Blog do Cid Benjamin


Febeapá do Lula II

Foto Eraldo Peres/Photo Agência

Lula posa para foto com integrantes do coral da Serenata de Natal da Universidade de Brasília, em  confraternização dos servidores da Presidência.



Escrito por Cid Benjamin às 21h52
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O Febeapá do Lula - I

Desde que surgiu na política, Lula foi ridicularizado por seus erros de português. Nas críticas havia, muitas vezes, o indisfarçado elitismo dos que não aceitavam que um líder de extração popular ganhasse importância. Antes, porém, Lula errava no português mas o que dizia tinha (ou parecia ter) conteúdo. Na Presidência, não bastasse ter esquecido seus compromissos de campanha, desandou a falar bobagens. A cada dia solta alguma digna de figurar no Febeapá do saudoso Stanislaw Ponte Preta. Hoje ele arrotou valentia por ter pago ao FMI uma dívida com antecipação. Nunca vi bravata mais sem sentido.   Vejam a matéria da Folha On Line:

Lula: "Decisão de quitar a dívida com o FMI mostra que o Brasil é dono do seu nariz"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, em almoço de confraternização com oficiais-generais das Forças Armadas, que a decisão do governo de quitar a dívida de US$ 15,5 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra que o Brasil é "dono do seu nariz".

"Devolvemos o dinheiro para mostrar ao mundo e ao mercado que este país tem governo e é dono do seu nariz, e a gente vai errar ou acertar da nossa cabeça, pela nossa consciência e pelas nossas tomadas de decisão", afirmou o presidente.

Na terça-feira passada, o Ministério da Fazenda antecipou o pagamento da dívida brasileira de US$15,5 bilhões com o FMI, que se refere a parcelas que seriam pagas pelo Brasil em 2006 e 2007.

 



Escrito por Cid Benjamin às 16h44
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Gastos da União com publicidade superam os investimentos em saúde ou educação

 
 
Até o início de dezembro, as despesas totais da União com publicidade superaram em R$ 27 milhões os investimentos em saúde (construção de hospitais e postos de saúde, compra de equipamentos, etc) e em R$ 12 milhões os investimentos em educação (construção de escolas, instalações, etc).

Segundo dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira da Secretaria do Tesouro Nacional), até o dia 10 deste mês, R$ 230 milhões haviam sido gastos com publicidade legal, de utilidade pública, mercadológica e institucional, referente aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Desse valor, a maior parte se refere à publicidade de utilidade pública e institucional. Enquanto este ano o Estado aplicou R$ 96 milhões em publicidade de utilidade pública destinada a campanhas educativas essenciais à população como vacinação e prevenção de doenças, destinou quase que o mesmo valor -- R$94 milhões -– à publicidade institucional para promoção de suas próprias ações.

Os números não incluem os gastos com a publicidade de estatais como Correios e Telégrafos e Petrobrás, além de sociedades de economia mistas como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. 

Apesar dos valores aplicados este ano em publicidade serem altos, o governo já reduziu em R$ 67 milhões os gastos com campanhas institucionais em relação a 2004. Além disso, se compararmos em valores nominais, os gastos totais com propaganda em 2005 com os do último ano do governo FHC, constataremos uma redução de R$82 milhões nos valores aplicados.

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense nesta semana, o presidente do conselho deliberativo do Instituto Ethos, Oded Grajew criticou a propaganda institucional do governo, alegando ser ela um dos principais focos de corrupção no país. "O Brasil é o único país do mundo que faz propaganda de governo. Isso é absurdo", argumentou. Grajew condenou também a renovação de um contrato de publicidade da Petrobrás com a empresa do publicitário Duda Mendonça, que confessou ter recebido dinheiro de caixa 2 em pagamento de campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores.



Escrito por Cid Benjamin às 16h33
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Lula e o livre comércio (ou a unidade dos indiscerníveis) - II

César Benjamin (para Caros Amigos, novembro de 2005) - 2ª parte

 A dinâmica desses dois subconjuntos é muito diferente. Pois, na medida em que a renda das sociedades cresce, diminui a participação relativa do primeiro subconjunto, seja pela menor utilização de matérias-primas nos produtos finais, seja pela descoberta de novos materiais, seja pelo aumento da participação dos bens industriais e dos serviços na cesta de consumo das populações (isso se chama, em economia, elasticidade-renda menor do que 1). O inverso também é verdadeiro: os países ricos produzem, em maior proporção, os bens cuja demanda cresce mais do que o crescimento da renda (em economia, elasticidade-renda maior do que 1).

Por causa dessa assimetria, políticas de proteção aplicadas no centro e na periferia têm conseqüências bem diferentes. A proteção dos mercados dos países centrais, quando atinge os produtos ofertados pela periferia, retarda o crescimento e aumenta a vulnerabilidade dos países periféricos, reduzindo sua capacidade de contribuir para o crescimento do comércio mundial, visto como um todo.

A proteção seletiva dos mercados da periferia, ao contrário, ajuda a maximizar o comércio mundial. Pois os países periféricos em via de modernização continuarão necessitando realizar importações no limite de suas possibilidades, e por isso sempre farão o maior esforço exportador que esteja ao seu alcance. A proteção seletiva de seus mercados permite diminuir sua vulnerabilidade externa, tornando mais completa a sua base produtiva e aumentando sua renda interna, sem diminuir (ao contrário, aumentando) o volume de suas importações. Esse tipo de proteção altera apenas a composição dessas importações, concentrando-as naqueles produtos que os países pobres realmente não têm condições de produzir.

Prebisch desmontou o argumento liberal em seus próprios termos, demonstrando que a adoção de níveis adequados de proteção pelos países periféricos, ao aumentar sua renda sem diminuir sua propensão global a importar, maximiza o potencial do comércio mundial. Por isso, ele dizia, “a confiança do GATT [hoje Organização Mundial do Comércio] no livre jogo das forças de mercado e a proposta, dela decorrente, de reduzir igualmente as tarifas só seriam corretas se se aplicassem a países com estruturas econômicas homogêneas”.

Ou seja: quando o centro se abre para receber exportações da periferia, a periferia responde aumentando suas importações oriundas do próprio centro. Quando a periferia se abre da mesma maneira, a recíproca não é verdadeira. Neste caso, os países periféricos tendem a ter déficit nas contas externas, forçando-os a aumentar seu endividamento (e sua fragilidade) ou a reduzir suas importações.

Chegamos assim ao aspecto central do argumento de Prebisch, que é puramente econômico e nada tem de ideológico: em um sistema internacional marcado por forte heterogeneidade, a maximização do livre comércio não coincide com a maximização do comércio. Por uma questão de eficiência, países que apresentam estruturas muito diferentes não devem ser submetidos às mesmas regras comerciais.

Para obter maximização do comércio – que é, de fato, o desejável – é preciso reconhecer uma realidade histórica: as trajetórias de desenvolvimento, entre países e entre regiões, são desiguais. Por isso, dizemos nós, a proposta da Alca, que Prebisch não chegou a conhecer, é um equívoco sem conserto.

Ao apresentar-se como o campeão do “verdadeiro livre comércio”, o presidente Lula, um pouco por deslumbramento, um pouco por ignorância, um pouco por irresponsabilidade, um pouco por bajulação aos Estados Unidos, rompe com a melhor tradição do pensamento latino-americano e adere ao discurso hegemônico nos países centrais. Ninguém se iluda. Se o Brasil, como diz Lula, quer “competir livremente” com os Estados Unidos, é forçoso reconhecer que, a depender do nosso presidente, a Alca virá. Precisamos apenas conseguir negociações mais favoráveis. É o que defendia Fernando Henrique Cardoso, que por isso, em seus oito anos de governo, também não assinou o tratado proposto pelos Estados Unidos. Queria barganhar condições um pouco melhores.

Um dos princípios da lógica de Leibniz é o da unidade dos indiscerníveis: se não podemos estabelecer diferenças entre duas coisas quaisquer, devemos admitir que elas são uma só. Lula e Fernando Henrique, nesse e nos demais assuntos, são indiscerníveis. A luta política que se trava hoje no Brasil, em torno das CPIs, é apenas uma guerra de grupos pelo controle de verbas e nomeações, que alavancam negócios. O projeto para o país é o mesmo. A fala de Lula sobre a importância do “livre comércio” reafirmou isso mais uma vez.

 



Escrito por Cid Benjamin às 16h29
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Lula e livre comércio (ou a unidade dos indiscerníveis) - I

César Benjamin (para Caros Amigos, novembro de 2005) - 1ª parte

 A forma predominante de dominação ideológica não é mais o ocultamento dos fatos, um estratagema bastante primitivo, usado pelas ditaduras. Hoje, a dominação se faz muito mais pela capacidade de nomear. Mário de Andrade dizia: “As pessoas não pensam as coisas, elas pensam os rótulos.” Tinha razão. Boa parte do jornalismo econômico contemporâneo, por exemplo, tornou-se uma grosseira arte de rotular.

À lei que define que os recursos públicos devem ser prioritariamente usados para pagar juros ao sistema financeiro, em detrimento de todos os demais gastos do Estado, rotula-se “Lei de Responsabilidade Fiscal”. À prática de cortar gastos essenciais, para sustentar esses mesmos pagamentos, rotula-se “disciplina” ou “austeridade”, necessárias para formar um “superávit” metafísico (denominado, espertamente, “superávit primário”). Ao desmonte dos mecanismos de defesa de uma economia periférica e frágil rotula-se “abertura”. Aos efeitos do desvio de finalidade das contribuições sociais – recolhidas pelo Estado, conforme a Constituição, para financiar o sistema de Seguridade Social – rotula-se “déficit da Previdência”.

Os meios de comunicação difundem esses chavões e, pela repetição, os incorporam à linguagem comum. Feito isso, não há mais debate possível. Quem pode ser contra “responsabilidade”, “disciplina”, “austeridade”, “abertura”, “superávit”, coisas evidentemente tão boas? Quem se habilita a defender, a sério, “irresponsabilidade”, “indisciplina”, “gastança”, “fechamento” e “déficit”?

