Ora, não interessa quem faz uma denúncia de corrupção ou mesmo sua motivação, mas sim se ela é ou não verdadeira. Por isso, invés de inventar um neologismo engraçadinho, Alckmin deveria defender-se das acusações.



Escrito por Cid Benjamin às 15h33
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A bobagem do voto nulo

É impressionante que os defensores do voto nulo não se dêem conta de que se as pessoas mais conscientes e mais críticas em relação às bandalheiras dos políticos resolverem votar nulo, vai piorar ainda mais o perfil dos eleitos. A votação dos “mais de 300 picaretas” não vai se abalar muito. Ao contrário, será proporcionalmente maior. Já a dos candidatos éticos é que será atingida. Eles é que receberiam o voto da maioria dos defensores do voto nulo.



Escrito por Cid Benjamin às 15h33
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Magistério degradado – artigo de Milton Temer

Este artigo do Temer, pré-candidato do PSol ao governo do Rio, foi publicado hoje no Jornal do Brasil.

Sou de uma geração formada na educação pública. Do primário ao término do curso na Escola Naval, me habituei a olhar as escolas ''particulares'' como boates. ''Pagou, passou'', era o que se dizia delas na década dos 50. Cassado em 64, fui trabalhar na loja de tecidos de meu pai em Vila Isabel; um também armarinho que tratava suas ''freguesas'' com muita cortesia. Mas cortesia extrema, ia para uma categoria profissional específica: as professoras da maior escola pública do bairro, a República Argentina.

E havia um mote concreto para tal, além da relação afetiva com o meu passado de ex-aluno. Sendo as melhores clientes, não deixavam lacuna no cumprimento de compromissos com o livro de venda ''fiada'' que constituía o forte da receita da Casa Simpathya. E por uma razão muito simples: as boas condições salariais da profissão que minha própria irmã havia escolhido, com valor inicial correspondente ao que eu recebia no posto de Segundo-Tenente da Marinha, que então já alcançara. Condições que o golpe da direita começaria a degradar, com o estímulo à privatização da educação e saúde públicas, que ali se iniciava.

Se recorro a reminiscências, é por conta da atual greve da rede estadual de ensino. É por conta da angústia sentida, ao acompanhar a assembléia de sexta-feira última, em que professores e funcionários do ensino médio público se mantinham mobilizados contra o governo do Estado. Num ginásio superaquecido, demonstravam o espírito combativo, buscando caminhos de modificar o quadro profissional macabro imposto àqueles e àquelas que optaram por esta carreira missionária, sem se dar conta da verdadeira armadilha existencial em que entravam. Uma armadilha que mantém inalterado, desde 1994, um padrão salarial injusto, onde o teto beira R$ 1.000,00 para quem cumpriu 25 anos respirando pó de giz, preparando aulas e corrigindo provas. Isto, para os professores, todos com formação universitária. Imaginem o que sobrou para o quadro administrativo.

Poucos, na plenária, conseguiam disfarçar o empobrecimento evidente nos trajes, certamente adquiridos em lojas de produtos baratos, num contraste gritante com a imagem, que naquele momento me vinha à mente, das professoras circulando na loja de meu pai. E me dava conta da demagogia do grande patronato que, do alto de suas contas bancárias, invoca o baixo índice educacional brasileiro, como forma de justificar os salários de miséria que pagam a seus funcionários, nos ramos comercial ou industrial em que operam.

''Greve de professores só desorganiza a vida dos alunos que ficam sem aula'', gritam os de visão curta, e pouco generosa. Verdade, mas é visão curta e pouco generosa, pois os que assim se expressam não abrem mão de suas reivindicações quando se sentem ameaçados por condicionamentos até bem menos degradantes dos que os impostos aos profissionais da educação pública. Melhor fariam se tomassem conhecimento das não pouca atividades nas coletividades escolares, com trabalhos paralelos, extra-curriculares, durante a greve.

Mantenham a política de desqualificação da escola pública, que mesmo o governo petista não conseguiu modificar - pelo contrário; no âmbito da União, estão aí as subvenções e isenções às universidades privadas, por conta de contestáveis programas assistenciais -, e criamos o cenário para um mergulho na barbárie em futuro não muito distante. Continuem privilegiando pagamentos de juros ilegais, de uma dívida pública, nunca auditorada a despeito de exigência constitucional, desde 1988; continuem realizando obras de fachada, eleitoreiras, no âmbito dos Estados; continuem surrupiando as verbas educacionais na área dos municípios, e continuem a não compreender o porquê da crescente violência urbana, achando que vamos liquidá-la com mais repressão; com mais ''caveirões''.

Que esta greve chegue a termo, com a recuperação significativa das perdas salariais provenientes do congelamento de 10 anos, mas também com a implantação de uma política educacional que proporcione melhores condições materiais para a escola pública, além de garantia de constante aperfeiçoamento do quadro de docentes. Sem isso, não adianta insistir na publicidade das ''10 mil obras'', porque, mesmo reais, o cimento nelas despendido não tem perenidade garantida. Mas o efeito positivo de educação gratuita, e de boa qualidade, este certamente tem.



Escrito por Cid Benjamin às 15h32
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Manifesto do Sindicato dos Jornalistas

O Sindicato dos Jornalistas do Rio, do qual sou secretário-geral, atualmente em campanha salarial, está esbarrando numa impressionante intransigência das empresas. Dado que uma imprensa de qualidade é de interesse da sociedade, a questão foge dos marcos corporativos. Por isso, publico aqui este manifesto.

Exija informação de qualidade

A ética e a qualidade do jornalismo são primordiais ao avanço de uma sociedade. A imprensa carioca, que já foi a mais influente na formação da consciência crítica nacional, passa por tempos difíceis. O oligopólio é uma das ameaças à saúde de uma imprensa livre. Os constrangimentos e as más condições de trabalho dos jornalistas também prejudicam a circulação de notícias, submetendo o noticiário ao interesse de grupos políticos ou empresariais.

Os jornalistas cariocas estão em campanha salarial. Em 2005, o aumento de faturamento com publicidade foi de 14%. Foi o segundo ano consecutivo de crescimento estrondoso do lucro de rádios, jornais e TVs. Essas empresas oferecem aos jornalistas um reajuste salarial inferior ao INPC, de 4,85%. E não aceitam discutir aumento real. As redações estão sendo reduzidas por políticas de demissão e concentração da informação. A mesma matéria é usada por vários veículos, comprometendo a diversidade da informação.

Os jornalistas também reivindicam um período para a reciclagem profissional daqueles que levam as notícias até você e medidas concretas para proteger a vida dos que cobrem o dia a dia da violência.

Você pode ajudar a melhorar o jornalismo que você vê, ouve e lê. Fale com seu jornal, sua rádio, seu site ou sua emissora de TV e manifeste apoio aos jornalistas cariocas. Exija informação de qualidade.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro - www.jornalistas.org.br



Escrito por Cid Benjamin às 15h31
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Justiça de classe

Não fosse ter sido flagrada pelas câmeras de TV sendo orientada pelo advogado a chorar durante uma entrevista, a jovem Suzane Richthofen, réu confessa da morte dos pais, ainda estaria em liberdade. Não sou que acusados aguardem o julgamento em liberdade. Mas chama a atenção que os dois cúmplices de Suzane, de extração social mais baixa, não estivessem gozando o mesmo direito.



Escrito por Cid Benjamin às 15h31
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Manchetes desta segunda-feira

- O Globo: Sob pressão, Thomaz Bastos antecipa ida ao Congresso

Jornal do Brasil: Caso do Caseiro - Escândalo contamina ministro da Justiça

- Folha: Serra mantém a liderança em SP

- Estadão: Sob pressão, Bastos quer ir logo ao Congresso

- Correio Braziliense: Sob pressão, Bastos antecipa sua defesa



Escrito por Cid Benjamin às 10h41
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Charge do dia

— Você viu o que eu vi, Dedeu?
— Eu esperava mais deste rapaz, Osmar...

Charge de Chico Caruso publicada hoje no Globo. 



Escrito por Cid Benjamin às 10h41
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Frase do dia

“Diz que ele mandava. Que se amasse era pra fazer”, do advogado Mário Sérgio de Oliveira a Suzana Richthofen, réu confessa do assassinato dos pais. As palavras do advogado, instruindo Suzana para que acusasse o ex-namorado pelo crime, foram captadas pelo microfone da TV Globo.



Escrito por Cid Benjamin às 10h39
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Inquérito interno do PT desmente Okamotto

Depoimento dado em 1997 pela ex-prefeita de São José dos Campos e atual deputada-dançarina Ângela Guadagnin (PT-SP) a uma comissão de inquérito de seu partido pode complicar a vida de Okamotto. Ele joga por terra a versão deste último à CPI dos Bingos. Okamotto garantiu que nunca tentou obter junto a prefeituras do PT a relação de seus fornecedores. No depoimento que deu em 1997, Ângela – que não pode ser acusada de se alinhar com os adversários do PT - afirmou que Okamotto a procurou para se informar sobre fornecedores da prefeitura, com a intenção de captar recursos para o PT.