Em plena vigência de um regime político que garante liberdade de imprensa, paradoxalmente, quase ninguém tem acesso aos conteúdos das questões. Tudo fica paralisado nos rótulos, usados para bloquear sistematicamente o pensamento. 

Essa prestidigitação semântica, que sustenta a ideologia econômica dominante, é imensamente frágil. Poderia desfazer-se por meio de um simples ato de renomear. Os pontos de vista seriam automaticamente modificados, por exemplo, se trocássemos o nome da “Lei de Responsabilidade Fiscal” para “lei que define que pagar juros ao sistema financeiro é mais importante do que investir em serviços essenciais”. Os exemplos poderiam se multiplicar.

Só quem controla os meios de comunicação pode nomear e renomear de forma eficaz. O esforço de pensamento, voltado para ultrapassar a rotulagem e penetrar no conteúdo das questões, torna-se um ônus de quem rema contra a maré. É muito mais fácil surfar no bom senso dos rótulos.

É nesse contexto que devemos avaliar as afirmações de Lula em convescote recente com George W. Bush, em Brasília. Nosso presidente apresentou-se, mais uma vez, como o campeão do “verdadeiro” livre comércio, combatendo a hipocrisia dos países ricos, que dizem defender essa causa, mas não a praticam: “Em nenhum momento estamos pedindo qualquer benefício ou privilégio. O que estamos pedindo é que os países desenvolvidos façam uma política de comércio exterior em que sejamos tratados com igualdade. Queremos apenas a oportunidade de competir livremente.”

É bonito. Engana os trouxas. Mas é perigosíssimo. Se Lula conhecesse um pouco da história do pensamento econômico latino-americano não diria semelhante bobagem. Pois, também nesse caso, o nome da coisa – “livre comércio” – tem sido cuidadosamente escolhido para impedir o conhecimento do problema. Afinal, quem pode ser contra a idéia de “livre comércio”? Não é a liberdade um conceito legítimo em si?

As aparências enganam. O debate sobre o comércio internacional foi substancialmente aperfeiçoado, entre nós, pelo esforço intelectual de Raúl Prebisch. Seu principal argumento pode ser assim sintetizado, passo a passo: o comércio exterior de países periféricos apresenta forte assimetria, com exportações concentradas em bens primários e de baixo valor agregado, e importações de bens e serviços mais intensivos em capital, técnica e conhecimento.

 



Escrito por Cid Benjamin às 16h28
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Vem por aí um rodízio de pizza?

O deputado Romeu Queiroz (PTB-MG) foi inocentado ontem, no plenário da Câmara, das acusações de envolvimento no mensalão. Foram 250 votos contrários ao parecer que pedia sua cassação, 162 votos a favor, 22 abstenções, oito votos em branco e um nulo - num total de 443 parlamentares votantes.

Queiroz recebeu R$ 452 mil de Marcos Valério. Desse total, R$ 350 mil foi sacado por um preposto do deputado nos guichês do Banco Rural de Belo Horizonte. Outros R$ 102 mil foram repassados pela SMPB, agência de publicidade que tinha Marcos Valério como sócio.

Comentário de Josias de Souza em seu blog na Folha On Line: “Deputados governistas e oposicionistas acreditam que esse julgamento serve de baliza para os que estão por vir. Diz-se abertamente nos corredores da Câmara que foi firmado um acordo entre os partidos que ardem na fogueira do mensalão: PT, PL, PP e PTB. Algo na seguinte linha: proteja os meus que projeto os seus.”

Comentário meu: Faz sentido. O próprio Queiroz diz hoje (O Globo) que a maioria da bancada petista votou pela sua absolvição. Como Roberto Jefferson e José Dirceu - os dois peixes grandes - já foram cassados, os deputados podem achar que a opinião pública já teve sua sede de punições saciada. Assim, uma aliança do PT com os partidos mensaleiros parece ter sido feita para absolver os bagrinhos.  



Escrito por Cid Benjamin às 13h48
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Choro de quem ficou no PT

Nota do Painel da Folha de S. Paulo de hoje:

 

Do deputado Walter Pinheiro (PT-BA), sobre a tentativa da base governista de esvaziar a sessão de ontem do Congresso, que votaria créditos extraordinários para saúde e educação:
-É um absurdo. O PT deixa de votar projetos de saúde e educação mas prioriza a criação de jogos, como a loteria Timemania, que vai repassar dinheiro para clubes de futebol



Escrito por Cid Benjamin às 13h43
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Dívida do governo já subiu quase R$ 150 bi este ano

Uma pergunta se impõe: a política de juros exorbitantes (que fazem aumentar o montante da da dívida) e superávits primários recordes não serão um sacrifício inútil? Afinal, por mais que se cortem gastos sociais e se aumentem os recursos destinados aos banqueiros, a dívida não pára de crescer. Será mesmo este o melhor caminho?  A propósito, vejamos abaixo extrato de uma matéria publicada na Folha de S. Paulo hoje:

 

A dívida do governo em títulos públicos subiu mais de R$ 22 bilhões em apenas um mês. Entre outubro e novembro, ela passou de R$ 937,34 bilhões para R$ 959,5 bilhões, um aumento de 2,4% ou R$ 22,16 bilhões. No ano, a dívida já cresceu R$ 149,240 bilhões, segundo nota do Tesouro Nacional e do Banco Central.

Parte desse aumento deve-se ao fato de as emissões terem superado os resgates de títulos em R$ 9,9 bilhões. O restante é o impacto que os juros têm sobre o estoque da dívida. Mais da metade do estoque da dívida é remunerada pela taxa Selic, que ontem caiu para 18% ao ano.

 

 

 



Escrito por Cid Benjamin às 13h42
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Comentários sobre a pesquisa Ibope de ontem

Os comentários abaixo são de Mário Marona, em seu blog (http://blogdomarona.blogspot.com/).

 A leitura dos resultados da pesquisa Ibope divulgada ontem, manchete de quase todos os jornais de hoje, permite conclusões visíveis e interpretações não tão flagrantes assim.
As conclusões visíveis:

·     Serra é capaz de vencer Lula porque ultrapassou sua votação cativa e passou a tomar eleitores que apoiaram o presidente petista em 2002.

·     Serra se torna, assim, candidato óbvio das oposições e supera todos os seus adversários dentro do PSDB.

As conclusões menos evidentes, mas nem por isso menos importantes:

·     Se não houver uma virada espetacular, Lula pode pensar em desistir da reeleição e procurar um candidato que o represente - talvez Ciro Gomes, talvez Antônio Palocci.

·     Serra não é assim tão absoluto no PSDB. Mostrou que pode ganhar de Lula, sim, mas Geraldo Alckmin cresceu o suficiente para também se mostrar viável como opção tucana. Subiu cinco pontos percentuais apesar de nunca ter concorrido à presidência, ao contrário de todos os adversários, e de não ser conhecido nacionalmente, exatamente ao contrário de Serra.

·     Ainda que não tenha espaço na mídia, a não ser na forma de críticas, Garotinho também cresceu cinco pontos percentuais entre uma pesquisa e outra, o que demonstra que está longe de ser inviável como candidato.

Mesmo que não vá para o segundo turno, Garotinho pode decidir a eleição, dependendo da posição que vier a adotar em relação aos dois candidatos mais votados. Além disso, como conclui Merval Pereira em sua coluna de hoje, a candidatura de Garotinho pode ser imprescindível para Lula, porque ele garantiria a realização de um segundo turno e impediria uma vitória de Serra já no primeiro escrutínio.

Escrito por Cid Benjamin às 13h37
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A quem interessa a atual política econômica?

(artigo de João Pedro Stédile publicado na revista Caros Amigos)

 

O povo brasileiro é bombardeado todos os dias, pelos veículos da imprensa burguesa, com a noção de que a economia vai bem, de que a política econômica é intocável, de que a única coisa boa do governo Lula é sua política econômica. Mesmo no noticiário político, onde essa mesma mídia procura desmoralizar e desgastar ao máximo o atual governo, os presidentes do Banco Central e o ministro da Fazenda são intocáveis.

O governo, por sua vez, faz o jogo dessa mídia que o ataca, e confirma que essa política econômica é sua, que nada mudará, mesmo se algum dia tiver que trocar o ministro da Fazenda.

Em toda essa propaganda, cabem, sim, algumas perguntas chaves: a quem está beneficiando a política econômica atual? Por que a grande imprensa ataca o governo, mas defende com unhas e dentes a política econômica?

Pois bem, ao se aproximar o final do ano, os dados estatísticos da política econômica começam a aparecer com mais freqüência, divulgados pelos próprios organismos oficiais, como a Secretaria de Receita Federal (SIAF) e o Banco Central. Não quero molestar o leitor com estatísticas e muito menos com enfadonho economês, mas já estão disponíveis alguns dados muito interessantes, para todo brasileiro refletir sobre a natureza da atual política econômica. Vamos a eles.

Durante seu primeiro mandato, entre 1995 e 1998, FHC tratou de aprofundar a política econômica neoliberal iniciada pelo governo Collor e interrompida parcialmente no governo Itamar Franco. Essa política tem nos pressupostos a prioridade total do pagamento de juros da dívida interna e externa, manutenção de altas taxas de juros, e prioridade nas exportações a fim de obter os dólares necessários para enviá-los de volta como pagamento de royalties, juros da dívida externa e remessa de lucros.

Pois bem, FHC recebeu o governo com uma dívida pública federal ao redor de 60 bilhões de reais. Pagou em quatro anos 197 bilhões de juros. Do outro lado da conta, nesse período foram aplicados apenas 48 bilhões em investimentos por parte do Estado, e a soma total dos gastos públicos com toda a área social, somadas assistência social, educação e saúde, atingiu 242 bilhões.

Segue o segundo mandato. Entre 1999 e 2002, o governo FHC paga 268 bilhões de juros da dívida interna, investe 60 bilhões, e gasta com setores sociais 272 bilhões.

Ou seja, os gastos com juros já se equipararam a todos os gastos que o Estado tem com atendimento ao povo, em todas as áreas.
E a dívida interna, apesar de pago um total de 455 bilhões de juros, salta de 60 para 600 bilhões de reais.