Escrito por Cid Benjamin às 10h38
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Okamotto, o Fiat Elba de Lula?

O colunista Elio Gaspari diz, em sua coluna publicada no Globo e na Folha neste domingo, algo que já tínhamos antecipado aqui: “São muitas as coisas que Lula não sabe, mas Nosso Guia sabe, que se o sigilo bancário de Paulo Okamotto for aberto, sua candidatura à reeleição será um capítulo encerrado”, afirma Gaspari.

Okamotto pode ser para Lula o que o Fiat Elba foi para Collor. Ele movimentava “recursos não contabilizados” do PT e, ao mesmo tempo, pagava dívidas pessoais de Lula. Essa mistura explosiva já derrubou um presidente...



Escrito por Cid Benjamin às 10h38
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DataFolha: Garotinho é a novidade

A grande novidade da pesquisa DataFolha divulgada neste domingo não é tanto a situação dos primeiros colocados, mas a evolução de Anthony Garotinho. O ex-governador fluminense aparece com 15%, a cinco pontos percentuais de Geraldo Alckmin. Caso ele chegue em junho a um patamar em torno de 20% e Alckmin continue a patinar, vai ser difícil que a quinta coluna governista no PMDB consiga evitar que o partido tenha candidatura própria.



Escrito por Cid Benjamin às 10h37
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Lula caiu na cilada do mercado, diz Nobel de Economia

Em entrevista concedida à Folha, Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia e ex-assessor de Bill Clinton, diz que Lula preferiu abrir mão da plataforma social que o elegeu e "agradar o mercado financeiro". Lula caiu na armadilha do mercado", diz Stiglitz. Segundo ele, a política de manutenção de juros altos prejudicou claramente a economia e teve como único resultado agradar Wall Street.



Escrito por Cid Benjamin às 10h37
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Filhos de Alckmin e de seu acupunturista são sócios

Para quem quer se apresentar como exemplo de ética e fazer um contraponto aos desmandos do PT na administração federal, o tucano Geraldo Alckmin vai mal. Depois do mal explicado caso dos 400 vestidos de sua mulher, agora é o filho do ex-governador de São Paulo quem aparece metido em transações suspeitas.

A ligação do médico acupunturista Jou Eel Jia com o ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência, vai além da relação entre médico e paciente e se estende por laços familiares. Thomaz Rodrigues, 22, filho de Alckmin, e Suelyen Jou, 23, filha de Jia, são sócios em uma loja de produtos naturais, e pacientes do acupunturista são orientados a procurar a empresa da filha quando "não encontram ervas medicinais" receitadas.

A J.T. Comércio e Distribuidora de Produtos Naturais foi constituída em julho de 2004 com capital social declarado de R$ 100 mil. Segundo a Junta Comercial de São Paulo, Suelyen tem participação de R$ 51 mil no negócio. Thomaz, R$ 49 mil. A administração do negócio, segundo a Junta Comercial, cabe a Thomaz. A empresa funciona num sobrado na Aclimação (centro de São Paulo).

A assessoria de imprensa do ex-governador informou que Alckmin não deu os recursos para que Thomaz investisse na empresa. A assessoria também afirmou não saber se o capital social está totalmente integralizado à empresa. Thomaz, que é estudante de direito, não foi localizado. Na sexta-feira, segundo a assessoria de Alckmin, ele estava na Bahia.

Na semana passada, a Folha informou que uma revista de Jou Eel Jia, a "Ch'an Tao", recebeu R$ 60 mil em publicidade da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista em 2005. Outros R$ 60 mil já foram aprovados para a próxima edição, que deve ser publicada no mês que vem. Alckmin é o destaque na capa da revista deste mês. Ele concedeu uma entrevista exclusiva ao magazine. O ex-governador aparece em nove páginas, seja em fotos ou depoimento. O jornal O Globo revelou ontem a sociedade de Thomaz com a filha do acupunturista.

Jou Eel Jia costuma ministrar cursos de acupuntura e de medicina tradicional chinesa a servidores estaduais. Um convênio com a Secretaria Estadual de Educação, assinado em novembro de 2003, permitiu o treinamento de professores em técnicas de meditação chinesa. A assessoria do ex-governador informou que Jia não cobra nada pelos cursos. O Estado paga apenas despesas com transporte e refeição, mas somente dos alunos.

Em agosto de 2003, um convênio entre a Secretaria Estadual da Saúde e a Associação de Medicina Tradicional Chinesa do Brasil, de Jia, autorizou a realização de curso de especialização em acupuntura para médicos e profissionais da saúde. O Estado cedeu um espaço para as aulas no Hospital do Mandaqui. Segundo a assessoria de Jia, 40 médicos freqüentaram o curso, que durou dois anos. Cada aluno pagou R$ 250 por mês -R$ 10 mil mensais, no total.

Na página na internet da Associação de Medicina Tradicional Chinesa do Brasil a ligação com os Alckmin é destacada. "O SPA Ch'an Tao [também de propriedade de Jia] hospeda membro do clã Alckmin: Thomaz Rodrigues", é uma das chamadas. Na matéria "Carandiru pode abrigar espaço para meditação", Jia é citado como "especialista em medicina oriental que atende o governador Geraldo Alckmin há três anos".

Outra matéria, "Meditação ao ar livre", mostra a proximidade entre paciente e médico: "A idéia surgiu em um bate-papo entre o governador Geraldo Alckmin e seu acupunturista Jou Eel Jia... O doutor Jou falava da prática de atividades zen nos parques da China, seu país de origem, e o governador lhe pediu que planejasse algo semelhante para cá".



Escrito por Cid Benjamin às 10h37
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Delegado do caso Celso Daniel agora é alvo de investigação

Esta matéria foi publicada na Folha de sábado. O assassinato de Celso Daniel continua como um esqueleto no armário do PT.

O delegado Armando de Oliveira Costa Filho, que investigou o assassinato do prefeito Celso Daniel (PT) e concluiu por crime comum, virou alvo de investigação sigilosa movida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Corregedoria Geral da Polícia Civil por suposto enriquecimento ilícito.

Os procedimentos foram abertos após o recebimento de uma denúncia anônima, supostamente escrita por um policial civil, que acusou Costa Filho de ter recebido dinheiro do PT para abafar o inquérito sobre a morte de Daniel. O delegado afirmou que a acusação contra ele é uma "piada".

Para a Promotoria Criminal de Santo André, a morte do petista está associada a um esquema de corrupção montado na Prefeitura de Santo André (SP) para financiar campanhas eleitorais do PT, inclusive a que levou Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, à Presidência da República.

Na denúncia anônima, datada de 7 de setembro de 2005, além da acusação de recebimento ilegal de dinheiro do PT, Costa Filho teria desviado policiais do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) para uma empresa de segurança privada registrada em nome da mulher dele, Rosângela de Oliveira Costa.

Como funcionário público, o delegado não pode ser sócio em empresas privadas.

A promotora da Cidadania que apura o caso, Andréa Chiaratti Rodrigues Pinto, pediu a quebra dos sigilos bancário do delegado e da mulher. O objetivo, informou ela no procedimento, é verificar a compatibilidade entre os vencimentos e o patrimônio do casal.

Ao procedimento, foi anexada cópia de reportagem sobre o pagamento de R$ 545 mil feito por Marcos Valério ao ex-procurador-geral Aristides Junqueira, contratado pelo PT para defender o partido durante as investigações do caso Celso Daniel.

Foi incluída ainda a lista entregue por Valério à CPI dos Correios com a relação dos sacadores do "mensalão", na qual consta "Armando Costa". Segundo o publicitário, trata-se de um ex-deputado mineiro do PMDB, homônimo do delegado. O político nega ter recebido dinheiro do PT.

A Folha apurou junto à Receita Federal que Rosângela, casada com o delegado, é proprietária da Suporte Assessoria em Segurança Ltda., desde outubro de 2001, com atividade de vigilância e segurança privada. Pelo telefone registrado em nome da Suporte, em Alphaville, uma funcionária informou ser a corretora de seguros Yashaya. Questionada sobre a Suporte, ela explicou que a sede da "empresa do dr. Armando" é no mesmo endereço da corretora, mas que funciona em outro lugar. Segundo ela, o delegado e a mulher vão "muito pouco" à sede.

Em ofício enviado à promotora, o diretor do DHPP, Domingos Paulo Neto, se opôs à investigação e defendeu que a apuração ficasse restrita à corregedoria. Costa Filho é uma das testemunhas de defesa do empresário Sérgio Gomes da Silva, apontado pelo Ministério Público como o mandante do assassinato de Celso Daniel.

Ele começou a investigar o crime um dia depois de o corpo de Daniel ter sido encontrado, e encerrou o inquérito depois de cerca de 70 dias. Disse que o prefeito havia sido vítima de crime comum.