O governo perde as eleições para Lula, que promete mudar tal situação e priorizar o social. Lula assume, mas mantém a equipe econômica do Ministério da Fazenda, que havia administrado essa política durante oito anos, mudando apenas o ministro. E coloca no Banco Central um deputado tucano e ex-presidente internacional do Banco de Boston. Era a senha de que nada mudaria mesmo! O povo foi enganado, de novo.
Três anos do governo Lula (embora os dados sejam apenas até 30 de setembro) – nesse período, o governo pagou 299,4 bilhões de juros da dívida. Mais de 100 bilhões por ano, superando a meta anual de todo o período FHC. Os investimentos públicos atingiram apenas 25 bilhões. E os gastos com toda a área social, no mesmo período, foi de 220 bilhões. Ou seja, os gastos com juros agora são quase 40 por cento a mais do que o social.

A taxa de juros básica que o governo se compromete a pagar a todo banqueiro que lhe emprestar dinheiro ficou ao redor de 20 por cento ao longo dos três anos, e a taxa que os consumidores e comerciantes tiveram que pagar em média por ano ficou ao redor de 65 por cento. São as mais altas taxas de juros do mundo. Nunca os banqueiros ganharam tanto dinheiro, no Brasil ou qualquer parte do mundo, como durante os últimos três anos do governo Lula.

No último ano, além dos juros transferidos pelo Estado para os banqueiros, que somaram mais de 100 bilhões por ano, as altas taxas de juros retiraram da população comum outros 64 bilhões de reais, pagos pelas pessoas ao sistema financeiro.

Como nos adverte em suas teses a professora Leda Paulani, presidenta da Sociedade Brasileira de Economia Política, estamos diante de um modelo econômico em que o Estado foi seqüestrado pelo sistema financeiro e é hoje o principal instrumento de transferência de renda e de exploração de todo o povo pelos banqueiros.

Talvez valesse mais a pena o nosso presidente ter algumas aulas com a professora Paulani do que ficar com arroubos ignorantes de que essa política é sua, que é uma política desenvolvimentista e nada mudará. Ou também poderia convocar a equipe de economistas do PT, que ao longo de vinte anos discutiu modelos alternativos de desenvolvimento, para quando chegassem ao governo. Nem Palloci, nem Meirelles, nem a equipe tucana que administra o Ministério da Fazenda fizeram parte dessa equipe de economistas petistas.

Não precisa ser economista para se dar conta de que essa política é nefasta para os interesses do povo, que é uma política que concentra renda, pois retira recursos recolhidos em impostos do povo e, em vez de voltar na forma de serviços públicos para melhorar as condições de vida de cada um, são transferidos para os cofres dos bancos nacionais e internacionais.

A dívida pública interna que Lula recebeu de FHC de 600 bilhões já atingiu em setembro 933 bilhões. E assim aumenta a cada dia o mecanismo de espoliação.

Os bancos agradecem, e certamente se disporão a seguir financiando campanhas eleitorais. E, como sempre fizeram, vão pagar as campanhas de todos os partidos, porque assim, ganhe quem ganhe, eles sempre receberão declarações emocionadas de que essa é a única política necessária.

João Pedro Stedile é economista e membro da Coordenação Nacional da Via Campesina.

 



Escrito por Cid Benjamin às 13h31
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Venezuela: oposição sofre derrota história

Em entrevista ao Correio da Cidadania, o jornalista Gilberto Maringoni, que recentemente escreveu o livro “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo), explica como fica a situação na Venezuela após as eleições para o parlamento, ocorridas recentemente. Segundo Maringoni, a oposição sofreu mais uma derrota histórica: “de quase metade do parlamento, os partidos oposicionistas ficariam reduzidos a menos de 30%”.

 

Correio da Cidadania: Na última semana aconteceram as eleições para o parlamento na Venezuela. Os opositores não foram às urnas. Como fica a situação do governo Chávez? Os opositores podem tentar outro golpe contra o governo bolivariano?

 

Gilberto Maringoni: A oposição ao governo Hugo Chávez vem colhendo sucessivas derrotas ao longo dos últimos anos. A mais recente, de grande envergadura, se deu no Referendo Revogatório de agosto de 2004. Antes já haviam tentado um golpe em 2002 e uma paralisação empresarial de dois meses. Agora, as pesquisas de opinião indicavam um novo revés. De quase metade do parlamento, os partidos oposicionistas ficariam reduzidos a menos de 30%. Buscaram então uma jogada ousada, para criar um fato político: atacaram a lisura do processo e se retiraram, buscando deslegitimar não apenas essas eleições, mas a própria legalidade institucional. Sua meta é obter apoio internacional para alegar que a Venezuela é uma ditadura e tentar derrotar o governo de fora para dentro. Este é o novo golpe em curso.

 

CC: Mesmo com o voto não obrigatório, o comparecimento foi considerado baixo, já que aproximadamente 33% dos eleitores compareceram às urnas. Isso não seria motivo para a oposição questionar o pleito?

 

GM: A abstenção na Venezuela é alta e tem origem no descrédito que viveram as instituições políticas nos anos 1980 e 1990, após a grave crise que o país viveu. Nos momentos de maior polarização, como o Referendo, o comparecimento foi de cerca de 70%. O baixo comparecimento é um problema real. A oposição jogou para aumentá-la. Chávez mostrou estar atento ao problema em discurso feito logo após a proclamação dos resultados eleitorais.

 

CC: A luta de classe no país vai ficar mais clara partir desse momento?

 

GM: A luta de classes já é muito clara na Venezuela. O golpe evidenciou isso, em 2002. Quem garantiu a volta de Chávez foi a população pobre e a baixa oficialidade das forças armadas. Os programas sociais, a reforma agrária e toda a ação de governo visa elevar o padrão de vida das maiorias. Contra Chávez está uma minoria que teme perder privilégios históricos.

 

CC: Neste sentido, o governo Chávez deve radicalizar cada vez mais suas ações populares?

 

GM: Ele tem feito isso, com habilidade. O desemprego vem caindo e os salários têm aumentado, além dos programas sociais terem se disseminado mais. Praticamente não há mais analfabetos no país. O que Chávez tem feito, ao mesmo tempo, é uma grande ofensiva internacional. A entrada do país no Mercosul, apoiado principalmente pela Argentina, é prova disso.

 

CC: Com você vê o cenário para a América Latina nos próximos meses?

 

GM: O cenário poderia ser bem melhor, não fosse a decepção causada pelo governo Lula. Há um agravamento das tensões, com a possível instalação de uma base dos EUA no Paraguai e o incremento do Plano Colômbia. Mas a derrota norte-americana em Mar del Plata mostra que o império não conta com unanimidade na região. A grande batalha dos próximos dias são as eleições bolivianas, na qual Evo Morales pode sagrar-se presidente. Nos próximos meses, teremos eleições presidenciais em 12 países, entre eles Venezuela, México, Nicarágua e Brasil. O neoliberalismo tem sido repudiado onde existem tentativas de superá-lo. O grande problema é o Brasil, onde Lula relegitima e aprofunda um projeto que causa nossa ruína. Se não construirmos uma alternativa pela esquerda, seremos forçados a escolher entre duas vertentes do neoliberalismo, a petista e a peessedebista.

 



Escrito por Cid Benjamin às 13h29
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Evo Morales confirma dianteira na Bolívia

Trecho de matéria da Folha de S.Paulo de hoje:

Pesquisa de intenção de voto realizada pela rede de TV boliviana Unitel e divulgada ontem mostra o candidato socialista Evo Morales oito pontos percentuais à frente do seu principal adversário, o ex-presidente Jorge "Tuto" Quiroga, a quatro dias das eleições presidenciais.
O ex-líder cocaleiro tem 36% das intenções de votos, contra 28% de Tuto Quiroga.
Em terceiro lugar está o empresário Samuel Doria Medina, com 9% das intenções.
Trata-se de um pequena oscilação a favor de Morales com relação a pesquisas anteriores, que apontam uma diferença de cinco a seis pontos percentuais entre os dois.
Apesar do bom resultado, o partido do ex-líder cocaleiro, Movimento ao Socialismo (MAS), está em desvantagem nas cruciais eleições legislativas.
De acordo com Constituição boliviana, caso nenhum candidato tenha a maioria simples dos votos, o presidente deve ser escolhido pelo Congresso entre os dois mais votados. Desde 1985 nenhum candidato a presidente conseguiu se eleger no primeiro turno.



Escrito por Cid Benjamin às 13h27
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Funk é demais

Esta foi tirada do Kibeloco (www.kibeloco.com.br)

Bandidos obrigam vítima de seqüestro a ouvir funk

Maria Alice Nassif Travençolo, de 26 anos, filha de um empresário do ramo de agropecuária, foi seqüestrada na cidade de Garça (SP). Ela passou dois dias em cativeiro, algemada à cama e ouvindo funk em alto volume para não ouvir a conversa dos bandidos.



Escrito por Cid Benjamin às 13h23
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Manchetes desta quinta-feira, dia 15/12

- Globo: PMs suspeitos de ajudar traficantes em seqüestro

- JB: De olho em 2006 - Pesquisa aponta perdas de Lula

- Folha: Serra cresce e passa Lula no 1° turno

- Estadão: Ibope coloca Serra à frente de Lula já no primeiro turno

- Correio: Dia de festa e noite de pizza no Congresso



Escrito por Cid Benjamin às 13h20
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Avaliação do Noblat sobre a pesquisa Ibope

 Abaixo, uma interessante análise do quadro eleitoral, feita pelo jornalista Ricardo Noblat em seu blog (http://noblat1.estadao.com.br/noblat/visualizarConteudo.do).

O teto de Serra é mais alto

Se Lula quiser dar um nó na escolha do seu sucessor só tem um caminho: desistir da reeleição e apoiar outro candidato - Ciro Gomes, talvez. Aí, sim, o jogo zera e o resultado se torna imprevisível.

Porque à luz da pesquisa Ibope divulgada há pouco, e da última pesquisa do Instituto Sensus divulgada há um mês, a eleição de 2006 será polarizada por dois candidatos - Lula e José Serra. Com vantagem crescente para Serra.

A pesquisa Sensus conferiu a Lula uma rejeição de pouco mais de 46%. Na história das eleições brasileiras monitoradas por pesquisas não há caso de  candidato que tenha vencido com rejeição acima de 40%.