Escrito por Cid Benjamin às 10h36
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Nossa América - artigo de César Benjamin I

Três regiões participam hoje, ativamente, da grande disputa mundial por riqueza e poder: a América do Norte, a Europa e o Leste da Ásia. A primeira é diretamente controlada pelo megaestado dos Estados Unidos, que consolidou seu domínio regional com o acordo do Nafta e pretende expandi-lo para todo o Hemisfério por meio da Alca. A segunda está em processo de unificação, com a formação de um megaestado continental, a União Européia. A terceira conta com pelo menos dois megaestados – o Japão e a China – com marcante atuação regional; a fortíssima integração é um dos motivos do êxito das economias asiáticas.

Três outras regiões do mundo não definiram projetos regionais nem construíram estruturas políticas capazes de levá-los adiante: o Oriente Médio, a África e a América do Sul. A primeira está sob ocupação militar. A segunda permanece paralisada por níveis de pobreza muito elevados e contenciosos internos muito graves. 

Das regiões periféricas, é a América do Sul aquela que apresenta as melhores condições para constituir um projeto próprio. Nossas nações compartilham as mesmas aspirações por soberania, desenvolvimento e justiça. Nossos povos podem construir com facilidade uma identidade comum. Nossas economias são complementares. Em um mundo cada vez mais ameaçado pela escassez, contamos com recursos naturais abundantes, inclusive os energéticos e os biológicos, que serão cada vez mais importantes. Temos acesso aos dois grandes oceanos. Temos também indústrias, universidades e centros de pesquisa.

Uma região que, no século XXI, pode ser facilmente superavitária na produção de alimentos e de energia não pode aceitar passivamente a pobreza de suas populações e a condição periférica no mundo.

A construção da unidade continental é um sonho que percorre a nossa história. Está presente na vida e na obra dos nossos melhores intelectuais, lutadores e estadistas – o venezuelano Simon Bolívar, o cubano José Marti, o peruano José Carlos Mariátegui, o argentino Ernesto Guevara, o brasileiro Darcy Ribeiro, para citar apenas alguns.

Em períodos anteriores, pelo menos três causas impediram que essa unidade prosperasse:

(a) Durante a maior parte de nossa história, fomos economias primário-exportadoras, cujos centros dinâmicos ligavam-se diretamente ao exterior e eram comandados de lá. A infra-estrutura unia regiões exportadoras aos portos e estes, diretamente, à Europa ou aos Estados Unidos, de onde importávamos produtos industriais. As elites que comandavam essas economias articulavam-se muito mais fortemente com os centros estrangeiros do que com suas próprias sociedades.

(b) Permaneceu existindo um vazio econômico e demográfico no coração do continente, ocupado pela região amazônica e sua extensa periferia, onde predominavam atividades extrativistas dispersas. As distâncias interiores eram quase intransponíveis.

(c) O processo histórico de formação de nossas sociedades produziu diferenciações. No Brasil, na Venezuela, na Colômbia, no Chile e na Argentina predominaram povos novos; eles foram formados já no mundo moderno pela mistura de grupos humanos originários da própria América, da Europa, da África e até da Ásia, usados como força de trabalho pelo capitalismo europeu. Na Bolívia, no Peru, no Paraguai e no Equador predominaram povos herdeiros das civilizações pré-colombianas, cuja identidade está pulsando com cada vez mais força no continente.

(continua abaixo)



Escrito por Cid Benjamin às 10h35
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Nossa América – artigo de César Benjamin II

(continuação)

Estão dadas as condições para superar esses fatores que impediram um projeto regional.

(a) Dos esforços desenvolvimentistas do século XX herdamos economias mais industrializadas, capacidade técnica mais desenvolvida e mercados internos mais fortes, além de uma incipiente rede de infra-estrutura voltada para efetuar ligações internas.

(b) O papel da Amazônia mudou. No século XXI, no lugar de um vazio econômico e demográfico, ela terá de constituir a base geográfica de um novo projeto comum de cooperação e desenvolvimento, capaz de garantir o controle de nossos povos sobre recursos estratégicos – como água doce, biodiversidade, fontes de energia e minerais –, além do domínio das biotecnologias.

(c) Cada vez mais, nossos povos têm de enfrentar juntos aquele que é o seu maior desafio, o de controlar os processos que definem o curso de sua própria história. Os povos herdeiros das civilizações pré-colombianas perderam o controle de sua história com a invasão européia. Os povos novos, formados depois da invasão, nunca tiveram esse controle. A modernidade européia, continuada na fase de hegemonia dos Estados Unidos, mantém todos os povos da América do Sul na condição comum de povos-objeto. Isoladamente, nenhum deles conseguirá tornar-se sujeito de sua própria história. É o que justifica o antigo sonho da unidade continental.

Neste início de século XXI, teremos de decidir: ou seremos incorporados à área sob controle direto do megaestado dos Estados Unidos, que no futuro poderá vir a ser formalmente declarada como a área do dólar, ou constituiremos uma área regional autônoma de cooperação e desenvolvimento, que poderá vir a ser o embrião de uma federação sul-americana. Há uma bifurcação em nosso caminho.

Os adversários da América do Sul têm o seu projeto: criação da Área de Livre Comércio das Américas; dolarização progressiva do continente; desnacionalização das economias e dos recursos naturais; transformação dos Estados nacionais em reféns do sistema financeiro internacional; isolamento ideológico e enfraquecimento das forças armadas; presença militar crescente dos Estados Unidos, especialmente na região amazônica; cooptação das elites pensantes e controle dos meios de comunicação de massa.

Mas, em quase todos os países, forças políticas cada vez mais representativas reconhecem que um projeto sul-americano alternativo é necessário e viável. Elas vêm obtendo sucessivas vitórias. Está no fim o ciclo da aventura neoliberal. Inicia-se um novo período da nossa existência.

O projeto sul-americano reforçará as tendências, já existentes, que apontam para o trânsito da unipolaridade para uma nova multipolaridade na geopolítica mundial. É preciso defini-lo com clareza e viabilizá-lo politicamente. O papel do Brasil é insubstituível. Precisamos deixar para trás a posição ambígua que temos tido e assumir claramente que a unidade da América do Sul tem de ser um elemento-chave da nossa política externa.

Um ambicioso projeto comum para a Amazônia, a integração da matriz energética continental e a criação de uma moeda contábil para regular o comércio intra-regional, de modo a libertá-lo da dependência do dólar, podem ser os primeiros grandes passos nessa direção. Estão ao alcance dos governos progressistas da região.

 

Este texto foi publicado na edição de março de 2006 da revista Caros Amigos. César Benjamin é autor de A opção brasileira (Contraponto, 1998, décima edição) e Bom combate (Contraponto, 2005). Alguns artigos seus estão publicados na página www.contrapontoeditora.com.br. Integra a coordenação nacional do Movimento Consulta Popular.



Escrito por Cid Benjamin às 10h34
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Dois recados:

1) Se você gosta de samba e chorinho, não pode perder a roda que eu e o Chico Alencar organizamos para a segunda-feira próxima, a partir das 19h, no Far Up, na Cobal de Botafogo. Vai estar lá um pessoal da pesada. É uma atividade da nossa dobradinha para as eleições deste ano, pelo PSol: Chico concorrerá à reeleição como deputado federal e eu disputarei uma cadeira de deputado estadual. O ingresso vai custar R$ 10 (estudante paga meia entrada).

2) Caso você queira receber, de segunda a sexta-feira, as notas e os artigos postados neste blog, é só fazer o pedido no campo destinado aos comentários. Até agora eu estava atualizando o blog também aos sábados, mas isto está se tornando impossível por questões de tempo. Assim, salvo em caso de "edições extras", ele só terá novidades de segunda a sexta.



Escrito por Cid Benjamin às 10h38
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Manchetes desta sexta-feira

- O Globo: Onde está a ética? Absolvição põe Câmara em crise e 4 deixam Conselho

- Jornal do Brasil: Alerta vermelho - Pânico e morte em Copacabana

- O Dia: Jornalista pode ter feito Palocci quebrar sigilo

- Folha: Conselho de Ética se rebela após absolvição

- Estadão: Revolta no Conselho de Ética: 6 deputados saem

- Correio Braziliense: Absolvição de mensaleiro implode Conselho de Ética



Escrito por Cid Benjamin às 10h31
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Frase do dia

É de Joelmir Betting, que definiu assim o diálogo de Lula com o astronauta brasileiro Marcio Pontes: “Um no espaço, o outro nas nuvens”.



Escrito por Cid Benjamin às 10h31
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Charge do dia



Escrito por Cid Benjamin às 10h30
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Linha direta

Ao contrário do que deve ter imaginado seu colega de partido e deputado Jorge Bittar (PT-RJ), que o xingou de “filho da puta”, “canalha” e “Judas”, o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), agiu sintonizado com o Planalto. Lula conseguiu o que queria: nem ele, nem o filho foram indiciados. Lavou as mãos para o resto: PT, Dirceu, Gushiken ou Genoino. Aliás, o primeiro na lista de destaques ao relatório que o PT tanto queria votar era um do senador Álvaro Dias (PSDB-PR): pedia o indiciamento de Lula.



Escrito por Cid Benjamin às 10h26
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“Não me deixem só”

O objetivo de Lula era compor em torno a sua candidatura à reeleição uma ampla coligação, incluindo quatro partidos, além do PT e dos aliados tradicionais: PC do B e PSB. Assim o objetivo era contar também com o apoio de PMDB, PTB, PP e PL. Com a crise e a verticalização, Lula deve ficar só com o PC do B. Os outros apoios não serão formalizados, limitando-se à ajuda em alguns estados. E não contarão para aumentar o tempo de TV do candidato.



Escrito por Cid Benjamin às 10h25
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Economia ou promiscuidade?

Lula aproveitou a reinauguração do Alvorada na noite de ontem para se insinuar aos empresários que pagaram os R$ 18,4 milhões na reforma, dizendo que o Palácio do Planalto também precisa de obras. Num rápido discurso, o presidente afirmou que só ele teve a "coragem" de levar adiante a restauração do Alvorada. Por que isso exigiria coragem, não explicou. Já disse aqui neste blog, e repito: não me parece apropriado que reformas na residência oficial do presidente sejam pagas por empresas.



Escrito por Cid Benjamin às 10h25
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Pau puro

O programa de TV do PDT na noite de ontem antecipou o que será a campanha deste ano: foi pancada em cima de pancada no PT e no governo Lula. Bem feito e com forte apelo popular, o programa deve ter surtido o efeito desejado por seus idealizadores. As orelhas de Dirceu, Genoino, Gushiken e outros menos votados devem estar ardendo até agora.



Escrito por Cid Benjamin às 10h25
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Meirelles na mira

Josias de Souza informa, em seu blog na Folha On Line, que o ministro Joaquim Barbosa votou ontem favoravelmente, no plenário do STF, à quebra de sigilo bancário do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Barbosa divergiu da posição do relator do caso, ministro Marco Aurélio Mello. O julgamento do caso começou em dezembro do ano passado. Foi suspenso depois que Barbosa pediu vista do processo para analisar o voto do colega Marco Aurélio.

O pedido de quebra de sigilo de Meirelles foi feito pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa. O Ministério Público investiga a suspeita de que Meirelles tenha enviado dinheiro ilegalmente para fora do país. Apura também suposta sonegação de tributos por parte do presidente do BC.

Será que, depois de perder Palocci, Lula perderá também Meirelles?



Escrito por Cid Benjamin às 10h24
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Seduzido e abandonado

Este artigo, do sempre lúcido Léo Lince, foi publicado no Correio da Cidadania.

O substitutivo global apresentado pela bancada do PT em contraponto ao relatório final da CPMI dos Correios foi um desastre. Mais uma vez, para confirmar a regra, a emenda saiu pior do que o soneto. Além de derrotado na comissão, o documento revela a grotesca falta de senso de quem parece disposto a entregar os dedos para salvar os anéis.

 A tese central do relatório alternativo, logo destacada por todos os jornais, é a de que o PT foi seduzido por Marcos Valério. Os cartunistas, grandes intérpretes do momento político nacional, vão se fartar nas próximas semanas com o material oferecido. O sedutor irresistível: “um arquiteto de sofisticadas operações financeiras de distribuição de dinheiro a parlamentares”. O seu modo de operar: “angariava recursos no setor público e privado e os repassava por meio de suas agências de publicidade”. Aprendeu com os tucanos e de repente: “havia o publicitário seduzido o Partido dos Trabalhadores com um mecanismo de arrecadar fundos”.

É muito triste ver uma agremiação política que já foi depositária da esperança de milhões de brasileiros oferecer semelhante explicação para os seus desacertos. Alegar a condição de vítima de sedução para justificar a prática de maracutaias não atenua, pelo contrário, só faz agravar a situação do partido. É como passar para si mesmo um atestado de minoridade. Tal atitude, que agride a inteligência do cidadão, será vista por todos como mais um golpe de esperteza. Mal sucedido, aliás.

Parece incrível, mas é inevitável constatar: o governo Lula está sendo um desastre para o PT. O partido virou lixeira. Tudo que é feio e torto que o governo se obriga a fazer para garantir a governabilidade do continuísmo conservador é debitado na conta do partido. Que aceita, passivo, a condição de reservatório inesgotável de bodes expiatórios. A cada novo meandro da crise, uma leva nova de lideranças é encaminhada para algum círculo do inferno de Dante.

A cidadania sabe, não foi o PT que inventou a corrupção sistêmica. Ela é sistêmica exatamente porque está disseminada na tradição oligárquica que borra em benefício dos poderosos a separação entre público e privado. O próprio valerioduto, nem foi preciso investigar muito, traz a marca original do tucanato. O modelo econômico excludente também não foi uma invenção petista. São engrenagens que já vinham de antes. O PT floresceu na promessa de lutar contra elas e, como está escrito no malfadado relatório da bancada, se deixou seduzir pelo facilitário do continuísmo.

O “Lula lá”, sem dúvida, foi a grande vitória e, a julgar pelo rumo dos acontecimentos, a grande derrota do PT. É dialético, Hegel puro. O petismo floresce no governo com as características que o conceito tem na botânica: o ponto a partir do qual todo o desenvolvimento ulterior adquire a forma inevitável da decadência. Passado glorioso, presente desolador, o partido corre o risco de completar o ciclo na condição de seduzido e abandonado.



Escrito por Cid Benjamin às 10h24
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Gracinha vinda pela internet



Escrito por Cid Benjamin às 10h23
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Despreparo da polícia

Um episódio desta quinta-feira em Copacabana demonstrou o enorme despreparo da polícia do Rio. Para prender um assaltante, ela desencadeou um gigantesco tiroteio à luz do dia, em plena Avenida Atlântica. Resultado da operação: dois mortos (entre eles o ladrão) e cinco pessoas baleadas (entre elas, um PM com um tiro na cabeça). Terá valido a pena?



Escrito por Cid Benjamin às 10h22
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Brokeback Mountain visto da terrinha

Este texto me chegou pela Internet. Ele seria uma crítica de José Carlos D’Almeida ao belo filme O segredo de Brokeback Mountain, publicada no Diário de Lisboa. Não consegui confirmar sua autenticidade. Mas é muito engraçado. Vale a pena a leitura.

Estão a dar cabo do nosso imaginário infantil... Querem ver que o Trinitá, o Clint Eastwood e o John Wayne também eram rabetas...???

Para quem não viu o filme, eu trato já de resumir: tudo é sobre dois cowboys que um dia descobrem que são rabetas! E conversa puxa conversa, quando dão por eles já se estão a escavacar um ao outro.

Desenvolvendo, estes dois cowboys, vão para a montanha pastar ovelhas; depois, começa a nevar e tal, e os gajos estão lá sozinhos e isolados e vem um:

"Ah, e tal... Tá frio, não tá?!"

E o outro: "Ah, e tal...", pois está a cair aquela nevezinha molha-parvos, que é assim fraquinha, mas é bem fria...

Bom, começam com esta conversa meteorológica e - pumba!, quando dão por eles, já estão a canibalizar-se...

Daí o nome do filme Brokeback Mountain, que em bom português seria algo como: "Traseira Rompida à Montanha".

Ora, pergunto eu, não havia mais nada para achincalhar?! Os cowboys?! Isto são gajos que são suposto serem duros. Será que querem dizer que os cowboys quando estão lá a conduzir o gado e a gritar e a assobiar, é treino para gemerem melhor logo a noite? Ou quando andam nos rodeios aos saltos em cima de touros bravos? É para tonificar as nádegas?

Eu fartava-me de brincar aos cowboys quando era puto (N.T.: garoto, guri) e agora vem estes gajos e destroem o futuro de bilhões de crianças que estão por nascer que, a partir de agora, não vão querer brincar aos cowboys porque isso é brincadeiras de limpa-fundos (e eu não estou a falar de peixinhos de aquário aqui).

Estou destroçado! Abaixo os western-gay!!!



Escrito por Cid Benjamin às 10h21
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Escrito por Cid Benjamin às 09h51
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Manchetes desta quinta-feira

- O Globo: Dois pra lá, dois pra cá - CPI derrota governo e aprova o relatório final do mensalão

- Jornal do Brasil: Mensalão existiu. PT saudações

- Folha: PF fará acareação entre Palocci e Mattoso

- Estadão: CPI derrota PT e aprova relatório

- Correio Braziliense: CPI marca o PT com carimbo do mensalão



Escrito por Cid Benjamin às 09h49
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FHC elitista e preconceituoso

FHC parece querer mesmo ajudar Lula. Cada vez que abre a boca faz com que o presidente suba nas pesquisas. A última foi na entrevista a Jô Soares: “Pobre quando chega lá em cima acha que é outra coisa”, disse o ex-príncipe dos sociólogos. Difícil saber se a afirmação é mais elitista ou mais preconceituosa. Se é verdade que Lula se deslumbrou com as luzes do Planalto, o mesmo já aconteceu com gente nascida em berço de ouro, como Collor.