Do jeito que se desenha a eleição de 2006, não sobrará espaço para outros candidatos. Disso também se encarregará a sobrevivência da regra da verticalização - que proibe aliaças de partidos nas eleições estaduais diferentes de alianças para a eleição presidencial.

A verticalização enterra o sonho do PMDB de disputar a vaga de Lula com candidato próprio, por exemplo. É mais vantajoso para o partido não apoiar candidato algum - e, nos Estados, correr livre e solto para se juntar com quem quiser.

O PDT desistirá da candidatura a presidente do senador Cristovam Buarque pelo mesmo motivo. Cristovam trocou o PT pelo PDT para ser candidato. A sucessão de Lula terá enorme chance de ser decidida ainda no primeiro turno. Pior para Lula.

A pesquisa Ibope desmonta uma série de teorias que haviam ganho o mercado nas últimas semanas. A primeira delas: o índice de intenção de votos de Serra não passa de recall da campanha de 2002.

É claro que Serra se beneficia do fato de ter enfrentado Lula há menos de quatro anos. Seu nome está vivo na memória de milhões de eleitores. Mas não é somente isso que explica seu patrimônio de votos.

No primeiro turno da eleição de 2002, Serra teve 23% dos votos. E 36% no segundo turno. Na simulação feita pelo Ibope na primeira semana do mês em curso, ele teve 37% no primeiro turno e 48% no segundo.

Serra está crescendo. É razoável imaginar que levas de eleitores frustrados com o governo Lula estejam migrando para ele. Somente no Nordeste, Lula está à frente de Serra, e mesmo assim por míseros três pontos percentuais.

Outra teoria desmentida pela pesquisa: Serra estava próximo do seu teto. Lorota. Ele cresce, inclusive, no Nordeste onde se concentram 50% dos investimentos do governo no programa Bolsa Família. Derrota Lula em todas as faixas de renda.

Geraldo Alckmin colhe os resultados de sua maior exposição à mídia nas últimas semanas. Perde de pouco para Lula no segundo turno, embora empate com Garotinho no primeiro. É difícil que supere Serra nas pesquisas até março.

É claro que a escolha do candidato do PSDB à vaga de Lula não será definida apenas pelas próximas pesquisas de intenção de voto. Ela passará também pela capacidade de cada um de atrair apoios.

Aqui, Serra também larga na frente de Alckmin. O PFL apoiará qualquer um deles, embora simpatize mais com Serra. O PMDB se inclina mais por Serra. E o PDT, também. O próprio Cristovam acha que Serra, hoje, está à esquerda de Lula.

Caso ganhe densidade nos próximos 60 dias o sentimento difuso de que "agora é Serra", somente Lula poderá embaralhar as cartas da sucessão - mesmo assim às custas de abandonar a mesa de jogo.



Escrito por Cid Benjamin às 15h04
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Pesquisa Ibope VII

Comparação do governo Lula com o governo FHC

- É melhor - 39% (eram 43% em setembro);

- É igual - 28% (eram 27% em setembro);

- É pior - 30% (eram 27% em setembro).



Escrito por Cid Benjamin às 14h37
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Pesquisa Ibope VI

Você confia no presidente Lula?, peguntou o Ibope.

- Sim - 43% (eram 44% em setembro);

- Não - 53% (eram 51% em setembro);



Escrito por Cid Benjamin às 14h36
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Pesquisa Ibope V

O governo Lula corresponde às suas expectativas?,  perguntou o Ibope na pesquisa que acaba de ser divulgada.

- Está melhor do que esperava - 20% (eram 23% em setembro);

- Está igual ao que esperava - 32% (eram 30% em setembro);

- Está pior do que esperava - 46% (eram 44% em setembro);



Escrito por Cid Benjamin às 14h34
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Pesquisa Ibope IV

O Ibope perguntou aos 2002 eleitores que entrevistou entre os últimos dias 3 e 7: quais as duas notícias recentes que mais chamaram sua atenção?

 - 20% responderam: acusações de que o PT pagava mesada a parlamentares;

 - 17% responderam: denúncias de corrupção nos Correios e em outros órgãos do governo;

 - 14% responderam: o processo de cassação do ex-deputado José Dirceu.



Escrito por Cid Benjamin às 14h32
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Pesquisa Ibope III

Em setembro, segundo o Ibope, 45% dos brasileiros aprovavam o modo como Lula governa o país. Na pesquisa que acaba de ser divulgada, o índice caiu para 42%. A reprovação aumentou de 49% para 52%.

A avaliação do governo permaneceu estável: repetiu-se o índice de 29% que o consideram ótimo. E o índice de 32% que o consideram ruim e péssimo.



Escrito por Cid Benjamin às 14h29
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Pesquisa Ibope II

Pesquisas simulando o primeiro turno:

Cenário 1

Lula - 31% (eram 33% em setembro último)

Serra - 37% (eram 30%)

Garotinho - 11% (eram 10%)

Heloísa Helena - 4% (eram 5%)

 

Cenário 2

Lula - 32%

Alckmin - 20%

Garotinho - 20%

Heloísa - 7%

Obs: os cenários 2 e 3 foram testados pela primeira vez.

 

Cenário 3

Lula - 33%

Aécio - 11%

Garotinho - 22%

Heloísa - 9%



Escrito por Cid Benjamin às 14h27
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Pesquisa Ibope I

Simulação do Ibope sobre o segundo turno da eleição presidencial:

Serra - 48%  x  Lula - 35%

Lula - 41% x Alkmin - 37%

 Lula - 41% x Garotinho - 33%

 Lula - 43% x Aécio - 29%

Contra Serra, Lula só ganha no Nordeste e por três pontos percentuais.

 



Escrito por Cid Benjamin às 14h24
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Golpismo como pretexto - artigo de Milton Temer

Vamos admitir que Delúbio Soares tenha dito a verdade quando afirmou, na PF, ter retirado R$ 1 milhão do cofre do PT, para pagar parte da dívida com a Coteminas, por conta das camisetas de campanha.

Vamos admitir que Delúbio possa ter guardado tal dinheiro dentro do cofre do partido, e operado com ele sem registrar nada em nenhum livro que servisse para uma contabilidade interna, mesmo que “paralela”. Sim, porque segundo Paulo Ferreira, homem de confiança do esquema José Dirceu no Rio Grande do Sul, e atualmente responsável pelas finanças do PT, não havia registro de nada, quando a denúncia apareceu. Sua primeira reação foi desmentir que o PT tivesse pagado tal quantia à Coteminas. O que gerou reação indignada, com provas de quitação, do responsável pela empresa no impedimento do vice-presidente José Alencar, seu proprietário.

Se isso aconteceu, temos todo o direito de concluir que Delúbio Soares tinha prerrogativas inimagináveis para um simples dirigente burocrata. Como isso é pouco plausível, temos o direito de concluir que Delúbio Soares tinha procuração de alguém muito poderoso, para agir com autonomia total. Porque, se Delúbio mexeu nessa dinheirama para decidir sozinho a quem ela deveria ser entregue, Delúbio podia fazer o que quisesse com o que vinha do valerioduto, e de outros atalhos pecaminosos ainda não revelados.

Como isso também não é plausível, natural imaginar que Delúbio, certo da impunidade, esteja chamando para si toda a responsabilidade do esquemão, visando proteger quem o comandava.  E poderoso, na estrutura do PT, diante das mínimas alternativas possíveis, não é necessário ser muito esperto para determinar quem era.

Interessante é que no mesmo dia, talvez na mesma hora, em que Delúbio era ouvido na PF, o presidente Luis Inácio, em Montevidéu, ressuscitava uma teoria esquecida, tal o que trazia de absurdo. Denunciava o comportamento “golpista” da oposição que, no Brasil, agia contra ele, nos termos semelhantes aos da Fedecamaras, federação do patronato da Venezuela, contra Chavez.

Para além da descabida comparação de personalidades – Lula se entregou às oligarquias que Chavez confronta –, não vamos excluir que os segmentos hegemônicos do grande capital brasileiro não dão a Lula a chave do paraíso. Não o aceitam como um dos seus. Daí, no entanto, pressupor que estejam almejando qualquer aventura golpista vai uma longa distância. Não por veleidades democráticas, que não têm, mas quem melhor do que Lula para manter inoperantes os movimentos sociais organizados contra os privilégios dos banqueiros, dos exportadores e do agronegócio? Se, por puro preconceito de classe, não é o ideal dos mundos com ele, pior sem ele.

Lula sabe disso. Por que então fala em ameaça golpista?

Só pode ser por conta do aperto que vai sentindo em torno de si, na medida em que não consegue brecar a dinâmica das investigações envolvendo os seus mais próximos – Dirceu, via Valdomiro Diniz, Marcelo Sereno e Silvio Landrover Pereira, seus sabidos operadores. Gushiken, sem explicar o privilégio de contas publicitárias ou as acusações fundistas de Pizzolato (cujo prestígio de outrora é conhecido pelo mais humilde sindicalista cutista). E, Palocci? O poderoso Palocci , escafedendo-se da CPI como só quem tem rabo para esconder o faz...

No meio de tanta balburdia, ainda vem a divulgação – através do amigo italiano Dalema – a opção por dupla cidadania da primeira dama, justificada com um “caso seja necessário”.

É carga demais para as proximidades de um já próximo embate eleitoral. Evidentemente, mais fácil é fugir para frente, denunciando o golpismo. Golpismo, presidente, é o que o PT realiza contra Chico Alencar e Orlando Fantazini, tentando substituí-los por seus suplentes no Conselho de Ética da Câmara. Um deles, o deputado gaúcho Paulo Pimentel, é aquele varrido da CPI do mensalão, por ter sido flagrado em contatos suspeitos com Marcos Valério no escurinho de uma garagem do Congresso. O resto é conseqüência de suas opções.

PS- Cheguei a me animar com o noticiário sobre a “virada à esquerda” na reunião do diretório nacional do PT neste último fim de semana. A imprensa leu mal. A resolução só pede mais comedimento nas doses de ortodoxia. Mas importa pelo chamado ao diálogo com a oposição de esquerda.