A questão não é de origem social, mas de caráter.



Escrito por Cid Benjamin às 09h49
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Charge do dia



Escrito por Cid Benjamin às 09h49
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Ontem teve marmelada

Aliás, lembrando Carequinha, Ancelmo Góis lembrou em sua coluna de hoje no Globo que, ao ver a absolvição do deputado do PT João Paulo, mais um mensaleiro da Câmara, o velho e querido palhaço deve ter morrido ontem perguntando:“Hoje teve marmelada? Teve sim senhor.”



Escrito por Cid Benjamin às 09h48
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Vale a amizade

A absolvição de João Paulo mostra absoluta falta de critérios. Ele não só recebeu R$ 50 mil de Marcos Valério, mas também, no tempo em que era presidente da Câmara, contratou com dinheiro público a empresa de Valério para fins privados. Outros mensaleiros, contra os quais só havia a acusação de ter recebido recursos do valerioduto, mas que não eram tão bem relacionados na Câmara como João Paulo, foram cassados.



Escrito por Cid Benjamin às 09h47
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Frase do dia

“Liguei um milhão de vezes e não consegui falar com a Polícia Federal de Brasília”, do delegado seccional de Ribeirão Preto, Benedito Antônio Valencise.

Ele quer a ajuda da PF para intimar Palocci para depor em inquéritos sobre irregularidades na administração petista de Ribeirão Preto.



Escrito por Cid Benjamin às 09h47
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Espelho quebrado

Ilustrativa a chamada de primeira página do Globo para um editorial nesta quinta-feira: “Palocci aderiu à cultura aparelhista do PT ao acionar um braço do Estado em proveito próprio”. Mostra que Palocci, enquanto era o queridinho da grande imprensa, não era visto como autêntico petista. Depois de desmascarado, tendo virado laranja chupada, O Globo concluiu que ele “aderiu à cultura aparelhista do PT”. Engraçado.



Escrito por Cid Benjamin às 09h47
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O exemplo que vem de cima

Ancelmo Góis informa, em sua coluna no Globo desta quinta-feira, que o governador Zeca do PT, de Mato Grosso do Sul, enviou à Assembléia Legislativa projeto que restabelece a pensão vitalícia para ex-governadores do estado. A pensão existia e foi extinta em 1999, quando o então deputado Zeca do PT fez um escarcéu para acabar com ela.

Ninguém deve estranhar o comportamento de Zeca agora: no PT veio de cima o exemplo de se dizer uma coisa antes e se fazer outra, depois.



Escrito por Cid Benjamin às 09h46
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Enéas explica cara raspada

O personagem acima é o folclórico deputado Enéas. Anteontem, ao vê-lo de cara raspada, estranhei. Enéas tinha um rosto já muito conhecido, no qual a barba e a careca eram marcas registradas. Por que mudar? Ontem ele explicou: teve leucemia.



Escrito por Cid Benjamin às 09h45
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Vingança contra Roberto Jefferson

A operação da PF que atingiu fiscais corruptos na DRT do Rio tem toda a cara de ser uma retaliação do governo petista contra o ex-aliado Roberto Jefferson, que era tido como o político que “controlava” o órgão.



Escrito por Cid Benjamin às 09h44
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César Maia comenta chances de Itamar

Naturalmente, não gosto de César Maia, mas é interessante este seu comentário sobre a uma possível candidatura de Itamar Franco à Presidência da República pelo PMDB.

 

Os que descartam -como factóide- a candidatura do ex-presidente Itamar Franco, podem estar se enganando. As pesquisas sobre reeleição -já se disse aqui várias vezes - mostram que se o candidato de oposição for algo diferente, perde a eleição, pelo fator segurança/conhecimento, que a convivência -com o presidente- provoca.

O candidato de oposição deve vestir um personagem antípodo ao do presidente em exercício. É o caso de Itamar Franco cujo personagem político combina o perfil ético e a austeridade. O governo Lula patina em uma lagoa de dejetos morais, e ele mesmo é um personagem histriônico com seus discursos, metáforas e gestos. Seu recurso básico é acentuar-se como político de proximidade -simpático, amigo, igual. Itamar faz o gênero oposto.

Uma pesquisa eleitoral para valer -projetando cenários e cruzando valores - poderia dizer o quanto é ou não competitivo. E ajudaria aos demais a saber como devem ajustar seu personagem. Seguelá - assessor de imagem de Mitterand - dizia que "a cena teatral e a política apenas se parecem; mas há uma enorme diferença: quando o ator muda de personagem, continua provocando emoções,...mas o político não".

Portanto o que se pode fazer em uma campanha são ajustes de imagem, nunca mudança. A imagem e o personagem de Itamar estão aí, postos e conhecidos. Quem descartá-lo pode errar e muito. Estamos em pré-campanha que Paul Lazarsfeld com sua equipe dos anos 30 da Universidade de Columbia - afirmava numa metáfora fotográfica da época - que é a fase de fixar a imagem no celulóide. Se não for feito agora não haverá o que revelar na câmara escura da campanha eleitoral. Itamar já tem. Lula já tem. Os demais - espera-se - estão construindo. Há pouco tempo !



Escrito por Cid Benjamin às 09h43
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Americano bate o recorde de... masturbação

Do site Kibeloco.

O americano Tudor Rosca conquistou o título de Rei da Masturbação. Ele alcançou a impressionante marca de 36 orgasmos em um período de 25 horas. Para tanto, Rosca permaneceu cercado por três televisores que mostravam vídeos pornográficos o tempo todo.

Durante a entrevista coletiva após o estabelecimento do recorde, Rosca disse que a masturbação é seu estilo de vida. "Eu venho treinando para esse dia desde que eu tinha 13 anos e estou feliz com minha performance hoje", disse o novo campeão, cujo desenvolvimento dos músculos de seu antebraço direito é acima do normal.

Apesar disso, quando perguntado sobre quando tentaria estabelecer um nove recorde, Rosca disse apenas que seu objetivo imediato era "arranjar uma bolsa de gelo e passar uma loção em meu pênis para aliviar as queimaduras".

Antes de Rosca, o recorde pertencia a um estudante alemão, Hans Blickstein, que alcançou 27 orgasmos em 24 horas. Blickstein não foi encontrado para comentar o feito do americano.

E o recorde de orgasmos, quem diria, é de... Rosca?!?

 

Para conferir a fonte da matéria vá em http://www.24horasnews.com.br/index.php?mat=173560

 



Escrito por Cid Benjamin às 09h43
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Escrito por Cid Benjamin às 12h12
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As manchetes desta quarta-feira:

- O Globo: Presos no Rio 44 fiscais do Trabalho por fraudes

- Jornal do Brasil: Planos de Saúde - Cresce reajuste para idosos

- Folha: Palocci é indiciado após depor à PF

- Estadão: Relatório do PT nega tudo e CPI busca saída

- Correio Braziliense: Palocci é indiciado com tratamento vip



Escrito por Cid Benjamin às 12h11
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Charge do dia


De Aroeira, publicada hoje no jornal O Dia.



Escrito por Cid Benjamin às 12h10
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Frase do dia

“Jesus Cristo também foi punido pela opinião pública”

Do (ainda) deputado petista Josias Gomes (BA), depois que a proposta de sua cassação foi aprovada na Comissão de Ética da Câmara. Josias recebeu R$ 100 mil do valerioduto e depositou o dinheiro em sua conta particular.



Escrito por Cid Benjamin às 12h09
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Ligações perigosas I


Paulo de Tarso Venceslau e Okamotto, acareados na CPI dos Bingos

A situação de Collor ficou insustentável quando se comprovou que um Fiat Elba registrado em seu nome fora pago com dinheiro do esquema PC Farias. Agora, já se comprovou que Paulo Okamotto, ex-tesoureiro de campanha de Lula, costumava pagar dívidas do presidente e de sua família. Se ficar evidenciado que entrava dinheiro do valerioduto nas contas de Okamotto, a situação de Lula pode se complicar. Daí a preocupação do PT com que não seja quebrado o sigilo bancário de Okamotto.

 

 



Escrito por Cid Benjamin às 12h09
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Ligações perigosas II

Segundo o ex-petista Paulo de Tarso Venceslau, a deputada-bailarina Ângela Guadagnin, quando prefeita de São José dos Campos, contratou sem licitação por R$ 5,8 milhões a agência Contexto, que subcontratou uma empresa de nome TVT. Entre os fundadores da TVT estavam Lula, Okamotto, o ex-deputado José Dirceu, Luiz Gushiken e o ex-tesoureiro Delúbio Soares. Negócio entre amigos?