 

(publicado hoje no Jornal do Brasil



Escrito por Cid Benjamin às 14h19
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EUA: Sinal verde para torturar

O New York Times conta que o Exército dos Estados Unidos deu sinal verde preliminar para as novas normas para o interrogatório das pessoas capturadas por suas tropas. O jornal cita um funcionário do Pentágono que teme que as novas normas causem a indignação do senador John McCain, proponente de um projeto de lei proibindo as torturas, que o Senado aprovou e ao qual a Casa Branca se opõe.

Incrível e inaceitável o silêncio da comunidade internacional a respeito.

 



Escrito por Cid Benjamin às 14h08
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Cesar Maia reacionário e mentiroso

O prefeito Cesar Maia envia diariamente comentários políticos pela internet para milhares de pessoas. Mostra-se, sempre, reacionário. Muitas vezes, desonesto politicamente. Como na nota abaixo que enviou hoje.

CHAVEZ PRENDE E ARREBENTA ! LULA COMO REAGIRÁ ? E A CUT ?

Tribunal da Venezuela sentenciou a mais de 15 anos de prisão o antigo Presidente da Confederação de Trabalhadores, Carlos Ortega, por “los delitos de instigación a delinquir y rebelión civil durante la huelga de más de dos meses que se produjo entre 2002 y 2003.”
Na época, tal greve paralisou as atividades do setor privado, repercutindo principalmente na produção de petróleo.
Agora, era uma das principais figuras da oposição a Chavez.
Como reagirá Lula diante da prisão desse seu antigo companheiro sindical?

 

Ocorre que a condenação não se deu pela organização de greves, mas por participação no frustrado golpe de estado contra Chávez orquestrado pelos Estados Unidos.  

Uma clara diferença.



Escrito por Cid Benjamin às 13h58
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Manchetes desta quarta-feira

- Globo: Críticas à política econômica dividem o Ministério de Lula

- JB: Brasil antecipa pagamento de R$ 15,5 bilhões - Lula zera dívida com o FMI

- Folha: País quita dívida de US$ 15,5 bi com FMI

- Estadão: Brasil antecipa US$ 15,4 bi e zera dívida com o FMI

- Correio: Governo quita dívida com FMI antes do prazo



Escrito por Cid Benjamin às 13h06
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A esquerda, Lula e o PT

Abaixo vai a matéria do JB de hoje sobre um debate acontecido ontem na UFRJ entre Cesar Benjamin, Milton Temer e Vladimir Palmeira. Possivelmente a reportagem não espelha exatamente o que foi a discussão, mas pode dar uma prévia do que será a percepção das pessoas do debate político nas próximas eleições.

 
Ex-petistas atacam governo Lula

Paulo Celso Pereira

Dois dias depois de o PT fazer um documento em que tece duras críticas à política econômica, ontem foi a vez de três representantes históricos da esquerda fazerem duras críticas ao governo e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vladimir Palmeira, Milton Temer e César Benjamin debateram no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur) da UFRJ um tema que se tornou clássico: os rumos da esquerda.

Fundador do PT e ex-perseguido político, César Benjamin foi o mais aplaudido pela platéia. Fundador do PT, do qual se desfiliou em 1995, Benjamin atacou duramente Lula.

- Eleger o Lula era o início de um novo ciclo. O que assistimos hoje é que quando Lula se materializou deu 'chabu' Perdemos com isso o conceito de luta estratégica. O Lula é uma miragem coletiva da qual participei. Precisávamos tanto de alguém, que surgiu um torneiro mecânico, retirante nordestino e apostamos nisso - atacou.

Um dos principais líderes do PSOL, o jornalista Milton Temer, que se desligou do PT em 2003 defendeu radicalmente a implantação de um modelo socialista. E afirmou que o PT, que já foi o templo da esquerda brasileira, hoje mudou de lado:

- O PT está tão à direita que faz um documento com críticas ao modelo econômico, mas sem uma linha contra o governo Lula e dizem que deu uma guinada à esquerda - criticou.

De acordo com Temer, há hipocrisia do governo federal:

- Todo governo que diz que é ''para todos os brasileiros'' está traindo alguém. Ninguém pode governar para os oprimidos e para os banqueiros ao mesmo tempo.

Pré-candidato do PT ao governo do Rio em 2006, o historiador Vladimir Palmeira, ex-líder estudantil, foi o único que poupou Lula e fez duras críticas ao pensamento dominante da esquerda, que segundo ele continua sendo socialista ''por inércia''.

- As classes se diversificaram, o maior movimento de massas hoje no Brasil é o movimento gay. Nem o PCdoB vai mais às fábricas. Me considero socialista, mas ele tem todas as características de um movimento utópico - completou.


  



Escrito por Cid Benjamin às 10h26
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Tarso desanca Dirceu

Os parágrafos que se seguem são extraídos de um artigo de Tarso Genro sobre suas divergências com José Dirceu. Tarso desanca Dirceu e, em particular, dirige suas baterias contra a idéia de que Dirceu é um grande estrategista, o que considera um mito.

"Falo em “mito” porque, na verdade, ainda desconheço, nas instâncias de direção do PT, um “grande estrategista”.

"Entendo que um grande estrategista, em primeiro lugar, procura se cercar de pessoas com espírito crítico sobre os atos do “chefe”; procura se cercar de pessoas que estabeleçam vínculos -em diversos níveis- com os “opositores”, de boa e de má fé; um grande estrategista amadurece as suas posições antes de enunciá-las ou tem a sensibilidade de enunciá-las no momento apropriado; um grande estrategista ouve muito e com paciência; um grande estrategista privilegia a esfera da política, a que o aparato serve, e não ao contrário; um grande estrategista não se preocupa com que líderes cresçam ao seu lado, ao contrário, estimula o seu crescimento; um grande estrategista sempre prevê a possibilidade do desastre e está preparado para o “recuo em ordem”; um grande estrategista não alardeia os seus próprios predicados; um grande estrategista não define, previamente, objetivos que podem causar divisão no presente; um grande estrategista jamais dá a impressão que estabelece uma relação puramente instrumental com aliados e companheiros; um grande estrategista disputa a “hegemonia” e jamais faz da demarcação da sua autoridade pessoal um “fim em si mesmo”; um grande estrategista, enfim, é um líder, não um “comandante”: um comandante orienta e manda pelo “posto”, um líder pela sua racionalidade, fundamentação e transmissão de segurança combinada com calor humano.

"Salvo melhor juízo, não creio que qualquer um de nós ou mesmo o ex-ministro José Dirceu preencha pelo menos uma boa parte desses predicados.

"Ele foi um quadro importante da esquerda e do PT e poderá voltar a sê-lo. Pode ser até um bom estrategista para os padrões que construímos até hoje. Mas, sinceramente, livrai-nos, Senhor, de um “grande estrategista” que tem a coragem de ainda dizer –depois de tudo isso- frases como as seguintes: “querem me tirar da chapa, querem me tirar da fotografia, querem me tirar da História, depois sou eu que sou stalinista...” Ou seja, compara-se com os mártires do stalinismo, com um argumento stalinista: de quê História? quem quer tirá-lo? que fotografia pretendem rasgar, para que ele não apareça?

"Quem tinha por hábito inventar conspirações para preparar movimentos ofensivos era o velho e conhecido georgiano. É aquele método de debate que imputa posições a outros, caricaturizando-os, para depois atacá-los, mesmo sabendo que as posições “atacadas” não correspondem às posições da vítima.

"É o jogo da “soma zero”: ao invés de reforçar direções coletivas faz da luta interna o território da afirmação grupista. Eis um dos resultados concretos de uma estratégia menor."

 



Escrito por Cid Benjamin às 09h56
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Viva a Daspu!

Prostitutas cariocas, ajudadas por uma ONG, estão montando uma confecção. Escolheram um nome bem-humorado: Daspu. Mas as donas da Daslu, loja de bacanas paulistas, entraram com uma ação judicial tentando vetar o uso do nome. Agora os jornais publicaram que elas foram denunciadas à Justiça pelo Ministério Público, que pede penas de dois a 12 anos de prisão, por falsidade ideológica, formação de quadrilha etc. Pensando bem, as meninas da Daspu devem mesmo mudar o nome da confecção para evitar qualquer associação com a Daslu. 



Escrito por Cid Benjamin às 09h44
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No Chile, direita é direita

As notícias sobre a eleição no Chile trazem uma curiosidade. Lá, partidos e políticos de direita se assumem como tal. Isso é positivo. No Brasil, todo mundo se diz de esquerda, de centro-esquerda ou, no máximo, de centro. O PP de Maluf e o PFL de ACM seriam de centro. PSDB e PTB seriam de centro-esquerda. E, assim, a vida segue. Os bancos mantêm os lucros estratosféricos, mas parece que não existe direita no país.



Escrito por Cid Benjamin às 09h44
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Dono do JB compra Varig

O empresário Nelson Tanure, proprietário do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil, comprou a Varig. Comprometeu-se a pagar pela empresa US$ 112 milhões em 12 meses.A ver se, na Varig, Tanure vai assinar a carteira profissional dos funcionários. Nos jornais ele não faz isso com a maior parte da redação, para fugir dos encargos trabalhistas.



Escrito por Cid Benjamin às 09h43
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"Jardineiro fiel" no Amapá

A temática do filme “Jardineiro Fiel”, passado na África, repete-se na Amazônia. Dez pessoas de uma comunidade ribeirinha do Amapá foram contaminadas por malária em pesquisa financiada pela Universidade da Flórida e pela ONG Instituto Nacional de Saúde, dos EUA. Moradores de Santana, a 18km de Macapá, tinham de usar o corpo para serem picados por mosquitos e recebiam de R$ 12 a R$ 20. Vejamos o que dizem o governo e a mídia.



Escrito por Cid Benjamin às 09h42
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Manchetes desta terça-feira

- Globo: Preço da gasolina deixará de seguir mercado externo

- JB: Saúde precária - Investigado abuso de planos

- Folha: Empresário compra Varig por US$ 112 mi

- Estadão: Governo está sem objetivos, diz Furlan

- Correio Braziliense: Palocci sob pressão



Escrito por Cid Benjamin às 09h41
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Em busca da Transparência

Hoje é o Dia Internacional de Combate à Corrupção. A ONG Transparência Internacional fez uma importante sugestão para lançar luz sobre a gestão pública: solicitou à CPI dos Correios que seja pedida ao governo federal a lista das cerca de 20 mil pessoas indicadas para os cargos de confiança. 