Escrito por Cid Benjamin às 12h07
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Comportamento inaceitável

Paulo Okamotto negou-se nesta terça-feira, durante a acareação com Paulo de Tarso Venceslau na CPI dos Bingos, a abrir seu sigilo bancário e a falar sobre o pagamento que fez de uma dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT em 2004. Já disse aqui neste blog e repito: do ponto de vista político é inconcebível que, diante de acusações de corrupção, dirigentes partidários ajam como avestruzes e se recusem a dar explicações à opinião pública.



Escrito por Cid Benjamin às 12h06
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Uma virgem seduzida?

É risível o relatório alternativo apresentado pelo PT na CPI dos Correios. O partido diz que foi “seduzido” pelo publicitário Marcos Valério, como se fosse uma ingênua virgem – se é que, hoje em dia, as virgem são ingênuas. Já o super-homem Valério é descrito como “um arquiteto de sofisticadas operações financeiras de distribuição de dinheiro a parlamentares”. Pela visto, na nova versão do PT para a roubalheira, o culpado não é mais Delúbio, mas Valério, que nem filiado ao partido era.



Escrito por Cid Benjamin às 12h04
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Acordo à vista

Apesar de toda a confusão, o PT deve desistir de levar a votação na CPI dos Correios um relatório alternativo. Motivo: Lula foi alertado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, que se o relatório final da CPI não for aprovado até o dia 11, haverá prorrogação automática das investigações. Pelo menos, é este o entendimento da área jurídica do Senado. Esticar a CPI é tudo o que o PT não quer.



Escrito por Cid Benjamin às 12h04
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Perigo à vista

Marcelo Netto, o assessor de imprensa de Palocci suspeito de ter repassado o extrato bancário do caseiro Francenildo à revista Época, é a maior preocupação do governo hoje. As notas abaixo são da coluna de Mônica Bergamo, na Folha.

Fogo

O ex-ministro Antonio Palocci avisou à cúpula do governo: perdeu o controle sobre Marcelo Netto, seu ex-assessor de imprensa suspeito de ter ajudado a vazar o extrato bancário do caseiro Francenildo Costa para a imprensa. Netto estaria disposto a "detonar" o governo Lula.

Palocci & Palocci

Jorge Mattoso, ex-presidente da CEF, deve isentar assessores do ministro Márcio Thomaz Bastos de responsabilidade na trama da quebra e vazamento do sigilo do caseiro. Deve dizer na PF, onde deporá pela segunda vez, que estava sozinho numa sala com Palocci quando entregou a ele os extratos da conta bancária de Francenildo.



Escrito por Cid Benjamin às 12h04
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Thomaz Bastos ameaça pedir o boné

Do Estado de S.Paulo:

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, ameaçou ontem deixar o governo se os homens de sua confiança forem obrigados a assumir responsabilidade pela violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.

Thomaz Bastos conversou à noite com o presidente Lula, no Palácio do Planalto. Disse que não aceitará que Daniel Goldberg, secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, ou Cláudio Alencar, chefe de gabinete, paguem a conta pelos acontecimentos que envolveram o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

Na conversa com o presidente, Bastos afirmou que, se isso ocorrer, ele próprio pedirá demissão. Lembrou que os dois auxiliares foram à casa de Palocci, no último dia 16, chamados pelo então ministro, que teria solicitado investigação sobre suspeita de suborno recebido pelo caseiro. Destacou, no entanto, que nem Goldberg nem Alencar testemunharam a quebra de sigilo ou o vazamento da informação.



Escrito por Cid Benjamin às 12h03
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Dez anos de impunidade

O massacre de Eldorado de Carajás, que resultou no brutal assassinato de 19 agricultores do MST pela Polícia Militar do Pará, completará dez anos no dia 17 de abril. Ninguém foi punido. Os dois principais comandantes da operação - o major José Maria Pereira de Oliveira e o coronel Mário Pantoja – foram condenados, mas recorreram e aguardam a decisão da justiça em liberdade.

Em tempo: os responsáveis pelo massacre do Carandiru também estão soltos.



Escrito por Cid Benjamin às 12h02
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A primeira vez do mineirinho

Esta veio pela internet.

Joãozinho, mineirinho batuta da 5ª série, escreveu uma poesia na aula de redação, chamada: "A Primera Veiz":

O céu tava bem craro,
A lua quasi dorada,
Ali nu campu eu i ela,
I não si via mais nada.

Sua pele era suave,
As ancas tava exposta,
I eu tocando di leve,
U macio di suas costa.

Num sabendo começá,
Olhei u corpo isguio.
I dicidi pô as mão,
Sobre seu peito macio.

Eu sentia medo.
Meu coração forte batia,
Enquanto ela divagarinho,
As suas perna abria.

Inda bem qui cunsigui!
Tudo então melhorô.
Pelo menos desta veiz,
O líquido branco jorrô.

Finarmente tudo acabô,
I quasi saio di maca.
Foi assim a primera veiz
Qui tirei leite da vaca.




Escrito por Cid Benjamin às 12h01
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Caso você queira receber, de segunda a sábado, as notas e artigos postados neste blog, é só fazer o pedido no campo reservado para os comentários.

Escrito por Cid Benjamin às 12h32
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Manchetes desta segunda-feira:

- O Globo: Assessores de Bastos depõem e incriminam mais Palocci

- Jornal do Brasil: Cartões de débito parcelam compras - Sai a aposentadoria do cheque

- Folha: Alckmin diz que sua mulher se 'equivocou' ao aceitar vestidos

- Estadão: Polícia Federal vai indiciar Palocci por três crimes

- Correio Braziliense: A crise bate à porta do Ministério da Justiça



Escrito por Cid Benjamin às 12h31
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Charge do dia

   Charge de Chico Caruso publicada hoje no Globo.

Escrito por Cid Benjamin às 12h31
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Frase do dia

O deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), apelidado de percevejo de gabinete pelo ex-presidente Itamar Franco, não é exatamente um político que mereça ser admirado. Mas, de vez em quando, se revela um bom frasista. Hoje, frase sua publicada no Painel da Folha compara o astronauta Marcos Pontes com Lula:

- O astronauta quase não sente o efeito da lei da gravidade. O presidente espera passar ao largo da gravidade da lei.



Escrito por Cid Benjamin às 12h29
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Cesar Maia e o impeachment de Lula

No auge da crise aberta com as denúncias de Roberto Jefferson, o prefeito Cesar Maia fez um blog, ao qual dedicava a maior parte de seu dia. Semanas depois, caiu em si e viu que tinha sido eleito para governar o Rio. Aposentou o blog, mas ofereceu um serviço de comentários diários, por e-mails, aos interessados. No início, Cesar se preocupava em fazer análises e defender seus pontos de vista. Embora não concorde com suas posições, como ele é um quadro preparado, sempre achei interessante ler seus e-mails. Agora, porém, com a proximidade da eleição, as mensagens viraram mero instrumento de campanha, uma espécie de panfletos eletrônicos (no sentido vulgar da expressão).

A última de César Maia é garantir que, antes de outubro, Lula sofrerá um impeachment. César certamente crê que, com isso, faz oposição ao presidente.

A história mostra quer, para se tirar um presidente é preciso que ele esteja absolutamente isolado e que a opinião pública, como conjunto, deseje o impeachment. Mesmo que a maioria esmagadora dos brasileiros quisesse ver Lula pelas costas, dificilmente apoiaria um processo demorado como é o de um impeachment a seis meses da eleição. Seria mais razoável esperar outubro e não reelegê-lo.



Escrito por Cid Benjamin às 12h29
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STF reembolsou Jobim por viagens pagas por anfitriões

Da Folha de hoje.

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim, que deixou o cargo na semana passada para retomar seus projetos políticos, recebeu do órgão quase R$ 28 mil de adicionais por viagens realizadas em 2005. Na maior parte das vezes, a ajuda de custo foi para viagens de caráter não-oficial e integralmente pagas pelos anfitriões.

Após um cruzamento de informações registradas pelo Siafi (sistema de acompanhamento de gastos federais), publicadas em reportagens e divulgadas na agenda do STF, a Folha apurou que Jobim fez pelo menos 32 viagens nacionais e quatro internacionais no ano passado. Passou, no mínimo, 84 dias longe de Brasília.

Em 27 viagens, o convite partiu de universidades particulares ou de associações. Jobim foi chamado para dar palestras sobre temas jurídicos, ser paraninfo de turma de formandos em direito, receber medalhas ou participar de jantares em sua homenagem.

Por meio de sua assessoria, Jobim disse que não cobra para dar palestras, que as viagens tiveram caráter representativo e que, por isso, o recebimento de diárias foi absolutamente legal.

Cinco especialistas ouvidos pela reportagem, no entanto, disseram que a diária existe para ressarcir prejuízos decorrentes de uma viagem realizada em caráter oficial. Esse prejuízo é inexistente, afirmam, quando o deslocamento é pago pelo anfitrião. Para eles, convites pessoais não se encaixam na definição de evento oficial.

A matéria da Folha não deixa claro se, além das diárias, Jobim recebeu do STF o valor das passagens. Se recebeu e embolsou o dinheiro, deveria ser obrigado a ressarcir os cofres do STF.



Escrito por Cid Benjamin às 12h28
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Quarentena, por favor

Esta nota é de Josias de Souza, na Folha On Line.

Sobre Nelson Jobim: Lula disse que não abandonou a idéia de ter Nelson Jobim como companheiro de chapa. Reuniu-se com ele na semana passada. O ex-presidente do STF confirmou a filiação ao PMDB de Santa Maria (RS).

Negou que vá concorrer ao governo gaúcho. Por ora, seu plano é “advogar em Brasília”. Lula entendeu que o nome de Jobim continua à sua disposição.

Tudo bem. Mas deveria ser proibido por lei alguém deixar o Supremo e, em seguida, abrir um escritório de advocacia.



Escrito por Cid Benjamin às 12h28
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Palocci tornou-se descartável

Artigo meu postado hoje no Bafafá On Line.

Desde o início do governo Lula, o ministro Antônio Palocci era o que se costuma chamar de político do tipo teflon. Nenhuma denúncia, por grave que fosse, grudava nele. Ao lado da habilidade política do ministro, outro fator contribuía para tal situação: Palocci era visto como inspirador e garantidor, junto ao PT e a Lula, da política econômica neoliberal, herdada de Fernando Henrique Cardoso e mantida pelo atual governo. Por isso, tinha o apoio das elites – e do sistema financeiro, em primeiro lugar. Era sustentado pelos governistas, mesmo que da antiga esquerda do PT pudessem vir algumas tímidas críticas. E contava com o beneplácito da oposição de direita – capitaneada por PSDB e PFL - que não queria pôr em risco a continuidade da política econômica. Em conseqüência, teve sempre o beneplácito da grande imprensa, que se encarregou de duas providências:

1. Difundir aos quatro ventos que a política econômica deveria estar fora do debate político, pois qualquer caminho diferente do adotado no mandarinato tucano e mantido pelo PT significaria levar o país ao caos;

2. Blindar Palocci de quaisquer críticas, fossem elas a respeito da condução da economia, fossem elas sobre a conduta do ministro.

Assim, durante três anos o ministro da Fazenda foi louvado, em jornais, revistas, rádios e TVs, como o lúcido e responsável timoneiro da economia brasileira. Essa blindagem o protegeu mesmo quando alvo de denúncias graves, que não eram veiculadas ou recebiam o tratamento dedicado a coisas de menor importância. É interessante atentar para que todas as demais denúncias envolvendo Palocci com as falcatruas no seu tempo de prefeito são antigas. Mesmo a história de que recebia um mensalão de R$ 50 mil da empresa Leão Leão, encarregada da coleta de lixo em Ribeirão Preto, é velha. Surgiu há mais de dois anos, pouco depois de sub-chefe da Casa Civil, Waldomiro Diniz, ter sido flagrado com a boca na botija pedindo propina a um bicheiro para vitaminar campanhas eleitorais do PT.As investigações sobre Waldomiro levaram às relações da Gtech com a Caixa Econômica Federal e a Rogério Buratti, ex-secretário de Palocci em Ribeirão Preto. Enrascado, Buratti fez um acordo com o Ministério Público, aproveitando-se da chamada “delação premiada”. E entregou Palocci de bandeja. 

Apesar das denúncias, foi mantida a blindagem em torno a Palocci. Afinal, aos olhos da elite, sua saída poderia desestabilizar a correlação de forças no PT e no governo e pôr em risco a continuidade da política econômica.

Ocorre que, com o tempo, foi ficando claro que, se Lula não tinha mudado a política econômica, não o faria no fim de seus quatro anos. Em primeiro lugar, porque jamais tinha dado qualquer sinal neste sentido. Depois, porque o quadro mudara. Lula e o PT já estavam na defensiva e mesmo que quisessem fazer uma inflexão na política, teriam mais dificuldades. As denúncias de corrupção os deixaram mais fracos. A desmobilização dos movimentos sociais – que foi estimulada pelo PT, pela CUT e pelo governo, dada a agenda neoliberal assumida – privou Lula de um grande trunfo potencial para conseguir a chamada governabilidade sem lançar mão de mensalões.

Foi ficando claro para o grande capital que Lula e o PT tinham se tornado leões sem dentes. Palocci jogara um importante papel para isso, mas, paradoxalmente, seu triunfo o deixara vulnerável. Passara a ser dispensável. Uma vez que suas posições tornaram-se hegemônicas no governo e no PT – agora simplesmente voltados para a reprodução a qualquer custo do mandato de Lula – ele tinha se tornado descartável. Lula, e não mais Palocci, passou a ser o grande fiador da continuidade da política econômica.

A blindagem do ministro da Fazenda foi, então, diminuindo e as notícias sobre a “República de Ribeirão Preto” começaram a ter mais espaço na mídia. Assim, antes mesmo da quebra do sigilo de Francenildo, Palocci já estava enfraquecido. Tão enfraquecido que não foi capaz de manter o comportamento frio e calculista que era uma de suas características. Acabou dando o passo em falso: envolveu-se com uma ilegalidade para tentar desacreditar uma testemunha incômoda.

Foi a gota d’água. Perdeu.

Mas, antes mesmo disso, seu destino estava traçado. Ele já se tornara uma laranja chupada.

Hoje, o grande capital não tem dúvidas que Lula é candidato apenas a mais quatro anos gerindo o mesmo modelo. Não a transformá-lo.

Se a disputa presidencial se polarizar entre ele e o candidato tucano, Geraldo Alckmin, a escolha será entre seis e meia dúzia.

Com ou sem Palocci ao lado de Lula.



Escrito por Cid Benjamin às 12h27
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Okamotto versus Paulo de Tarso Venceslau

Depois de marchas e contramarchas, Paulo Okamotto, amigo de Lula e colega de Delúbio como operador de “operações não contabilizadas” do PT, será acareado amanhã com Paulo de Tarso Venceslau, expulso do PT nos anos 90 por ter denunciado corrupção no partido. Isto, se não for socorrido em cima da hora por mais uma liminar do Supremo.

Tal como Delúbio, Okamotto parece ser duro na queda. Mas sempre é possível um escorregão. E, se isso ocorrer, vai ser complicado o PT dizer que Okamotto também fazia tudo sem Lula saber. 

 



Escrito por Cid Benjamin às 12h26
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TV Digital - A desinformação e a pressa – artigo de Carolina Ribeiro, Edison Lima e Gustavo Gindre

Este bom artigo sobre TV digital me foi enviado pelo Joaquim Ribeiro. Ele saiu na Caros Amigos.

Impressiona a quantidade de informações equivocadas que circulam pela mídia em relação à implantação da TV Digital no Brasil. Assusta também a quase inexistência de informações sobre o que foi desenvolvido no país. Fala-se bastante de uma briga “do quem dá mais” entre europeus e japoneses. Fala-se, geralmente em aspas atribuídas ao ministro das comunicações, que o Brasil tem muita pressa para a definição do modelo, pois se tudo não for resolvido agora perderemos uma oportunidade histórica. Qual? A de ver a Copa do Mundo em TV Digital ? Claro.

A primeira grande questão que merece esclarecimento é o argumento da pressa. O Brasil tem algumas opções para implementar um sistema complexo como a TV Digital: ou constrói algumas coisas e compra outras, ou compra um elefante e tenta adaptá-lo para que ele trabalhe como um cavalo. A proposta do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), que reuniu 80 grupos de pesquisa e recebeu um investimento de R$ 50 milhões do governo (muito pouco dinheiro se comparado à grande quantidade e qualidade dos resultados obtidos), era justamente a primeira. Construir parte do sistema e pegar algumas coisas prontas. A proposta que vem sendo defendida pelo Ministro das Comunicações é adotar o padrão japonês (ISDB) e talvez fazer adaptações para que ele funcione no Brasil.

Por que ninguém explica nada direito e não assume que o melhor padrão é o brasileiro?

Entre as tecnologias desenvolvidas por aqui, uma delas é justamente a modulação, que equivale ao que a mídia chama de “padrão”. O japonês (ISDB) e o europeu (DVB) já são bem conhecidos de nome, mas pouco explicados em relação às diferenças entre eles. Em 2000, o sistema japonês permitia a transmissão de sinais independentes para a TV e para receptores móveis (como o celular), enquanto o europeu era mais limitado. Isso levou a Associação Brasileira de Rádios e TVs (Abert) a usar o argumento da "recepção móvel" como mote para a defesa do ISDB.

A partir de 2004, com a introdução do DVB-H, essa diferença deixou de existir. Mas a retórica continuou, e agora embolaram a discussão, com as emissoras defendendo o ISDB porque isso manteria o canal na mão deles, e as empresas de telefonia defendendo o DVB porque isso daria a abertura para elas participarem desse mercado. Na verdade, ambos os argumentos são furados. Tanto o DVB quanto o ISDB permitem a transmissão de sinais para celulares e, se as teles vão ou não participar desse mercado, é uma coisa que depende da regulamentação, não da tecnologia.