Outra sugestão da Transparência Internacional é que se reduza drasticamente o número desses cargos de livre provimento nos três níveis da administração pública. Na prática, eles são usados como moeda de troca para que o poder executivo negocie apoios e funcionam como canal para que pessoas sejam alocadas sem concurso em cargos públicos, com a finalidade de conseguir vantagens políticas e materiais para seus padrinhos.

São duas boas sugestões.    



Escrito por Cid Benjamin às 18h23
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Pesquisa ruim para Lula

No Painel da Folha de hoje, números da pesquisa mensal Pulso Brasil, do instituto Ipsos Opinion. Pela primeira vez aparece um empate técnico entre Geraldo Alkmin (38%) e Lula (39%) na simulação de segundo turno para 2006. A mesma pesquisa registra a ampliação da vantagem de José Serra (45%) sobre o presidente (36%) no segundo turno.

O mais preocupante para Lula é que não houve grande crescimento dos dois tucanos, e sim um recuo significativo dele.



Escrito por Cid Benjamin às 08h49
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Lula versus PT

Em discurso na posse do ministro Eduardo Campos como presidente do PSB, Lula defendeu o fim da verticalização. Tem lógica: além de ser o que quer o PSB, se a norma continuar em vigor sua candidatura à reeleição pode ter o apoio apenas da coligação PT-PC do B.

Resta agora dobrar a bancada petista que, temerosa de uma aliança com os partidos mensaleiros, fechou questão a favor da verticalização. 



Escrito por Cid Benjamin às 08h45
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Palocci versus Genoino

A história de uma carona em jatinho de empresário está opondo Palocci a Genoino. Ontem este último confirmou ter feito, junto com o ministro, uma viagem de Brasília a Ribeirão Preto no avião do empresário Roberto Colnaghi,  em julho de 2003. A informação desmente o que disse Palocci em em nota oficial.

E agora?  



Escrito por Cid Benjamin às 08h41
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Dirceu versus Lula

A entrevista de José Dirceu à revista Fórum mostra que chegaram ao fim os dias de "fidelidade canina" do ex-ministro a Lula. Por tudo o que foi dito - "não sobrou nada no governo Lula" ou "o personagem (Lula) é difícil" - e por tudo o que ficou nas entrelinhas, ficou claro que, mesmo que o presidente o convide, Dirceu não estará no seu palanque. 

Diante do constrangimento, o PT soltou nota oficial.

Culpando a revista...   



Escrito por Cid Benjamin às 08h36
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Manchetes desta sexta-feira

- Globo: CPI investiga omissão do BC na fiscalização do Rural

- JB: Agora a devassa é no futebol

- Folha: CPI suspeita que dinheiro de fundos foi para o exterior

- Estadão: Venezuela no Mercosul. Com voz, mas sem direito a voto

- Correio Braziliense: Sujos na Receita...



Escrito por Cid Benjamin às 08h29
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Perdeu, Playboy

Isso um dia ia acontecer. Reparem só nesta notícia tirada do kibeloco. 


"Playboy" comete gafe e deixa modelo sem umbigo

Todo mundo sabe que as revistas masculinas usam e abusam do Photoshop, um programa de computador que realça as qualidades e apaga as imperfeições das modelos. No entanto, a edição de novembro da "Playboy" cometeu um erro grosseiro que divertiu (ou indignou) os leitores mais atentos.

Em um dos ensaios da revista, a contorcionista Andreza (no destaque da imagem) "perdeu" o umbigo. Isso mesmo. A foto da página 129 da edição foi tão retocada que simplesmente apagaram o umbigo (e o vistoso piercing) da modelo (foto).




Escrito por Cid Benjamin às 17h31
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Rural falseou dados sobre empréstimos ao PT

Esta é do blog do Josias de Souza, da Folha

Carlos Godinho, ex-superintendente do Banco Rural, declarou à CPI dos Correios nesta quinta-feira que foi orientado a excluir de relatórios internos informações referentes aos empréstimos concedidos ao PT e à SMPB, empresa que tinha Marcos Valério como sócio. O falseamento dos relatórios visava omitir dados da fiscalização do Banco Central.

 

Godinho era o responsável pela elaboração dos tais relatórios de controle interno. Têm periodicidade semestral e servem para que o BC verifique se a instituição financeira está seguindo as normais oficiais. Ele contou que as dívidas da agência de Valério nunca eram cobradas. Embora a empresa dispusesse de saldo em conta, os empréstimos eram sistematicamente renovados.

 

As contas mantidas no Rural, contou Godinho à CPI, são submetidas a um sistema de informática que faz uma “análise de risco”. No caso das contas da SMPB, o sistema detectou o que o ex-superintendente chamou de “indícios de lavagem de dinheiro”.

 

A movimentação chegou a atingir um volume dez vezes superior ao faturamento declarado pela agência em seus balanços. Os dados foram repassados à direção do banco que, pela lei, deveria ter informado o fato ao BC.

 

Godinho disse que, a despeito da maquiagem dos relatórios internos do Rural, o BC poderia ter detectado as irregularidades. Auditores da instituição inspecionaram a casa bancária mineira. A fiscalização começou em setembro de 2004. E foi concluída em agosto de 2005. Quatro meses depois, portanto, do estouro do escândalo do mensalão, em maio passado.

 

Segundo o ex-superintendente do Rural, a equipe do BC recebeu informações que teriam permitido a descoberta das anomalias que maculam os supostos empréstimos ao PT e à SMPB. A fiscalização foi, nas palavras de Godinho “muito rigorosa”. Ele acrescentou: “O que me surpreendeu foi o resultado”.

 

Godinho já havia antecipado parte das revelações que fez à CPI em entrevista à revista Época. Por isso ele foi convocado. A direção do Rural negou as acusações na ocasião. Abriu um processo judicial contra o ex-funcionário.

 

Além do depoimento desta quinta no Congresso, Godinho já foi ouvido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Suas declarações tonificam a impressão de que os alegados empréstimos que rechearam as arcas clandestinas do PT são, na verdade, operações de fachada.

 

Fosse o Brasil um país em que gente de colarinho branco acabasse na cadeia, essa história do valerioduto e suas ramificações, dentro e fora do PT, arrastaria dezenas de criminosos bacanas para ver o sol nascer quadrado. 



Escrito por Cid Benjamin às 17h21
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A cueca volta às manchetes

Deu no Globo de hoje. Dois paranaenses foram presos ontem ao embarcar para a China com 30 mil dólares escondidos na cueca. O flagrante ocorreu no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos.

Não procede a informação que fossem assessores do irmão do Genoino.

Mas parece que está virando moda.



Escrito por Cid Benjamin às 17h13
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A estranha lógica de Lula

Esta nota foi publicada no blog do Noblat. Ela aponta para algo que vem ocorrendo com maior intensidade: se antes com freqüência Lula errava no português, ele agora deu pra dizer coisas sem nexo. Confiram.  

Como é tortuoso o raciocínio de Lula. Vejam o que ele disse sobre corrupção promovida pelo PT e denunciada por Roberto Jefferson:

- Não pense que fiquei inibido de ser petista não. Pelo contrário, agora estou mais orgulhoso. Também não somos infalíveis, cometemos erros e temos de pagar e pagar forte, porque a sociedade precisa nos cobrar sistematicamente, de forma implacável, para a gente ser uma referência ética.

Se consegui entender, como petista Lula se sente mais orgulhoso ainda desde que restou provado que eles (os petistas) não são infalíveis, cometem erros e por isso devem pagar. E pagar caro.

Entendi direito? Ou li com má vontade o que ele disse? Ajudem-me.



Escrito por Cid Benjamin às 17h09
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Camisas problemáticas

Esta é do www.euhein.com.br

 

 
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Escrito por Cid Benjamin às 12h33
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Diretora da ONU demitida por assédio sexual

Esta é do site www.kibeloco.com.br

 


Diretora eleitoral da ONU é demitida por assédio sexual

Carina Perelli (na foto), foi oficialmente demitida de seu posto devido a acusações de assédio sexual e abuso de autoridade. Ela é a primeira mulher a ser demitida da ONU por esses motivos.

Perelli se tornou uma estrela na ONU por supervisionar eleições em lugares perigosos do mundo, como o Afeganistão, o Iraque, os territórios palestinos e o Timor Leste.


***


PS - Ficou claro que na hora de "supervisionar eleições em lugares perigosos", a ONU, que não é boba nem nada, envia os maiores canhões pra botar ordem na casa.

 



Escrito por Cid Benjamin às 12h24
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As complicações da verticalização – II

Nota da coluna Panorama Político, do Globo, assinada por Ilimar Franco, que substitui interinamente Tereza Cruvinel, afirma que figuras proeminentes do PSB – o ex-ministro Roberto Amaral, o ex-líder na Câmara Alexandre Cardoso e o atual líder, Renato Casagrande – consideram que, mantida a verticalização, o PSB deve ter candidato próprio à Presidência. Segundo eles, sem isso teria dificuldades para ultrapassar a cláusula de barreira (que, por enquanto, está mantida em 5% dos votos para a Câmara dos Deputados).

Na cúpula do PSB, a posição de apoio a Lula no  primeiro turno contaria somente com o apoio do presidente do partido, e ministro, Eduardo Campos.



Escrito por Cid Benjamin às 12h07
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As complicações da verticalização - I

A ser mantida a verticalização – norma que impede os partidos de, nos estados, fazerem alianças que contrariem a aliança no plano nacional – vai ficar ainda mais difícil para a candidatura Lula ampliar seu leque de apoios. O PMDB, que seria o aliado preferencial para Lula, é um dos maiores defensores da eliminação da regra. Mas o PT quer manter a verticalização.

Contra a vontade de Lula.

 



Escrito por Cid Benjamin às 12h05
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Lula começa a tratar da reeleição

Segundo afirma Josias de Souza em seu blog no site da Folha, Lula já marcou data para oficializar a sua candidatura. Será entre o fim de fevereiro e início de março de 2006. Lula teria decidido também acelerar as consultas para a composição de um staff de campanha - o anterior está esfacelado - e deslanchar a costura da aliança partidária a ser formada em torno do PT.

Ele estaria preocupado com a desarticulação de sua candidatura e de olho na movimentação daquele que considera seu principal adversário: o tucano José Serra.

 

Diferentemente de Serra, que já costura os entendimentos para uma aliança com o PFL, Lula não sabe sequer se terá o apoio dos partidos do  mensalão: PL, PP e PTB. Sobrariam o PC do B e o PSB. Isso, se a verticalização e a cláusula de barreira não os empurrarem para uma posição independente.



Escrito por Cid Benjamin às 12h02
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Entrevista de Lula – III

O presidente negou que tenha decidido se candidatar no próximo ano e voltou a dizer que é contra a reeleição.

 "Votei contra a tese da reeleição na Constituição de 88. Acho que foi um desatino ter diminuído o mandato de cinco para quatro anos", afirmou.

Por que, então, não desiste da reeleição, mandando uma emenda constitucional ao Congresso acabando com ela?

Seria o mais lógico.  



Escrito por Cid Benjamin às 11h59
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Entrevista de Lula – II

Lula rebateu as críticas à taxa de juros no Brasil. "A média de juros nesses 36 meses de governo é praticamente a metade da média de juros dos últimos 15 anos. É uma média de juros razoavelmente baixa", afirmou.

Durma-se com um barulho desses: a taxa que Lula diz ser “razoavelmente baixa” é simplesmente a mais alta do mundo.



Escrito por Cid Benjamin às 11h58
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Entrevista de Lula – I

Depois de ter se referido há alguns dias ao ex-tesoureiro do PT como “o nosso Delúbio”, na  entrevista que deu a jornalistas das rádios Band AM, BandNews FM, CBN e Jovem Pan, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que poderia levar o ex-ministro José Dirceu para o palanque no próximo ano, caso seja candidato à reeleição.

Admitindo que a afirmação seja verdadeira, fica a dúvida: a quem Lula se referiu quando, há cerca de dois meses, jurou não saber das irregularidades praticadas pelo PT, dizendo ter sido traído. Já sabemos que nem Delúbio, nem Dirceu o traíram.

Mas, então, quem o traiu, afinal?



Escrito por Cid Benjamin às 11h57
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Manchetes de hoje, quarta-feira, dia 7/12

O Globo: "Delúbio diz que dinheiro para empresa do vice era de Valério"

Folha: "Delúbio afirma que valerioduto pagou empresa de Alencar"

Estado: "Ipea reduz para 2,3% previsão para o PIB"

JB: "Fundos de pensão: Rombo pode chegar a 729 milhões".


Escrito por Cid Benjamin às 11h55
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Preconceito contra Chávez

O tratamento dado pela mídia brasileira às eleições venezuelanas deixa clara a ojeriza ao processo revolucionário em curso naquele país. A ampla maioria obtida pelo presidente Hugo Chávez é apontada como ameaça à democracia – como se ele não fosse o governante mais julgado, e aprovado, nas urnas em todo o mundo nos últimos anos.

Elio Gaspari foi uma honrosa exceção: em artigo na Folha e no Globo de domingo, denunciou a estratégia golpista da direita. 



Escrito por Cid Benjamin às 13h49
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O Globo dá uma fora

Com o slogan Ilegal, e daí?, O Globo tem feito uma intensa campanha para denunciar que nas favelas não são respeitadas normas urbanísticas. Parece algo encomendado por especuladores imobiliários, interessados na remoção de favelas localizadas em áreas valorizadas do Rio. Mas, se não é assim, e a preocupação é mesmo fazer cumprir as leis, vão aqui duas sugestões para o jornal continuar sua campanha:

1) o valor do salário-mínimo não é suficiente para prover o sustento de uma família;

2) é preciso fazer uma auditoria na dívida externa.

Nos dois casos a Constituição está sendo desrespeitada. 



Escrito por Cid Benjamin às 13h48
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O Globo dá uma dentro

Domingo O Globo abordou um problema crucial em sua manchete de primeira página: a morosidade do Poder Judiciário. A reportagem conta que o Conselho Nacional de Justiça, órgão criado para exercer controle sobre o Judiciário, deu 60 dias para que seja julgado um processo em Iaciara (GO). Detalhe: o processo tramita há 38 anos.

Seria bom que o órgão apressasse também o julgamento de processos trabalhistas que se arrastam, enquanto os patrões aplicam o dinheiro no mercado financeiro. Ao final, mesmo que percam a causa e tenham que pagar multa e correção, saem ganhando.



Escrito por Cid Benjamin às 13h44
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JB na vanguarda?

O outrora respeitado Jornal do Brasil segue firme ladeira abaixo. Acaba de perder seu nome mais respeitado: o colunista Ricardo Boechat, que pediu o boné. Interessante como, por razões que ninguém conseguirá explicar, o JB tem repetido esta informação dias a fio. Como se, diante dos leitores, se orgulhasse de perder um dos poucos jornalistas de peso que ainda tinha. O jornal merece, mesmo, a piada do colunista Tutty Vasques, no site No Mínimo, reproduzida pelo Mário Marona em seu blog (http://blogdomarona.blogspot.com/ ):

“Se é mesmo verdade que a imprensa de papel vai acabar, pode-se dizer que o JB, sempre à frente de seu tempo, está na vanguarda desse movimento. Essas coisas o Diogo Mainardi não vê!”



Escrito por Cid Benjamin às 13h41
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Ninguém deu bola pro palhaço

O colunista Diogo Mainardi, de Veja, tenta imitar Paulo Francis – jornalista que no fim da vida tornou-se de direita e cuja inteligência era inegável. Mas Mainardi é a caricatura mal feita de Francis.  Na última Veja, lista “governistas infiltrados” na mídia e diz que tenta adivinhar “a que corrente do lulismo pertence cada jornalista”. Na relação, aparecem jornalistas até que têm sido criticados pelo PT por, supostamente, terem má vontade com o governo Lula. Vaidoso com é, Mainardi deve estar se rasgando todo: ninguém levou sua lista a sério.

Escrito por Cid Benjamin às 13h39
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Por que em dinheiro vivo?

Os jornais noticiaram com destaque o depósito de R$ 1 milhão feito pelo PT para a Coteminas, empresa do vice José Alencar. Segundo o PT, foi uma “operação não contabilizada”. “Tem a ver com práticas informais da gestão anterior”, informou o tesoureiro Paulo Ferreira. Mas o que ele não explicou – e ninguém é incrível que nenhum repórter tenha perguntado! – foi a razão pela qual o depósito foi em dinheiro vivo. Afinal, não é usual que alguém ande com R$ 1 milhão pela rua.

Só faz isso quem não quer deixar rastros.  



Escrito por Cid Benjamin às 13h36
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Manchetes desta terça-feira

- Globo: PT reconhece pagamento ilegal à empresa do vice

- JB: César Maia divide PFL e PSDB

- Folha: Alencar culpa PT por depósito

- Estadão: CPI aponta perda de R$ 400 milhões nos fundos de pensão



Escrito por Cid Benjamin às 13h33
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Pérola lusitana

Deixo de lado meu descanso de fim de semana, quando este blog não é atualizado, para postar esta sensacional notinha, extraída da coluna de José Simão, na Folha de hoje.

Os diálogos que se seguem são da entrevista de um biólogo português, na rádio Antena 1 da terrinha.

- O senhor confirma que muitos cogumelos são comestíveis, mas alguns são venenosos? - perguntou o repórter ao especialista.

- Todos são comestíveis.

- Mas alguns deles são venenosos?

- São todos comestíveis.

- Mas o que o senhor quer dizer com isso?

- Que algum deles come-se uma vez só.

Pano rápido.



Escrito por Cid Benjamin às 15h28
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Manchetes desta sexta, dia 2

O Globo: PIB em queda - Lula já fala em 'reparos' e Palocci em 'mudar a dose'

JB: Uma equação perversa - Brasileiro vive mais e se aposenta com menos

O Dia: Bandidos matam os monstros do ônibus

Folha: BC contesta queda do PIB e defende política de juros

Estadão: Palocci admite rever dose do juro

Correio Braziliense: Mais quatro na fila da cassação



Escrito por Cid Benjamin às 11h38
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Chico de Oliveira no Rio

Uma outra do PSol: na segunda, dia 5, vem ao Rio uma das melhores cabeças do país, o cientista político Chico de Oliveira, que participará de um debate sobre o futuro da esquerda. Vai ser no Clube Asa, Rua São Clemente 155, às 18h30. Vale a pena conferir

Escrito por Cid Benjamin às 11h36
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PSol na praia, se não chover

Se a chuva não atrapalhar, o Núcleo Zona Sul do PSol vai promover domingo, dia 4 de dezembro, a partir das 14h, atividade político-cultural no Posto Nove, em Ipanema, com a presença da senadora Heloísa Helena. A animação - com ciranda, jongo e samba - ficará por conta de Lúcio Sanfilippo e do grupo Pé-de-Chinelo. A atividade conta com o apoio dos mandatos Chico Alencar e Eliomar Coelho

Escrito por Cid Benjamin às 11h33
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Pena de morte - dois pesos e duas medidas

BBC informou que os Estados Unidos executaram hoje o milésimo condenado à morte desde que este tipo de pena voltou a vigorar, em 1976. Kenneth Boyd – que matou a mulher e o sogro na frente de dois de seus filhos em 1988 – foi executado com uma injeção letal na Carolina do Norte.

Em Cuba as últimas execuções - condenáveis - aconteceram em abril de 2003.

Vale a pena comparar a grita feita na época pela mídia internacional com o silêncio de agora.



Escrito por Cid Benjamin às 11h32
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Mortalidade infantil

A ONU dulgou ontem os resultados de um levantamento sobre os índices de mortalidade infantil. A mortalidade infantil é considerada mundialmente como o melhor indicador da qualidade de vida em um país.