Para ler a íntegra do artigo, vá em http://carosamigos.terra.com.br/.



Escrito por Cid Benjamin às 12h24
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As manchetes deste sábado

- O Globo: Comandante exalta golpe de 1964 e ministro reage

- Jornal do Brasil: Poder paralelo - Traficantes fecham as portas de Copacabana

- Folha: Serra lança candidatura e acirra luta contra o PT

- Estado: Governo tenta jogar fora relatório da CPI

 



Escrito por Cid Benjamin às 12h23
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Comandante do Exército exalta golpe militar

A Ordem do Dia lida ontem em todos quartéis do Exército exalta o golpe militar de 1964. Seu autor, o general Francisco de Albuquerque, já tinha se envolvido antes em outros casos polêmicos.

Em 2004, ao ser publicada no Correio Braziliense a foto de um preso político, equivocadamente identificado como Wladimir Herzog, o general defendeu a ação dos DOI-Codi - órgãos militares encarregados da repressão política na ditadura, responsáveis por torturas e assassinatos de opositores do regime. Herzog foi supliciado e morto no DOI-Codi de São Paulo.

Na ocasião, a demissão de Albuquerque foi exigida pelo seu superior hierárquico, o ministro da Defesa José Viegas. Mas, como costuma fazer quando tem diante de si algum poderoso, Lula afinou. O ministro Viegas, numa atitude digna, demitiu-se em protesto.

Recentemente, Albuquerque voltou ao noticiário ao dar uma carteirada para que um avião que já taxiava na pista fizesse meia-volta e ele pudesse embarcar com a mulher.

Agora, no 42º aniversário do golpe militar que instaurou a ditadura, o general reaparece nos jornais – mais uma vez de forma negativa.

Tivesse Lula autoridade, Albuquerque já seria mais um general de pijama.



Escrito por Cid Benjamin às 12h23
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Enquanto isso, na Argentina...

Na sexta-feira da semana passada, aniversário do golpe que instaurou a ditadura militar argentina, foi feriado naquele país. O objetivo era que fossem lembradas e homenageadas suas vítimas. Assim acontecerá todos os anos, por decisão do presidente Nestor Kirschner.

Kirschner anunciou também a abertura completa de todos os arquivos da repressão política em seu país, em especial os arquivos das Forças Armadas.

Promessa semelhante foi feita no Brasil por Lula.

Hoje é tão evidente que não será cumprida, que ninguém se dá mais o trabalho de cobrá-la do presidente.



Escrito por Cid Benjamin às 12h22
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Revanchismo?

Enganam-se os que pensam que a exigência de abertura dos arquivos esconde algum tipo de revanchismo contra os militares.

Ela é, em primeiro lugar, um legítimo direito dos parentes de mortos e desaparecidos, que desejam saber o que aconteceu com seus entes queridos e onde estão seus restos mortais.

No entanto, até mais importante do que isso, o resgate da memória histórica é um direito de todos os brasileiros. País que não tem memória está condenado a repetir erros. Só expondo-se à luz do sol os crimes cometidos, serão criados anticorpos na sociedade para que eles não se repitam.

O exemplo da África do Sul é formidável.

Eleito presidente, Nelson Mandela propôs-se a anistiar os torturadores e assassinos que serviram ao regime do apartheid. E, veja-se, ele próprio fora uma das principais vítimas do regime racista sul-africano: esteve preso durante 27 anos, a maior parte dos quais em regime de trabalhos forçados. Tinha tudo para ser um ressentido. Mas, não. Demonstrou toda a sua grandeza ao entender que, antes de tudo, estava a necessária reconstrução da África do Sul.

A anistia proposta por Mandela teve, porém, uma condição: que, diante dos tribunais, os criminosos admitissem publicamente seus crimes. Iniciado esse processo, a sociedade ficou chocada ao tomar conhecimento de episódios que não supunha que pudessem ter ocorrido.

O que era mais importante? Pôr na cadeira os assassinos e torturadores, instrumentos de uma política de Estado (e que, sem dúvida, mereciam uma dura punição) ou evitar que, no futuro, tais crimes se repetissem?

Mandela soube olhar para a frente.

Kirschner, também.

Lula não olha nem para a frente, nem para trás.

Na sua mediocridade, prefere fechar os olhos.



Escrito por Cid Benjamin às 12h22
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À direita do Consenso (de Washington) – Clovis Rossi

Este artigo foi publicado hoje na Folha.

Nem a aura inevitável de um Prêmio Nobel de Economia conseguiu vencer o formidável conservadorismo do governo Lula.

Reproduzo a história que me foi contada ontem por esse Nobel, Joseph Stiglitz, durante almoço oferecido pelo BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) a três professores de economia de grosso calibre (além de Stiglitz, estavam Douglass North e John Williamson, o codificador do Consenso de Washington, o conjunto de receitas ditas neoliberais, que se tornou hegemônico).

No primeiro contato que teve com o ministro Antonio Palocci, logo no início do governo Lula, Stiglitz lhe sugeriu que evitasse fazer o que fizera Bill Clinton (do qual, aliás, Stiglitz foi chefe dos assessores econômicos). "Clinton se elegeu falando em "put the people first" (dar prioridade às pessoas), mas acabou investindo todas as suas energias em reduzir e até em eliminar o déficit fiscal", rememora o economista, hoje na Universidade Columbia, uma das mais lustrosas grifes acadêmicas do mundo.

O resultado, sempre segundo o relato de Stiglitz, foi "agradar a Wall Street, beneficiando, com redução de impostos, algumas das pessoas mais ricas, em vez de beneficiar os pobres". É claro que o economista toma Wall Street como sinônimo de mercado financeiro, na medida em que é a ruazinha de Nova York em que fica a Bolsa de Valores.

O conselho acabou sendo rigorosamente inútil, na medida em que a prioridade de Palocci e, por extensão, do governo Lula foi precisamente agradar as "Wall Streets" caboclas e estrangeiras, alimentando-as com juros que até Williamson acha exageradamente altos.
Aliás, o codificador do Consenso de Washington critica também o câmbio excessivamente valorizado, o que permite dizer que o governo Lula está à direita do Consenso que a esquerda sempre demonizou.

Ah, convém dizer que Stiglitz, embora notório crítico desse receituário, não é propriamente fã do PSOL. É parte do núcleo do establishment norte-americano.



Escrito por Cid Benjamin às 12h21
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Ameaçada de privatização, estatal paulista banca propaganda de Alckmin – de Gilberto Maringoni

A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), empresa estatal paulista, está sendo vítima de duas operações suspeitas, patrocinadas pelo governo Geraldo Alckmin.

A primeira delas é um contrato de patrocínio de R$ 60 mil, fechado com uma revista especializada em “medicina tradicional chinesa”, dirigida pelo médico Jou Eel Jia, que atende o governador Geraldo Alckmin há três anos. A revista chama-se Ch’an Tao e é editada por uma empresa de nome Spring, criada em 2004 e vinculada à TAM.

O contrato é assinado pelo presidente da CTEEP, Sidnei Martini, e avalizado pelo secretário de Energia, Recursos Hídricos e Saneamento, Mauro Arce. Ele envolve a veiculação de “matéria de cunho editorial do assunto que achar interessante”, e a distribuição da publicação em órgãos do Estado e em “eventos que lhe for mais útil”.

Publicada a revista, não há publicidade e nem menção a CTEEP em suas páginas. Em compensação, de suas 54 páginas, nove são dedicadas ao governador Alckmin, incluindo a capa. O deputado estadual Sebastião Arcanjo (PT) desconfia que o governo do Estado de São Paulo esteja se valendo de empresas estatais para fazer publicidade oficial de forma velada.

Para ler a íntegra vá no site da Agência Carta Maior, onde o artigo foi publicado (www.agenciacartamaior.com.br).



Escrito por Cid Benjamin às 12h20
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Ex-preso polonês pede indenização por excesso de orgasmos na prisão

Esta nota é da agência espanhola Efe e foi tirada do blog do Marona (http://blogdomarona.blogspot.com/)

VARSÓVIA - Um ex-detento do presídio de Czarne, no Noroeste da Polônia, pedirá ao estado uma indenização por ter tido muitos orgasmos durante o cumprimento de sua pena, informa a agência PAP.

O homem afirma que durante anos fabricou lajes de concreto com uma máquina que provocava grandes vibrações, e que tinha que apertá-la contra o abdômem para manter o controle sobre ela.

— As vibrações provocaram uma ejaculação a cada 30 ou 40 minutos, com o correspondente orgasmo, só que agora estou estéril, porque não tenho mais esperma — disse o ex-preso em carta enviada ao chefe da prisão, o tenente-cororonel Franciszek Tarasewicz.

 



Escrito por Cid Benjamin às 12h20
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