No Brasil, comparando-se com a pesquisa anterior, de 1980, a situação melhorou muito. Há 25 anos havia 69,1 óbitos para cada mil bebês nascidos vivos. Em 2004, as mortes caíram para 26,6. A queda foi de 61,5%.

Os estados que apresentaram as piores taxas foram Alagoas (55,7) e Maranhão (43,6).

Mas, se houve melhoria em relação ao quadro anterior, no ranking geral o Brasil ainda ocupa um vergolhoso 99º lugar.

Entre os países da América Latina e do Caribe, também vamos mal: estamos em 21º lugar. Entre esses países, o país com menor taxa de mortalidade infantil é Cuba.



Escrito por Cid Benjamin às 11h27
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Haja compulsão!

Dono do escritório de advocacia MMS, Walter Santos Neto é suspeito de ter intermediado o pagamento da Gtech a grupos ligados ao governo federal para renovação do contrato com a Caixa Econômica Federal. Em depoimento à CPI dos Correios, ele recorreu ontem a um argumento insólito para explicar por que sacou de sua conta bancária mais de R$ 10 milhões em dinheiro vivo. Disse sofrer de distúrbio de comportamento que chamou de "compulsão ou disfunção do gasto".

"Posso dizer que a motivação que sempre tive em relação ao dinheiro vem de uma deformação de minha personalidade, a necessidade de ver o dinheiro, de se sentir com poder."

Tá bom. Estamos combinados assim.

 



Escrito por Cid Benjamin às 11h20
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A sorte de ser brasileiro

Laudo da Polícia Federal, revelado ontem pela CPI dos Correios, afirma que a DNA Propaganda e a SMPB Comunicação, agências de Marcos Valério, imprimiram 80 mil notas fiscais falsas e emitiram pelo menos quatro delas para justificar o recebimento de recursos de órgãos e empresas públicas com as quais mantinham contrato - entre os quais o Banco do Brasil e a Eletronorte.
Cá pra nós, a julgar por tudo o que vem aparecendo sobre Valério, estivéssemos no Japão ele teria feito haraquiri. Na China, já teria sido executado com uma bala na nuca.



Escrito por Cid Benjamin às 11h18
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Funcionários do PT entram em greve

A maré não anda boa mesmo para o PT. Depois da queda, coice. Os funcionários do Diretório Nacional do PT decidiram ontem à noite entrar em greve. Eles ainda não receberam a primeira parcela do décimo-terceiro, nem o salário de novembro. E não aceitaram a proposta da Secretaria de Finanças do partido, que prometeu depositar até hoje os salários de até R$ 1.500 e o restante no dia 9 de dezembro. Reclamaram, ainda, ter sido informados sobre o atraso em cima da hora, ferindo um acordo que existia entre o partido e seus empregados.

Há um mês o PT lançou uma campanha de arrecadação entre filiados e simpatizantes. Esperava conseguir R$ 4 milhões até o fim do ano com as doações. Até agora só conseguiu R$ 100 mil.

 



Escrito por Cid Benjamin às 11h13
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Lula fala em "ajustes" na economia

Diante do resultado negativo do PIB, divulgado ontem, Lula já admite abertamente a necessidade de “ajustes” na economia. Dificilmente vai mudar os fundamentos da política econômica atual, mas, como já disse aqui neste blog, para mim não será surpresa se o governo diminuir o arrocho fiscal, abrindo um pouco mais o cofre, na linha do que vem pregando Dilma Roussef.

Afinal, ano que vem tem eleição.

O que fará Palocci, diante disso, não sei.

Mas, derrubado Dirceu, ele deve se tornar o alvo preferencial da oposição, o que poderia contribuir para sua saída. 



Escrito por Cid Benjamin às 11h09
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Internautas apóiam cassação de Dirceu

Resultado da pesquisa do Globo On Line, que perguntou se foi justa a cassação do mandato de José Dirceu:


Sim. Tudo indica que o ex-deputado comandou o esquema de corrupção - 73,34%
Não. A decisão foi injusta porque não há provas de que ele foi o responsável pelo mensalão - 26,66%



Escrito por Cid Benjamin às 11h06
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Notas postadas quinta-feira, dia 1º de dezembro

Escrito por Cid Benjamin às 12h21
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Manchetes de hoje

- Globo: Câmara expulsa ex-capitão de Lula

- JB: 293 votam sim e Dirceu perde mandato

- O Dia: Traficantes e terroristas

- Folha: Dirceu é cassado por 293 votos a 192

- Estadão: Câmara cassa Dirceu

- Correio Braziliense: Do mensalão à cassação

Escrito por Cid Benjamin às 12h20
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Eu votaria pela cassação de Dirceu

Fui procurado ontem pela revista "Época", na qualidade de ativista do movimento estudantil em 1968 preso juntamente com José Dirceu no Congresso da UNE de Ibiúna. Disse-me o repórter que meus dados e minha foto estão na mesma página dos de Dirceu, na ficha feita pelo Dops paulista à época. Ele queria saber como eu votaria em relação ao futuro político de Dirceu, caso fosse deputado.

Expliquei-lhe que votaria pela cassação, por mais de uma razão.

Está mais do que provado o suborno de deputados pelo PT e o governo Lula. Talvez não tenha havido "mensalão" no sentido de que, a cada dia 5, deputados passavam no guichê do Banco Rural para receber o dinheiro da dupla Delúbio-Valério. Mas sustentar que tudo o que ocorreu não passou de dinheiro para cobrir gastos de campanha e do pecado venial do caixa dois é duvidar da inteligência alheia.

Está mais do que provado, também, que a fonte dos recursos não foram os tais empréstimos do PT avalizados por Valério. (Aliás, a dúvida aqui é se os empréstimos chegaram a existir). Houve, sim, desvio de dinheiro público em quantidades significativas.

Enquanto esteve na Casa Civil, Dirceu coordenava a relação com os deputados da base aliada, aliás tendo como os principais assessores duas figuras hoje encrencadas com a Justiça: Waldomiro Diniz e Marcelo Sereno. Alguém em sã consciência pode acreditar que ele não soubesse que havia suborno na relação com os deputados?

Alguém pode acreditar, ainda, que Delúbio tenha operado sozinho, sem o aval de escalões superiores no PT e no governo? Se foi assim, por que o PT demorou tanto em puni-lo e por que paga seu advogado?

Enfim, as evidências não me permitiriam um voto pela absolvição de Dirceu.

Foi o que eu disse à revista.  



Escrito por Cid Benjamin às 12h19
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Dirceu virou breque de samba

Malgrado os esforços que fez para melhorar sua imagem junto a opinião pública, Dirceu já tinha sido condenado por ela. Há mais de um mês, nas rodas de samba do Rio, a música "Lama", de Mauro Duarte, ganhou um breque novo.

Seus versos dizem: "Mas o que eu soube a seu respeito/Me entristeceu, ouvi dizer/Que pra subir você desceu". Em seguida vinha o breque: "Você desceu".

Esse breque tem sido cantado: "José Dirceu".   



Escrito por Cid Benjamin às 12h05
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Nunca se viu fofocar tanto...

Com a queda de Dirceu, Palocci pode entrar definitivamente na alça de mira. A quebra do sigilo telefônico de Ademirson Ariovaldo da Silva, assessor particular do ministro da Fazenda, mostra que, desde 2003, houve mais de 2.300 conversas telefônicas entre ele e os ex-auxiliares de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto réus confessos de tráfico de influência no governo federal e de participação em esquemas de corrupção do PT. Até agora, a justificativa tem sido de que as chamadas eram para conversas particulares. Mas isso dá uma média de mais de duas ligações por dia, incluindo sábados e domingos, durante três anos. Nem os namorados mais apaixonados batem este recorde...   



Escrito por Cid Benjamin às 12h01
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Celso Daniel: uma assombração para o PT

O prefeito Celso Daniel foi assassinado porque houve um ''desarranjo no esquema de corrupção montado em Santo André''.  A afirmação foi feita ontem pelo promotor Roberto Winder Filho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), na CPI dos Bingos. Os holofotes sobre a votação do destino de José Dirceu acabaram tirando um pouco do destaque que, naturalemente, teria o depoimento de Wider. Mas o caso está mais vivo do que nunca.

Estamos convencidos de que o crime ocorreu por um desarranjo no esquema de corrupção. Estamos convencidos que Celso Daniel sabia e aceitava o esquema, desde que o dinheiro fosse para o PT. O desarranjo aconteceu quando ele descobriu que a maior parte do dinheiro ficava para os corruptores.

 Segundo Winder, o então prefeito começou a reunir documentos para se defender e denunciar o esquema e, por isso, foi morto.

Quando trabalhava no JB, investiguei o assassinato de Celso Daniel e escrevi matérias a respeito. Minhas conclusões vão no mesmo sentido.

Seu cadáver representa uma permanente assombração para o "núcleo duro" do PT, que vem tentando sem sucesso fazer uma operação-abafa nas investigações sobre o crime. Não porque tenha ligação com o assassinato (não creio que tenha chegado a tanto), mas porque os assassinos podem abrir a boca e falar sobre as ligações do PT com o gigantesco esquema de corrupção que havia na prefeitura. 



Escrito por Cid Benjamin às 11h52
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Um elogio para Lula

Responsável pelo maior estelionato eleitoral da histório recente do país, há muito tempo Lula não dá razões para elogios. Mas, hoje, vou elogiá-lo. A menos de três semanas das eleições presidenciais na Bolívia, Lula manifestou ontem, publicamente, em Puerto Iguazu, na Argentina, sua preferência pelo deputado e líder cocaleiro Evo Morales, o candiato da esquerda. No encerramento da reunião com o presidente argentino Néstor Kirchner, num discurso improvisado (terá sido pelo improviso?), Lula afirmou que a eleição de Morales, no próximo dia 18 de dezembro, significaria uma mudança extraordinária. A frase não deve ter agradado ao "companheiro Bush". E, a não ser que o líder cocalero se mostre um Lucio Gutierez (presidente do Equador, deposto depois de fazer campanha com um discurso de esquerda e, posteriormente aderir ao neoliberalismo), ou mesmo um novo Lula, sua subida ao poder na Bolívia incomodará o imperialismo norte-americano.  

 



Escrito por Cid Benjamin às 11h46
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